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A armadilha do ódio é que ele nos prende muito intimamente ao adversário.
MILAN KUNDERA, A imortalidade
O ódio ata. Diferentemente da indiferença, que afrouxa e deixa cair, o vínculo de ódio amarra o sujeito ao objeto com uma força tenaz. Trata-se de um laço antitético: ao mesmo tempo que tenta separar, impede a perda. Por isso, quando o ódio predomina, o trabalho de luto se torna um desafio clínico particular: o objeto odiado não se deixa enterrar, insiste, retorna, ocupa o espaço psíquico como presença negativa, mas viva.
Na clínica, é frequente observar sujeitos atados a objetos não apesar do ódio, mas por meio dele. É uma solução psíquica complexa, que preserva o vínculo a altos custos. Nesse movimento, há uma economia precisa: melhor odiar do que perder o objeto, que passa a ser “o tempo todo reanimado como objeto por meio de um ódio que, claramente, … é apenas a outra face de um amor tirânico” (Pontalis, 1977/2005, p. 277).
Freud reconheceu a centralidade do ódio especialmente ao se debruçar sobre a neurose obsessiva. Ali, o ódio aparece entranhado à ambivalência, infiltrado em rituais, formações reativas e ruminações que mantêm o objeto sob vigilância constante. Inscrever o ódio na metapsicologia consistiu em reconhecer que ele não é um afeto marginal, mas uma peça estrutural do aparelho psíquico, com função ao mesmo tempo defensiva e organizadora.
É nas situações clínicas limite, contudo, que essa amarração revela sua face mais decisiva. Quando o narcisismo está ameaçado, o ódio pode oferecer um eixo mínimo de reconhecimento e diferenciação. O ódio delimita fronteiras onde há confusão, traça contornos onde o eu corre o risco de se dissolver. Nesses casos, odiar o outro é, paradoxalmente, vital – uma forma de salvar a si mesmo.
A metáfora política ilumina esse movimento: nada como uma guerra entre Estados para apaziguar uma guerra civil. A hostilidade externa organiza o caos interno, desloca o conflito e fornece uma narrativa capaz de restituir certa coesão. Foi o que Freud desenvolveu em 1921 e 1930 ao apontar o ódio como operador de ligação. A hostilidade externa funciona como cimento da coesão interna: a massa se mantém unida na medida em que pode dirigir sua agressividade para fora. O inimigo comum torna-se, então, necessário à manutenção do laço interno.
Do inimigo não se pode abrir mão, pois quando aquilo que sustenta a coesão (interna ou coletiva) se desfaz, advém a desorganização, o empobrecimento libidinal e a angústia. O ódio comparece, nesse caso, como meio de estabilização narcísica: ao localizar no outro a ameaça, o sujeito consegue, ainda que precariamente, recompor uma imagem de si.
Assim, o laço de ódio pode ser compreendido como um modo paradoxal de não perder o objeto, de mantê-lo presente quando a separação ameaça devastar. Mesmo sob a forma negativa, o objeto permanece insubstituível (Green, 1980/1988 e 2002/2010). Atados pelo ódio, sujeito e objeto se enredam numa relação que fere, mas sustenta; aprisiona, mas também protege do vazio. Maldição e recurso de sobrevivência, essa posição não se desfaz sem um trabalho psíquico longo e exigente. Reconhecê-la é uma das tarefas do pensamento clínico contemporâneo.
Neste número, convidamos os leitores a explorar as múltiplas modalidades dessa amarração. Além de artigos temáticos e com tema livre, a seção “Diálogos” aprofunda a questão em “O ódio como vínculo”, de Ségismar de Andrade Pereira, comentado por Adriana Navarrete Bianchi e Flavia Costa Strauch. Em “História da psicanálise”, reeditamos um texto publicado em 1926 por Durval Marcondes, “O pensamento simbólico em geral”, que o autor menciona em carta a Freud no início de sua correspondência. Na seção “Interface”, a escritora Helena Terra assina “Sete vidas”.
Desejamos que estas páginas despertem o interesse e abram passagem pelos enigmáticos atamentos no ódio, em suas incidências coletivas e singulares.
Boa leitura!
Referências
Freud, S. (2009). O mal-estar na civilização. In S. Freud, Obras completas (P. C. Souza, Trad., Vol. 18, pp. 13-122). Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1930)
Freud, S. (2011). Psicologia das massas e análise do eu. In S. Freud, Obras completas (P. C. Souza, Trad., Vol. 15, pp. 13-113). Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1921)
Green, A. (1988). A mãe morta. In A. Green, Narcisismo de vida, narcisismo de morte (C. Berliner, Trad., pp. 247–282). Escuta. (Trabalho original publicado em 1980)
Green, A. (2010). El pensamiento clínico (C. E. Consigli, Trad.). Amorrortu. (Trabalho original publicado em 2002)
Pontalis, J.-B. (2005). Entre o sonho e a dor (M. S. Pereira, Trad.). Ideias & Letras. (Trabalho original publicado em 1977)
Resumo: O autor propõe uma leitura metapsicológica e literária da expressão “odiar, verbo intransitivo”, em diálogo com Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade. Interroga-se se o ódio pode ser concebido, como o amor, em sua forma intransitiva – isto é, desvinculada de objeto – e se essa negatividade primária corresponderia a uma das modalidades mais arcaicas de relação com o outro. A partir de Freud e da literatura brasileira, indaga como o ódio participa da constituição do eu, do laço e da cultura, revelando sua função estruturante e não apenas destrutiva.
Palavras-chave: ódio, amor, intransitividade, Mário de Andrade, Guimarães Rosa
Resumo: O autor investiga por que certos vínculos de ódio resistem tão tenazmente à elaboração. Propõe que o ódio, além de afeto, pode constituir estrutura psíquica organizadora, modo de vinculação ao objeto e fonte de coesão narcísica. Articulando contribuições de Freud, Rosenfeld, Steiner e Green com a noção de onipotência negativa (Green/Urribarri), formula o conceito de luto do ódio: o trabalho psíquico de renunciar não a um objeto amado, mas a uma posição odiante. Propõe um luto triplo, do objeto odiado, da posição subjetiva de vítima, e da onipotência negativa como último refúgio narcísico. Uma vinheta clínica ilustra as condições de transformação.
Palavras-chave: ódio, luto, onipotência negativa, vínculo, narcisismo destrutivo
Resumo: A partir da experiência clínica, a autora tece um relato em que o processo analítico foi tomado e paralisado pelo conluio entre analista e analisante, originado e mantido predominantemente pelo ódio. Seu reconhecimento e a permissão para senti-lo é um possível caminho para a separação entre o Eu e o objeto. Ainda, relaciona ódio e melancolia. Ao final, com base em um texto de Clarice Lispector, formula questões que entrelaçam o ódio e o “dar tanto” aos outros como um pedido de licença para existir.
Palavras-chave: agieren, conluio, ódio, melancolia
Resumo: Partindo da prematuridade biológica do ser humano e sua fragilidade constitucional marcada pelo desamparo, os autores procuram situar as origens do ódio na insuficiência das primeiras trocas do recém-nascido com o mundo. Sem um outro capaz de interpretar as necessidades do bebê, sua capacidade de sobrevivência psíquica não ocorre, pois as representações são carregadas de um quantum de energia geradora de desprazer. Aquela/e que oferece suporte ao bebê, candidato potencial a sujeito, deve poder assegurar-lhe a travessia de duas violências: a violência primária, no sentido de Piera Aulagnier, e a violência simbólica, tal como a entende Pierre Bourdieu. Para os autores, a desintrincação pulsional, obra da pulsão de morte, sustenta a interação do psiquismo através do masoquismo erógeno primário, no qual o ódio se torna a única forma de investimento libidinal para manter a vida.
Palavras-chave: ódio, desintrincação pulsional, investimento libidinal
Resumo: O autor investiga o ódio a partir de uma articulação entre etimologia, teoria psicanalítica e clínica, sustentando que o ódio não se reduz a um afeto reativo ou secundário, mas pode operar como forma durável de vínculo. A análise etimológica mostra que, enquanto o latim (odium) privilegia a repulsa e a fantasia do afastamento, o grego (μῖσος) e as línguas germânicas (Hass, hate) enfatizam a persistência relacional e o investimento dirigido ao outro. Essa distinção prepara o terreno para a leitura freudiana do ódio como afeto originário, ligado à constituição narcísica do eu e à delimitação da alteridade. A partir do ensaio freudiano sobre o significado antitético das palavras e da crítica de Émile Benveniste, o autor desloca a noção de antitético do plano do signo para o da enunciação e do laço. Uma cena do filme Relatos selvagens é utilizada como operador clínico-conceitual para ilustrar o ódio como vínculo negativo e inelutável.
Palavras-chave: ódio, etimologia, laço, narcisismo, psicanálise
Resumo: O autor examina transformações contemporâneas do mal-estar na civilização a partir da hipótese de que a economia pulsional atual vem sendo progressivamente deslocada da sexualidade, enquanto força de ligação e simbolização, para a dominação, entendida como investimento privilegiado do narcisismo e operador central dos vínculos sociais. Em diálogo com Freud, Laplanche e autores da psicanálise dos vínculos, propõe que a erosão das arquiteturas simbólicas, o enfraquecimento dos mitos organizadores e a saturação de estímulos comprometem a função tradutiva do psiquismo, reduzindo o intervalo psíquico necessário à elaboração, à simbolização e à produção de sentido. Discute como a pós-verdade, a tribalização dos discursos, a cultura do ódio e a erotização da violência operam como dispositivos culturais que favorecem a captura da pulsão pela lógica da dominação, deslocando o desejo de sua dimensão enigmática para modalidades de controle, captura e eliminação da alteridade. Por fim, sustenta que a tarefa ética e clínica da psicanálise, diante desse cenário, consiste em reinstalar a função de ligação, a temporalidade psíquica e a abertura ao enigma do outro, recolocando a atividade tradutiva no centro da experiência subjetiva e do laço social como condição de reorganização da economia psíquica e da ligação pulsional diante da lógica da dominação.
Palavras-chave: mal-estar na civilização, dominação pulsional, narcisismo, cultura do ódio, pós-verdade
Resumo: O autor analisa a noção de domínio na psicanálise e sua centralidade na compreensão das perversões, articulando-a às dimensões de sedução e vingança. Inicialmente, examina o estatuto conceitual do domínio na obra freudiana, desde sua formulação como pulsão de domínio até sua reconfiguração como função da pulsão de morte, destacando a inversão passivo-ativo. Em seguida, a partir de Roger Dorey, concebe o domínio como relação intersubjetiva marcada por apropriação, dominação e inscrição de uma marca no outro. Dialoga com Robert J. Stoller ao enfatizar a hostilidade e a fantasia de vingança como motores do funcionamento perverso, entendido como erotização do ódio e tentativa de transformar um trauma passivamente vivido em triunfo ativo. Por fim, recorre à teoria da sedução generalizada de Jean Laplanche para sustentar que a perversão responde a mensagens intrusivas e intraduzíveis do outro originário, sendo o domínio um modo defensivo de lidar com o excesso traumático.
Palavras-chave: domínio, perversão, sedução, vingança, psicanálise
Resumo: A autora reflete sobre o papel do ódio na constituição psíquica e na clínica psicanalítica, especialmente em mulheres. Partindo da condição inicial de desamparo e dependência descrita por Freud, discute como o ódio pode ser entendido não apenas como destrutividade ou intolerância, mas como recurso vital de separação e afirmação do Eu. Através da personagem fictícia Ana Terra, que representa diversas analisandas, apresenta vinhetas clínicas em que o ódio surge diante de sobrecargas, silenciamentos e ideais superegoicos de dedicação a um outro. Esse afeto, longe de ser patológico, pode ser visto como protesto legítimo e possibilidade de autonomia. A autora percorre a obra de Freud, Winnicott, Roussillon e outros, destacando a ambivalência entre amor e ódio e sua função estruturante. Sustenta que o ódio, quando escutado e simbolizado, pode ser transformado em força criativa, abrindo espaço para subjetividade, emancipação e verdade, em particular no percurso feminino.
Palavras-chave: ódio, feminino, posicionamento, submetimento, clínica
Resumo: A autora explora a complexidade do campo da psicanálise vincular, concentrando-se na experiência do atendimento de um casal cuja relação é mantida por assimetrias de gênero e violência. A clínica aponta os efeitos do machismo como estrutura social transubjetiva no microcosmo conjugal, configurando uma distribuição desigual de liberdade, desejo e poder. As falas e atitudes machistas do marido e a submissão da esposa exigem um esforço da analista para manter seu papel e não atuar sobre a reprodução da lógica patriarcal na conjugalidade. O manejo do afeto odioso, entendido como produto da relação e da cultura para além dos sujeitos, revela-se essencial à evolução do tratamento. O desafio clínico reside em sustentar um espaço tridimensional – intrapsíquico, intersubjetivo e transubjetivo – que traduza a violência em palavra e pensamento, fomentando a transformação e a mobilidade das posições de gênero.
Palavras-chave: psicanálise vincular, teoria do campo vincular, alianças inconscientes, violência de gênero, contratransferência
Resumo: O ódio constitui um elemento estruturante dos coletivos, produzindo divisões que, inevitavelmente, deixam restos: sujeitos marcados pela diferença e pela segregação. O autor propõe abordar o ódio a partir do ponto de vista daqueles que sofrem seus efeitos hostis, interrogando o que pode ser inventado a partir dessa posição. A internet, frequentemente compreendida apenas como veículo de disseminação do ódio, é tomada também como espaço passível de usos singulares, podendo ser “remixada” – à maneira da catedral de Notre-Dame em Victor Hugo –, passando de lugar de clausura para possibilidade de refúgio. A partir de noções clássicas e contemporâneas de virtualidade, o autor discute como, nas mãos dos “indesejáveis”, o digital pode ser transformado em abrigo, comunidade e gesto de subversão.
Palavras-chave: psicanálise, ódio, segregação social, uso da internet,
redes sociais online
Resumo: As autoras examinam a relevância da abertura amorosa do analista como fundamento para a criação de um campo clínico permeável e transformador. Propõem que essa abertura configure uma forma de porosidade psicanalítica capaz de captar a experiência humana em sua complexidade, acolhendo afetos, tensões e fragmentos ainda sem representação. Sustentam que esse modo de presença favorece a expansão da capacidade de sonhar e a criação de pensamentos-sonho compartilhados, constituindo-se como dispositivo essencial para o refinamento da técnica e para a compreensão das transformações que emergem no encontro analítico.
Palavras-chave: ethos do amor, porosidade psicanalítica, reverie, sonhar, intersubjetividade
Resumo: As tragédias sociais, repetidas até se tornarem ruído de fundo, revelam uma dimensão perturbadora do humano: a banalização do mal. Retomando o conceito formulado por Arendt em diálogo com as contribuições freudianas, a autora explora as formas de indiferença e desumanização que atravessam o contemporâneo. O mal, nesse registro, não se apresenta apenas sob a forma do ataque ou da destruição, mas como um esvaziamento da capacidade de pensar e de sentir, uma clivagem social e psíquica que transforma o sofrimento em estatística.
Palavras-chave: banalização do mal, tragédias sociais contemporâneas,
Sigmund Freud, desumanização, trauma coletivo
Resumo: O autor apresenta a história de um paciente que procurou a análise aos 75 anos, com um quadro depressivo. Mostra as relações entre a experiência no consultório e a jornada desse paciente ao longo dos anos, que inclui uma infância e uma adolescência marcadas por ideais nazistas. Apreende efeitos dessa ideologia tanto no paciente quanto em seus familiares.
Palavras-chave: ideologia totalitarista, transmissão intergeracional, transferência, contratransferência
Resumo: A autora apresenta uma experiência com o projeto Stolpersteine, do artista alemão Gunter Demnig, em homenagem às vítimas do Holocausto. Ressalta as memórias despertadas por essa experiência, bem como as transformações proporcionadas por ela, com uma nova compreensão do passado.
Palavras-chave: Stolpersteine, ritual, memória, reparação
Resumo: A autora apresenta duas histórias que mostram diferentes respostas culturais ao trauma transgeracional e ao potencial de reparação. Com base nelas, reflete sobre o pós-vida da guerra e dos crimes contra a humanidade, bem como sobre as polarizações internas à psicanálise.
Palavras-chave: trauma, reparação, guerra, crimes contra a humanidade
Resumo: O ódio no contexto do divórcio é frequentemente compreendido como reação afetiva ao rompimento amoroso ou como expressão de conflito interpessoal.
O autor propõe uma leitura distinta, concebendo o ódio como forma de vínculo capaz de impedir – ou fazer fracassar – a separação psíquica, mesmo após a dissolução jurídica da relação. A partir da metáfora do filme Relatos selvagens e de outras narrativas culturais e clínicas evocadas ao longo do texto, ele articula contribuições de Freud, Melanie Klein, André Green e Wilfred Bion para sustentar a hipótese de que, em certas configurações, o ódio funciona como organizador negativo do vínculo, defesa contra o vazio e ataque à possibilidade de transformação psíquica. Discute ainda de que modo esse ódio chega à clínica psicanalítica, frequentemente como energia pulsional bruta, convocando o analista a ocupar posições que tensionam a ética da escuta. Por fim, examina os destinos possíveis do ódio no divórcio, destacando-se a cristalização repetitiva, o deslocamento parcial e a possibilidade – sempre frágil – de simbolização, quando a expectativa investida no outro pode ser reconhecida como perda e não mais exigida sob a forma de destrutividade.
Palavras-chave: psicanálise, divórcio, ódio, vínculo, vazio
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Resumo: O autor comenta um trabalho de Luiz Meyer sobre o personagem principal da tragédia Édipo rei, de Sófocles, e apresenta algumas ideias sobre a personalidade e os atos do rei.
Palavras-chave: Édipo, parricídio, investigação de um crime, revolta de Édipo contra os tebanos, leituras psicanalíticas da tragédia
Resumo: A autora faz uma leitura psicanalítica do romance testemunhal A bailarina de Auschwitz, de Edith Eva Eger, que narra sua vivência nos campos de concentração nazistas e os traumas deixados pelo Holocausto. Em 1939, Hitler iniciou a expansão nazista, conduzindo à Segunda Guerra Mundial e a milhões de mortes. Edith, então bailarina, foi levada a Auschwitz aos 16 anos, onde sobreviveu a horrores como a ordem de Josef Mengele para dançar. A obra não apenas expõe as atrocidades do Holocausto, mas também reflete sobre os efeitos psicológicos da guerra e os caminhos para a superação do trauma. A autora mostra como a narrativa de Eger dialoga com a teoria do trauma de Freud, principalmente com o trauma sem representação, pensado por Freud depois dos anos 1920. Através das reflexões proporcionadas pela leitura do romance sob as lentes da psicanálise, divide com o leitor como o encontro da escuta refinada com a escrita pode transformar dor em palavra e produzir novas elaborações.
Palavras-chave: psicanálise, escuta refinada, escrita, trauma, Freud
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