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Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece. E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, de onde nasceu. O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento e volta fazendo os seus circuitos.
Eclesiastes 1,4-6
A clínica ensina diariamente: não se começa do zero. Cada sujeito chega à vida já inscrito numa trama anterior, convocado a responder a legados que não escolheu, mas dos quais não pode se eximir.
A literatura oferece inúmeras formas de tornar visível essa transmissão silenciosa. O livro O tempo e o vento (1949-1962/2005), de Erico Verissimo, nos faz testemunhar algo que a vida confirma cotidianamente: ninguém escreve sua história sozinho. A vida de um sujeito se entrelaça à de uma família, se ancora numa comunidade e se inscreve em dada cultura que o precede e o excede. Ao longo da saga, há objetos que apontam a linhagem na trilogia: a terra disputada, a casa sitiada, a roca, a tesoura, o punhal. Esses objetos carregam marcas de uso e vão trocando de mãos a cada geração; funcionam como depósitos de memória e como testemunhas de uma história que segue adiante mesmo quando não encontra palavras. Tal qual os nomes próprios, trejeitos e expressões, eles retornam e fazem conhecer algo do que já foi. Esse romance histórico-familiar é também um romance de formação coletiva: nele forma-se um sujeito, uma família, um grupo, uma comunidade inteira.
“A História, essa velha plagiadora, repete-se”, diz Freud (Viereck, 1930[1926]/2020, p. 12). Toda saga familiar é mais que uma sucessão de acontecimentos. Aquilo que não foi elaborado reaparece na geração seguinte, numa heterogênea cadeia de transmissões: ideais, gestos, silêncios, modos de amar, de sofrer, de responder ao mundo. A efemeridade da vida é contrastada pela perpetuidade de certas bagagens, resíduos de vivências passadas.
E a história mal contada de certas comunidades faz com que algumas famílias carreguem uma espécie de maldição: recebem, sobretudo, aquilo que não encontrou palavras, não pôde ser simbolizado e atravessou as gerações sob a forma de repetição e destino.
Nas páginas que se seguem, vemos os diversos modos pelos quais o legado é recebido, impondo-se como repetição ou tornando-se criação. Os autores reunidos na seção temática exploram os fios visíveis e invisíveis que ligam pessoas e tempos distintos, acompanhando elementos que se veiculam mesmo à revelia da intenção consciente.
Na seção “Diálogos”, Maria Luiza Salomão e Larissa Albertino comentam o trabalho “Entre a herança e a invenção”, de Talita Rodrigues de Oliveira, e ampliam as questões suscitadas pelo texto e seus desdobramentos clínicos e culturais.
Em “História da psicanálise”, o pesquisador André Schüller propõe uma reconstrução histórica da trajetória da família Freud, a partir de fontes primárias, voltando-se especialmente para Jacob Freud, e lança nova luz sobre as origens daquele que viria a se tornar Sigmund Freud.
Na seção “Interface”, o arquiteto e urbanista Washington Fajardo propõe a cidade como suporte físico para a inescapável transmissão intergeracional, e discute a evolução urbana por meio das figuras do palimpsesto, quando a cidade preserva traços de passado junto às novas camadas, e da tábula rasa, quando o passado é erradicado para a inscrição do novo.
A rbp ainda entrevistou o psicanalista argentino Juan Eduardo Tesone, em conversa conduzida por Cláudia Amaral Mello Suannes e Ana Paula de Oliveira Marques. A entrevista percorre suas contribuições para o pensamento sobre o que se perpetua através da língua, do nome, do incesto e do exílio, interrogando também as possibilidades transformadoras do trabalho analítico diante daquilo que se propagou entre as gerações.
Desejamos que os leitores encontrem interesse em seguir os rastros do que o tempo transporta de uma geração a outra – levando adiante mais do que se pode ver – e em descobrir os diversos modos pelos quais cada sujeito faz dessa herança algo próprio.
Boa leitura!
Referências
Verissimo, E. (2005). O tempo e o vento (3 Vols.). Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1949-1962)
Viereck, G. S. (2020). O valor da vida (Uma entrevista rara de Freud) (P. C. Souza, Trad.). Ide, 42(69), 11-15. tinyurl.com/mr2ns4fc (Trabalho original publicado em 1930[1926])
Berta Hoffmann Azevedo
Editora
A autora aborda situações traumáticas que têm como destino a transmissão psíquica patológica entre gerações. Também considera possíveis saídas a partir do vínculo.
Palavras-chave: trauma, transgeracionalidade, vínculo
As autoras refletem sobre como os traumas psíquicos podem ser transmitidos de uma geração a outra, não apenas nos âmbitos intrapsíquico e intrafamiliar, mas também no macropolítico. Partindo do documentário Três estranhos idênticos, propõem um diálogo com o conceito de radioatividade, formulado pela psicanalista Yolanda Gampel, a qual pensa a transgeracionalidade dando ênfase às marcas que a violência social produz nos sujeitos. Dividem o trabalho em três partes: na primeira, contextualizam o documentário; na segunda, discorrem acerca dos silenciamentos traumáticos que atravessam gerações como resíduos radioativos; na terceira, abordam estratégias de reparação aos traumas coletivos no laço social.
Palavras-chave: radioatividade, trauma coletivo, transgeracionalidade,
violência social
As autoras investigam a herança psíquica da violência em sociedades marcadas pela colonialidade, articulando contribuições de Frantz Fanon e Christopher Bollas. Partem da hipótese de que a violência racista colonial não se restringe ao plano sócio-histórico, mas se inscreve no psiquismo como conhecido não pensado. A partir de uma vinheta clínica, analisam como tais marcas emergem na experiência analítica, evidenciando a articulação entre história coletiva e dinâmica psíquica. Mobilizam a noção de estado de mente fascista para compreender formas de organização psíquica que empobrecem a capacidade de elaboração e favorecem a repetição da violência. Em contraponto, discutem a possibilidade de transformação por meio da análise como objeto transformacional, concebida como espaço de surgimento de novas experiências e de reconfiguração do self.
Palavras-chave: colonialidade, violência, psicanálise, transformação
As autoras abordam a constituição da identidade psíquica no contexto amazônico, articulando os efeitos da colonização a conceitos da psicanálise e à sua própria transmissão. A partir da ideia de identificação de Sigmund Freud, das contribuições de Sándor Ferenczi sobre a teoria do trauma e das formulações de Jacques Lacan a respeito do imaginário, empregam a noção de dessemelhante radical para compreender processos de desvalorização sociocultural que destituem o outro de sua condição de semelhante. Questionam se tais dinâmicas permanecem ativas nos modos de subjetivação, dificultando a construção de referências identificatórias locais e a elaboração dos traumas históricos.
Palavras-chave: colonização, Amazônia, herança, identificação, complexo do semelhante
A autora investiga a participação da herança psíquica na constituição da subjetividade, particularmente no campo do feminino, por meio da transmissão e da transformação de traços psíquicos em uma história familiar. Baseia-se em material clínico de um caso, analisado à luz de conceitos clássicos e contemporâneos da psicanálise, para compreender como experiências transmitidas entre gerações organizam posições subjetivas e modos de identificação. A análise permitiu identificar configurações identificatórias que, mesmo sem sintomas manifestos, orientam o pertencimento familiar e a inscrição do desejo. Observam-se processos graduais de diferenciação subjetiva que modulam a relação da paciente com a herança recebida. Os achados indicam que as marcas herdadas permanecem estruturantes, mas podem ser transformadas progressivamente no trabalho analítico, permitindo formas mais singulares de inscrição subjetiva sem ruptura dos vínculos familiares.
Palavras-chave: herança psíquica, transmissão psíquica, subjetividade, identificação, depressão
Comumente, a escuta psicanalítica está direcionada ao inconsciente e suas manifestações no encontro analítico. Ao se propor a isso, muitas vezes o psicanalista pode se ver com poucos recursos para avaliar a relevância de como certas culturas organizam a arquitetura da mente do paciente de maneira distinta. Muitos nipodescendentes conseguem desfrutar de análises conduzidas sem essa apreciação, mas podem sentir que uma parte importante de sua personalidade não foi contemplada. Um agravante é o fato de que, na cultura japonesa, valores como o silêncio, a vergonha e a preocupação com a harmonia grupal desafiam o desenvolvimento do trabalho. O autor propõe discutir essas questões apresentando aspectos históricos, culturais e dois casos clínicos. Embora ambos os pacientes sejam brasileiros totalmente assimilados, ele demonstra como elementos significativos da tradição japonesa estruturam suas formas de pensar e sentir, e levantam questões técnicas que precisam ser observadas.
Palavras-chave: clínica psicanalítica, Japão, cultura, nipodescendentes
A transmissão da herança psíquica constitui operação fundamental no exercício da parentalidade e da filiação. E implica, independentemente dos vínculos biológicos ou adotivos, a possibilidade de uma adoção subjetivante, entendida como a inscrição da criança em uma linhagem simbólica, conferindo-lhe um lugar no desejo parental e em uma narrativa compartilhada, seja por elementos estruturais, seja por elementos contingenciais. A sustentação da adoção subjetivante se dá pela transmissão de dotes simbólicos, como o conjunto de investimentos afetivos e identificatórios, que alicerçam a constituição da subjetividade. Quando esse processo sofre falhas, interrupções ou esgarçamentos, emergem formas de sofrimento psíquico que podem adquirir tonalidade traumática. Na experiência analítica, tais configurações delineiam o que neste trabalho as autoras denominam clínica da não-adoção, caracterizada por impasses na inscrição simbólica do sujeito. Nessa perspectiva, o analista é convocado a exercer uma função adotante, investindo, na transferência, seu próprio dote simbólico como elemento constitutivo da função analítica.
Palavras-chave: herança psíquica, parentalidade, adoção subjetivante, dote simbólico, clínica da não-adoção
O autor busca ampliar a interpretação psicanalítica clássica do complexo edípico pondo em perspectiva acontecimentos ausentes do enredo de Édipo rei, através da reconstrução dos crimes do pai de Édipo, Laio. Por meio do recurso ao mito, procura desenvolver uma reflexão sobre a herança psíquica pensada como maldição, a natureza de sua transmissão na construção de uma posição subjetiva que passa a condenar o sujeito, e o papel da psicanálise diante desse tipo de sofrimento.
Palavras-chave: complexo de Édipo, psicanálise, tragédia, herança, transmissão
Neste artigo, a autora articula o tema das relações fusionais entre pais e filhos ao complexo de Édipo. Para ilustrar tal entrelaçamento temático, recorre ao livro Promessa ao amanhecer, história autobiográfica de Romain Gary, que narra com visceralidade comovente a relação fusional que o autor viveu com a sua genitora e culminou com o suicídio dele alguns anos depois.
Palavras-chave: relações fusionais, complexo de Édipo, simbiose, escuta psicanalítica
Os autores propõem uma reflexão sobre a melancolia a partir da articulação entre metapsicologia e clínica psicanalítica. Sustentam que as falhas na constituição do narcisismo, articuladas à prevalência da pulsão de morte, comprometem os processos de simbolização e de ligação, mantendo o objeto sob a forma de uma presença negativa que incide sobre o ego. Propõem que, nas relações primárias, transmitem-se modos de tramitação da destrutividade, que se atualizam na clínica. A partir da leitura de Freud, André Green, Lacan e autores contemporâneos, abordam os impasses transferenciais e o lugar da contratransferência, afirmando que a elaboração da perda visa à construção de possibilidades de objetalização – isto é, de ligação ao outro – e à reinscrição dessas marcas na direção de Eros.
Palavras-chave: melancolia, narcisismo, destrutividade, objeto primário,
pulsão de morte
A passagem do tempo confronta o sujeito com o que permanece da experiência vivida. Entre memórias, objetos guardados e narrativas familiares, transmite-se algo do passado que atravessa gerações e pode adquirir valor de legado. A autora tem como objetivo principal promover uma reflexão sobre aspectos da finitude e do legado da vida. Trabalha o significado do legado a partir da experiência da aquisição da condição de elaborar lutos, apoiando-se em autores como Freud, Klein e Ogden, e no relato de um caso clínico em que a finitude se relaciona diretamente com a proteção da memória por meio de objetos guardados e protegidos em caixas. Apresenta fragmentos de uma sessão, tendo como base a importância da escuta analítica e da dinâmica transferencial para elaborar novas identificações e assim lidar com a finitude. A parceria analista-paciente oferece recursos para iniciar o trabalho de luto e transformar lembranças em memória. A autora conclui que a psicanálise é uma companheira privilegiada em todas as fases da vida, capaz de auxiliar uma paciente de idade avançada a encontrar modos próprios de viver o tempo que passa, através do espaço de escuta.
Palavras-chave: legado, memória, transitoriedade, finitude, luto
A autora aborda o trauma transgeracional, entendido como a transmissão inconsciente de experiências traumáticas entre gerações de uma mesma família. A partir do filme Valor sentimental, de Joachim Trier, discute como memórias, silêncios e segredos familiares influenciam a vida psíquica dos descendentes. A casa da família como narrador funciona como metáfora da memória e das experiências não digeridas, exibindo suas rachaduras, as fissuras das relações e as cisões. Com base nas teorias de Sigmund Freud, Sándor Ferenczi, Nicolas Abraham e Maria Torok, a autora descreve como traumas não elaborados formam criptas psíquicas e geram fantasmas que aparecem como sintomas nas gerações seguintes. Acompanha de que modo o diálogo, a lembrança e a criação artística transformam dores silenciosas em palavras, favorecendo a elaboração do sofrimento e rompendo parcialmente o ciclo de repetição traumática.
Palavras-chave: trauma transgeracional, transmissão inconsciente, luto não elaborado, memória familiar, elaboração psíquica
O autor propõe que Sobre a concepção das afasias e “Projeto de uma psicologia”, de Freud, e “A grade”, de Bion, seriam três “línguas” que traduzem um mesmo problema: como a mente transforma experiência em representação. Apresenta a Pedra de Roseta como metáfora metodológica para mostrar que a comparação entre registros permite decifrar o que isoladamente permanece opaco. Defende um isomorfismo funcional entre os esquemas, não de conteúdo, mas de operações psíquicas. Toma a noção de cesura como intervalo produtivo que encadeia modelos históricos e conceituais. Nesse intervalo, propõe a intuição como a função de passagem e de tradução entre níveis de inscrição.
Palavras-chave: Sobre a concepção das afasias, “Projeto de uma psicologia”,
“A grade”, cesura, intuição
A autora examina conflitos psíquicos implicados na ascensão social, especialmente quando ela se dá por meio dos estudos. A partir de vinhetas clínicas e da obra de Édouard Louis, discute impasses ligados a vergonha, culpa, dívida, sentimento de ilegitimidade e crises de pertencimento que emergem quando o sujeito já não se reconhece inteiramente nem no meio de origem nem no espaço em que passou a circular. Sustenta a hipótese de que a ascensão social pode adquirir valor traumático em après-coup, na medida em que a entrada em um novo universo social e simbólico leva o sujeito a revisitar experiências antes naturalizadas, conferindo-lhes outro sentido. Recorre à noção de contrato narcísico, de Piera Aulagnier, para pensar o lugar antecipado pelo grupo e a promessa de reconhecimento que o sustenta, e ao conceito de alianças inconscientes, de René Kaës, para examinar os vínculos e pactos silenciosos que entram em crise quando o sujeito se afasta do destino que lhe havia sido reservado.
Palavras-chave: ascensão social, pertencimento, après-coup, contrato narcísico, alianças inconscientes
Comentário
Maria Luiza Salomão, pg.217
Comentário
Larissa Albertino, pg. 225
O autor discute a complexidade da evolução urbana por meio de uma perspectiva arqueológica e psicológica, contrapondo os conceitos de palimpsesto (a cidade que preserva os vestígios do passado sob as novas camadas) e tábula rasa (a erradicação do tecido existente para a inscrição do novo). A partir das ideias de Walter Benjamin sobre o habitar e o flâneur, aborda a transição da urbanização do século 19 para o 20, que deixa de ser estritamente centrada na engenharia sanitária e militar para se tornar um campo de experiência subjetiva e estética. Apoiando-se em Freud, argumenta que a cidade atua como o suporte físico de uma transmissão intergeracional inescapável, em que as escolhas urbanas revelam tensões profundas entre o que se deseja preservar como legado e o que se tenta recalcar sob a justificativa de neutralidade técnica.
Palavras-chave: urbanismo, palimpsesto, tábula rasa, arqueologia urbana, preservação histórica
O autor parte do princípio de que há uma analogia entre a “construção” do Eu e o roteiro na filmografia, na dramaturgia e no romance. Em 1974, traduziu um artigo de León Grinberg et al. sobre o papel da analogia, da simetria e da polivalência no uso da “interpretação → construção” em Bion. A essência desses conceitos foi publicada em 1977 no artigo “The grid”, onde se encontra uma excelente ilustração clínica. Ao comparar recentemente o roteiro dos filmes Babygirl e The human stain, o autor percebeu que o contraste entre as performances de Nicole Kidman em ambos os filmes oferecia uma ótima oportunidade de atualizar os conceitos de Bion, caso se acrescentassem os conceitos de binocularidade e de multiocularidade. Isso também permite refletir sobre algumas questões atuais, como racismo, abuso e máscaras sociais.
Palavras-chave: construção do Eu, analogia, simetria, polivalência, binocularidade
Com base no solo fundador da psicanálise, a autora tece um fio condutor da história a partir da sucessão dos principais autores, com ênfase nas suas então chamadas escolas e grandes autores, chegando hoje ao que propõe ser um tempo pluralista e à tarefa epistemológica do psicanalista – suas identificações e identidade. A prática dos working parties, oferecida sobretudo em congressos desde 2001, virá ilustrar o que vislumbra ser o momento atual, em sua vertente teórico-clínica polifônica.
Palavras-chave: história da psicanálise, psicanálise contemporânea, polifonia, working party, identidade do analista
Sigmund Freud apresentou, ao longo de sua trajetória, um caráter singular, marcado pelo desejo de épater le bourgeois – como sugeriu Breuer em carta a Forel – e por um notável destemor intelectual. As explicações para essa disposição, contudo, costumam oscilar entre hipóteses frágeis ou pouco ancoradas em documentação. O autor busca enfrentar parte desse problema por meio de uma reconstrução histórica baseada em fontes primárias. Dividindo o artigo em duas etapas, retoma inicialmente a trajetória de Jacob Freud em Freiberg/Příbor entre 1844 e 1855. A análise de pedidos de tolerância, registros administrativos e dados comerciais permite situá-lo como comerciante ativo, inserido em redes regionais e capaz de negociar sua permanência em um ambiente jurídico e social restritivo. Na segunda etapa, o autor identifica três capacidades práticas observáveis nesse percurso – leitura de ambientes, negociação de reconhecimento e sustentação diante de projeções sociais – e discute em que medida elas podem iluminar a formação moral e intelectual de Sigmund Freud.
Palavras-chave: Jacob Freud, Sigmund Freud, história da psicanálise, Freiberg, herança
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