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Guimarães Rosa dizia que “todo abismo é navegável a barquinhos de
papel” (1967/2001, p. 63). Uma esperança quando a impressão de distância
geracional intransponível habita o cenário social.
A imagem parece feita para estes tempos, nos quais o conflito entre gerações
encontra-se agudizado pela extensão e profundidade do vão. A expressão
que dá título a este número evoca uma sensação de ruptura nas formas de
produzir experiência, estabelecer vínculos, construir pertencimento, acessar o
conhecimento e imaginar o futuro, como se as margens tivessem deixado de
se alcançar.
De todos os lados, anuncia-se uma revolução sem precedentes: a experiência
virtual tornou-se parte constitutiva da socialização, formas de vínculo
mediadas pela tecnologia desafiam nossas categorias de alteridade, e a inteligência
artificial generativa desloca as fronteiras entre autoria, conhecimento
e produção de sentido. Também se transformam nossas formas de acessar a
informação e nossa relação com o saber.
Podemos pensar a revolução digital como acontecimento, no sentido
que Alain Badiou (1988/2015) atribui àquilo que irrompe sem que disponhamos,
de antemão, das ferramentas necessárias para compreendê-lo. Ela introduz
uma inflexão particularmente radical no tão conhecido conflito que faz
rodar a roda da vida quando a seta do tempo segue sua orientação ao futuro.
O trabalho propriamente geracional de subjetivação envolve receber e
transformar, tal como aprendemos no recorte que faz Freud (1912-1913/2012)
de Goethe. Toda transmissão supõe continuidade e ruptura. A herança que
não admite alteração converte-se em imposição, mas uma ruptura que não
reconhece qualquer herança deixa o sujeito sem história em que se apoiar.
Além de passado, transmissão pressupõe futuro. Ou seja, não basta
haver algo a transmitir; é preciso que exista um horizonte imaginável para
aquilo que será recebido e transformado.
Tocamos, assim, o tema da temporalidade e da temporalização. Quando
os modos de relação deixam de organizar a experiência como antes, exige-se
um trabalho de luto que pode alcançar a própria capacidade de imaginar um
mundo por vir. Conceber um futuro animado por algum desejo é condição
para uma transmissão, para que se possa investir em um projeto realizável.
Um futuro que aparece sobretudo como ameaça, marcado por catástrofe
climática, guerras, colapso e destruição, deixa-nos diante da tarefa paradoxal de
construir em um mundo cuja capacidade de prometer parece ter se esgotado.
Não é difícil reconhecer aí uma questão para a psicanálise. Sob o olhar
lançado do abismo, a outra geração pode deixar de ser reconhecida como
sujeito de uma experiência histórica, passível de ser tensionada, e passar a
ocupar o lugar daquele cuja pura descontinuidade gera desesperança. Situado
à margem do abismo, o outro se torna inacessível, como se fosse forjado de
outra matéria, fora do alcance de um contato que valha a pena – feito um
animal cujo ninho, uma vez mexido, dificulta reconhecer o parentesco.
A imagem nos lembra a perspectiva de Schreber diante dos “homens
feitos às pressas” (citado por Freud, 1911/2010, p. 29): a experiência inquietante
de encontrar no outro algo que parece não compartilhar de uma humanidade
familiar e reconhecível.
O abismo entre experiências se mostra também entre os repertórios
disponíveis para pensá-las. E aqui a questão da transmissão encontra a da
epistemologia. Estamos diante de transformações que alcançam os próprios
instrumentos com que tentamos compreender o humano.
Isso implica reconhecer que também nós, psicanalistas, podemos
ocupar a margem do abismo. Se aquilo que herdamos não dá mais conta de
nomear minimamente bem aquilo que vivemos, não podemos simplesmente
abandonar a herança nem tampouco tratá-la como patrimônio intocável.
No número da Revista Brasileira de Psicanálise que temos em mãos,
os autores partem da imagem de um abismo geracional aberto, em grande
medida, pela revolução digital e a desdobram em diferentes abismos epistemológicos,
em especial aqueles relacionados às questões de raça e gênero.
Lançam-nos para o coração de uma transformação vertiginosa para historicizá-
la, reconhecer suas condições de emergência e interrogar os instrumentos
de que dispomos para pensá-la.
Além dos textos temáticos, a seção Diálogos conta com o artigo
“Branquitude encriptada”, de Thiago da Silva Abrantes, comentado por Cynara
Cezar Kopittke e Cidiane Vaz Melo.
Em Interface, o filósofo Marcus Bruzzo assina “Nossos filhos e netos
sonharão os sonhos das máquinas”. Em História da psicanálise, lemos
“Orquestrar feminismo e psicanálise”, de Alessandra Affortunati Martins.
A leitura deste número nos inspira a reconhecer que, entre uma margem
e outra, há um futuro que, apesar de todas as razões para dele desconfiarmos,
precisa poder ser imaginado. Diante da sensação desesperançosa de abismo,
nos cabe descobrir que embarcação ainda somos capazes de construir.
Boa leitura!
A inteligência artificial chega acompanhada de uma promessa antiga, a
de domínio sobre aquilo que nos excede. O autor a investiga como o lugar onde
retorna, em escala inédita, a expectativa moderna de administrar a vida. Relê as
três feridas narcísicas descritas por Freud em 1917 como uma genealogia ainda
inacabada. A cada destituição do humano de seu lugar central, a soberania se reorganiza um pouco adiante, sob nova forma. As feridas foram sofridas, raramente sustentadas. Partindo da imagem do nó proposta por Ernesto Neto e percorrendo cenas heterogêneas (a ferradura de Bohr, o gato de Derrida, a pergunta de Krenak, a voz de Kopenawa, o corpo marcado de Nastassja Martin e a escuta clínica), o autor sustenta que o descentramento só começa quando a perda do centro deixa de ser convertida em instrumento de domínio. À luz da noção grega de hybris, a tarefa é habitar a ferida como coimplicação entre fios distintos, sem fusão nem separação.
Palavras-chave: psicanálise, narcisismo, descentramento, inteligência artificial,
alteridade
O autor tem por objetivo compreender a transmissão psíquica entre gerações
e seus efeitos na adolescência em meio ao cenário social e cultural contemporâneo, partindo da lente psicanalítica. Sua hipótese é a de que a contemporaneidade tem levado a transformações da transmissão psíquica, cujos desdobramentos subjetivos podem ser percebidos na falha da experiência compartilhada e na erosão da função simbólica, configurando uma geração do esquecimento. Lança mão de um caso clínico para confrontar sua hipótese e mostrar como o trabalho analítico caminha na contramão dessa tendência, favorecendo a apropriação da herança e a construção de uma narrativa.
Palavras-chave: transmissão psíquica, adolescência, psicanálise, contemporaneidade
Neste estudo teórico de natureza reflexiva, orientado pelo referencial psicanalítico, o autor examina os efeitos da inteligência artificial na constituição subjetiva da chamada geração pós-ia. Parte da hipótese de que a mediação algorítmica tende a interceptar formações do inconsciente (como lapsos, esquecimentos e sintomas), convertendo-as em falhas técnicas ou categorias diagnósticas. Com base em Sigmund Freud e Jacques Lacan, articulados a contribuições contemporâneas, discute o deslocamento do sujeito do inconsciente ao sujeito algorítmico, a oposição entre a ética do desejo e a lógica preditiva dos algoritmos e os riscos clínicos daí decorrentes. Sustenta que a antecipação algorítmica das respostas comprime o tempo da elaboração e reduz o espaço do não sabido, comprometendo as condições de leitura das formações do inconsciente. Em contrapartida, a psicanálise afirma a falta, o equívoco e a interpretação como operadores fundamentais da constituição do desejo.
Palavras-chave: inteligência artificial, desejo, formações do inconsciente, ética da
psicanálise, sujeito algorítmico
O autor parte de evidências recentes sobre o uso de agentes conversacionais
baseados em inteligência artificial voltados à psicoterapia, destacando um
achado paradoxal: embora esses sistemas reduzam sintomas psiquiátricos, parecem também diminuir a intenção dos usuários de buscar tratamento com profissionais humanos. A partir desse resultado, propõe deslocar o problema do plano da eficácia para o das condições simbólicas do vínculo e da alteridade. Em termos de percurso argumentativo, organiza o texto em três movimentos. No primeiro, discute esse achado à luz do conceito de miséria simbólica de Minerbo, propondo que a crescente procura por formas de interação ajustadas, previsíveis e permanentemente disponíveis pode ser compreendida como expressão de uma fragilização da mediação simbólica, diante da qual o sujeito mobiliza mecanismos compensatórios de relação. No segundo, aproxima essa discussão do funcionamento borderline da personalidade, no qual a instabilidade da identidade e a hipersensibilidade interpessoal tornam particularmente visível essa dinâmica. No terceiro, aborda o fenômeno das relações parassociais, entendidas como vínculos emocionalmente significativos estabelecidos com figuras públicas, personagens ficcionais ou agentes artificiais sem reciprocidade efetiva, propondo que a dimensão imaginativa da empatia, denominada fantasia, pode assumir uma função compensatória, favorecendo formas de relação mais previsíveis e controláveis. Conclui que as relações parassociais mediadas por inteligência artificial indicam uma reconfiguração contemporânea da experiência da alteridade, cujas implicações ultrapassam o campo tecnológico e alcançam os modos pelos quais o sujeito simboliza, transmite e compartilha sua experiência.
Palavras-chave: alteridade, fantasia, parassocialidade, borderline, inteligência
artificial
As autoras partem da notícia da morte de um adolescente por complicações
de h1n1, após seus sintomas terem sido prematuramente atribuídos a um
“excesso de tela”. A cena condensa um impasse contemporâneo: o tamponamento
do efeito polissêmico do significante por um sentido unívoco. Com base na ética
psicanalítica, interrogam a hipótese de que tela opere, no discurso atual, como
signo saturado pelas angústias dos adultos diante da juventude, do trabalho e do
futuro. Discutem ainda a tendência a imaginarmos futuros catastróficos e a fixação nostálgica nos “bons velhos tempos” como forma melancólica de recusar o trabalho de luto exigido pela transitoriedade do mundo. Propõem, por fim, que a transmissão entre gerações não sustente respostas prontas, mas permita reconhecer em si a falta, especialmente em sua dimensão de castração, para que a geração seguinte possa ascender como agente modificador da cultura.
Palavras-chave: psicanálise, abismo geracional, excesso de telas, transmissão entre gerações, realismo capitalista
A emergência do tranq dope (opioides ilícitos adulterados com xilazina)
tem sido descrita, sobretudo na América do Norte, como acontecimento biomédico. A autora desloca o foco: lê o tranq como operador político-clínico de visibilidade, no qual a droga não figura primariamente como índice de excesso, mas como signo de abandono, uma tecnologia do “deixar morrer”. Propõe uma leitura do corpo que passa do excitável ao residual: sedação prolongada, quedas, feridas e necroses como escrita material de um laço social rompido. Em chave psicanalítica, interroga o real do corpo quando o gozo se reorganiza como anestesia e o sujeito é reduzido à condição de resto. Ao final, delineia implicações para uma direção do tratamento em consonância com a redução de danos: sustentar endereçamento, luto e cuidado como contradispositivos frente ao abandono.
Palavras-chave: toxicomania, necropolítica, corpo, gozo, redução de danos
As autoras procuram problematizar o modo pelo qual a supervisão na
formação psicanalítica tem operado enquanto dispositivo de reprodução de hierarquias raciais, silenciando existências e sofrimentos psíquicos forjados pelo racismo, bem como oferecer pistas para pensar e sentir a supervisão enquanto dispositivo de implicação racial, capaz de produzir novos imaginários no campo psicanalítico. Trata-se de um ensaio teórico-clínico, cujas reflexões partem da escuta realizada no setting de supervisão com analistas-supervisionandas brancas e com analista- -supervisora branca ou negra. A supervisão, pensada e sentida enquanto dispositivo de implicação racial, pode ser compreendida como espaço privilegiado de Relação, em que a diferença não precisa ser anulada para que a clínica se sustente, e em que a opacidade deixa de ser ameaça para se tornar princípio ético.
Palavras-chave: supervisão, clínica psicanalítica, racismo, branquitude, formação
psicanalítica
Neste trabalho, os autores investigam as relações entre psicanálise, racismo
e colonialidade no contexto brasileiro, articulando a prática clínica aos efeitos
históricos e sociopolíticos que constituem o laço social. Partem da compreensão
de que o Brasil se estrutura a partir de um projeto colonial racista, cujos traços
mnêmicos permanecem influindo na cultura e incidem tanto sobre os analisantes
quanto sobre os analistas. Discutem como o racismo pode operar como resistência na clínica, manifestando-se na transferência e contratransferência, e levando ao desmentido do sofrimento sociopolítico. Problematizam discursos como neutralidade, democracia racial e críticas ao identitarismo, evidenciando seus efeitos na escuta analítica. Defendem a necessidade de uma clínica psicanalítica antirracista, que incorpore saberes afro-ameríndios e dialogue efetivamente com o contexto brasileiro. Por fim, propõem a ampliação do campo simbólico por meio de narrativas e mitologias não europeias, como forma de sustentar uma prática ética, situada e sensível à particularidade brasileira.
Palavras-chave: psicanálise, racismo, colonialidade, clínica antirracista, saberes
afro-ameríndios
Os autores analisam a violência de gênero a partir da noção de ideal masculino,
articulando um duplo abismo: geracional e epistêmico. Levantam a problemática
através de dados sobre o feminicídio e a cultura red pill para mostrar a circulação
silenciosa da violência entre gerações, inclusive no espaço doméstico. Em diálogo
com Veena Das, Sigmund Freud e Jurandir Freire Costa, questionam explicações
psicanalíticas que reduzem a violência ao horror à feminilidade ou à pulsão de morte, destacando que tais leituras mantêm a castração e a lógica fálica como universais, reinscrevendo o feminino como ameaça. Em oposição, propõem pensar a violência como ação intencional pela qual o sujeito tenta escapar à inibição diante do fracasso de um ideal do eu masculino, exigido pela racionalidade neoliberal. Deslocam o foco da discussão da violência da feminilidade para o sujeito que violenta e põem em xeque os pressupostos teóricos que sustentam a noção de feminilidade.
Palavras-chave: violência, psicanálise, masculinidade, fracasso, feminilidade
Partindo do gesto de Abdias Nascimento de nomear o genocídio negro brasileiro, o autor propõe o autoritarismo racializado (operador híbrido, antropológico e psicanalítico) para pensar a violência racial pós-colonial não como ruptura, mas como elemento fundacional. Diagnostica um curto-circuito geracional: o mito da democracia racial mascara um trauma não elaborado, impondo à negritude um Ideal do Eu colonizado e à branquitude uma amnésia defensiva. Propõe o conceito como gesto inicial de nomeação potencialmente capaz de fraturar essa repetição pela perlaboração analítica futura.
Palavras-chave: autoritarismo racializado, genocídio negro, transmissão intergeracional, transmissão transgeracional, democracia racial
A autora procura relacionar os conceitos de acontecimento (teoria da complexidade) e solidão essencial (Winnicott) a partir de uma perspectiva psicanalítica. Para isso, discute as noções de tempo, curiosidade, solidão essencial,
paradoxo e ruptura no campo psicanalítico na vigência do acontecimento.
Palavras-chave: acontecimento, solidão essencial, curiosidade, temporalidade,
paradoxo
O autor propõe pensar a branquitude, no contexto brasileiro, como uma
herança cuja transmissão fracassa em seu destino introjetivo. A partir de Ferenczi, discute a introjeção como processo de apropriação simbólica do que é transmitido pelo outro. Com Abraham e Torok, examina o destino psíquico daquilo que, embora transmitido, não pôde ser introjetado, destacando os conceitos de incorporação e cripta. Sustenta a hipótese de uma branquitude encriptada, transmitida entre gerações por silêncio, desmentido, negação e não nomeação, configurando uma falha transgeracional da simbolização da herança racial. Argumenta que essa modalidade de transmissão, articulada ao pacto narcísico da branquitude, produz efeitos psíquicos e sociais na manutenção do racismo.
Palavras-chave: branquitude, introjeção, incorporação, cripta, transmissão
Comentário
Cynara Cezar Kopittke
Comentário
Cidiane Vaz Melo
Pela primeira vez na história, a humanidade divide a produção de suas imagens com agentes não humanos via inteligência artificial. Essa inflexão reconfigura as disputas simbólicas sob duas frentes: a gestão ideológica por hierarquia, em que estruturas de poder controlam os fluxos culturais e domésticos, e a determinação técnica por enviesamento formal, que programa os limites invisíveis do concebível. Concomitantemente, a desterritorialização da virtualidade e os vínculos humanos com agentes sintéticos diluem conceitos de identidade tradicionais, estabelecendo uma simbiose inédita na qual apenas a parte humana segue vulnerável.
Palavras-chave: imaginário, inteligência artificial, gestão ideológica, enviesamento formal, identidade
Bion alerta que as predeterminações ao qualificar o paciente como “terminal”
e/ou “moribundo” saturam, com muros de preconceitos, usados como ferro, a mente do analista. O critério para analisar um paciente nasce da relação analítica. A cesura da morte é inevitável. Ela pode ser uma oportunidade para mudanças
catastróficas, com crescimento psíquico. O Ser e O podem ganhar fôlego nessa travessia. Um exemplo clínico ilustra o trabalho.
Palavras-chave: técnica psicanalítica, angústia de morte, câncer, luto
O autor está intrigado com o fato de que, em Freud, a angústia, em suas
diferentes modalidades, acabe convergindo para o que chama de angústia de castração, e o sexual polimorfo da vida sexual também acabe tendo que se haver, nos anos 1920, com um complexo de castração articulado a uma fase fálica. O complexo de castração é considerado uma produção coletiva, já que mobiliza intensamente diversos psicanalistas, que influenciam e são influenciados por Freud, e uns pelos outros, a partir de experiências clínicas diversas e pontos de vista bastante heterogêneos, durante mais de duas décadas. O autor apresenta uma amostra dessa diversidade e aponta os desdobramentos da questão do complexo de castração na geração seguinte, em particular nas contribuições de Lacan e Laplanche.
Palavras-chave: angústia, castração, metapsicologia, impasses, avanços
O autor propõe uma revisão do conceito de agressão a partir de uma revisão
dos fundamentos dos referenciais teóricos freudianos. Explora o conceito de
agressão com base na etologia e na etimologia, e propõe uma nova compreensão
de seu lugar na metapsicologia. Apoiando-se na reformulação da teoria pulsional
apresentada por Freud em 1920, o autor define a agressão como representante da
pulsão de morte, enquanto tendência de desligamento, tendo papel central na estruturação do aparelho psíquico. As revisões propostas apontam para a expansão
de uma clínica psicanalítica criativa.
Palavras-chave: pulsão de morte, agressão, Eu, clínica psicanalítica, segunda tópica
A autora examina as relações entre feminismo e psicanálise, destacando convergências e tensões históricas e teóricas. Partindo de uma escrita situada e da
parcialidade desejante, argumenta que a violência de gênero é estrutural e que a
psicanálise, embora tenha oferecido ferramentas para escutar o recalque, também
reproduziu aspectos do patriarcado.
Palavras‑chave: feminismo, psicanálise, patriarcado, trabalho reprodutivo, falo
não disponível