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Editorial 
Leopold Nosek
11
     
     
  Diálogo
Entrevista: José Goldemberg 15
     
Com os olhos abertos
[Comentário à entrevista]
Gley Pacheco Costa
29
   
Comentário à entrevista de José Goldemberg
Zelig Libermann
33
     
     
  Prêmios
Turbulência e crescimento: um encontro entre Ismália e Isaura
Gisèle de Mattos Brito
39
   
Frida Kahlo: a pintura como processo de busca de si mesmo
Gina Khafif Levinzon
49
   
A pessoa do analista: o novo/velho incômodo
José Carlos Calich, Alice Becker Lewkowicz, Carmem Emília Keidann,
Heloísa Cunha Tonetto, Magali Fischer, Regina Pereira Klarmann
61
     
O pequeno Hans discutido e sentido entre o passado e presente
Celso Gutfreind
69
     
O que representa representação?
Josênia Maria Heck Munhoz
77
     
     
  Congresso Internacional  
Transformações em sonho e personagens no campo analítico
Antonino Ferro
89
   
Apreender a prática dos psicanalistas em seus próprios méritos
Juan Pablo Jiménez
109
     
Problemas do aprendizado na comunidade psicanalítica: narcisismo e curiosidade
Warren S. Poland
125
     
O infinito e o corpo: notas para uma teoria da genitalidade
Leopold Nosek
139
     
     
  Artigos  
Pulsão, com pulsão, compulsão
Cláudio Laks Eizirik
161
     
Enactment: modelo para pensar o processo psicanalítico
Nelson José N azaré Rocha
171
     
A civilização do mal-estar pela não-felicidade
Odilon de Mello Franco Filho
181
     
   
  Resenhas
A herança psíquica na clínica psicanalítica
Maria Cecília Pereira da Silva
Maria Lúcia Castilho Romera

195
     
Rediscovering Psychoanalysis. Thinking and Dreaming, Learning and Forgetting
Thomas H. Ogden
Maria Stela de Godoy Moreira
197
     
   
Lançamentos
203
     
Orientação aos colaboradores
205

 

Editorial
Leopold Nosek


Herdeiros que somos da obra de Freud, sempre nos movimentaremos em espaço de dupla cidadania. Por um lado nos moveremos no interior de uma herança iluminista; pretenderemos a construção de um conhecimento positivo que nos propicie um maior domínio da natureza. Tenderemos a procurar a luz, a clareza que nos trará a confiança no espírito humano e o orgulho de sermos racionais. Estaremos procurando a companhia de nossos pares produtores de conhecimento, desejando seu reconhecimento apesar de, inevitavelmente, sermos observados com desconfiança. Há, em nossa ciência, sempre algo de incômodo. Ao mesmo tempo disruptiva e fascinante e, por que não dizer, muitas vezes determinando ódios aparentemente incompreensíveis. Qual disciplina de conhecimento produz tão abundante bibliografia contrária? N ão vemos isto acontecer com outros modos de conhecimento.

Por outro lado, somos herdeiros de algo novo, resgatamos da esfera da superstição e da magia a disciplina dos sonhos. Sobre este território nos debruçamos e dele surge este peculiar objeto de escrutínio: o inconsciente. Acompanhado de seu cortejo: pulsões, sexualidade, recalque, transferência e tantos outros, seu reino não será da claridade ou da luz. Como dizia Freud a respeito dos sonhos “… eles desaparecem diante das impressões de um novo dia como as estrelas diante da luz do sol”. São inúmeras as configurações técnicas que propõem qualidades negativas para a prática da psicanálise. Freud, em seu livro sobre parapraxias, dizia que o leitor deveria se aproximar de seus escritos munido de atenção flutuante; em outro momento dizia que o leitor se comportaria como o neurótico, e que inevitavelmente se aproximaria do texto com resistência.

Com o surgimento da psicanálise a tradição está posta em questão. N ão haverá área
do saber que não enfrentará desafios novos com a entrada em cena do desvendamento desse território que é o inconsciente. Assim será com a filosofia, com a epistemologia, com a crítica estética, a pedagogia e tantas outras. Com isto sua presença será inevitável no debate contemporâneo, com o qual buscamos enfrentar os novos tempos. Ao mesmo tempo uma terapia e uma visão do homem não poderão se furtar de intervir em ambos os campos.

Temos inúmeras questões para uma editoria.

Qual direção devemos privilegiar?

Devemos destacar seu caráter científico? Se assim for, com qual ideia de ciência trabalharemos? Como focar a ideia nova acerca do conhecimento que a psicanálise propõe?

Se privilegiarmos a percepção e a realização dos conceitos, qual será o estilo dos nossos escritos?

Eles deverão ter como modelo os escritos de outras ciências ou o modelo da forma ensaio, como são os escritos de Freud?

Teremos lugar para breves reflexões e vinhetas clínicas, como são muitos dos escritos
de Ferenczi? Devemos participar das reflexões, das perplexidades e soluções que nossaépoca nos propõe?

Estas questões tornam-se ainda mais urgentes se, como é o nosso caso, muito teríamos a ganhar com boas classificações das agências oficiais de regulação científica e de agentes patrocinadores que nem sempre compreendem as especificidades de uma publicação psicanalítica. Deveremos nos submeter a esses critérios ou intervir junto a essas agências de modo a nos fazer entender?

Além disso, nossa Revista tem um caráter institucional, pertence à FEBRAPSI e, portanto terá que acolher as reivindicações do seu grupo como um todo. Aqui vale recordar que a Revista foi doada à federação pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo SBPSP, com a ressalva de manter o direito de apontar seu editor. Constatamos com isto que, apesar de nossos esforços, permanece certo “sotaque” paulista. Com a finalidade de aprimorar seu caráter federado estamos organizando números temáticos com editoria dos colegas editores associados pertencentes a outras sociedades. Esta foi uma resolução aprovada em reunião do último Congresso Brasileiro. Já estão encaminhadas propostas dos colegas Miguel Calmon du Pin e Almeida da SBPRJ e Gley Silva de Pacheco da SBPdePA. Insistimos que outros editores regionais também participem.

Temos ensaiado propostas provisórias que estão no corpo da Revista, mas muito teremos a ganhar com sugestões de nossos leitores, autores e sociedades federadas, pois estes são a razão de ser desta Revista.

Leopold Nosek
SP, junho 2009

 

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Comentário à entrevista de Boris Schnaiderman
Gley Pacheco Costa, Porto Alegre

 

Resumo: O autor, a partir de uma referência histórica e de fragmentos da entrevista com o físico José Goldemberg à Revista Brasileira de Psicanálise, tece alguns comentários a propósito da teoria pulsional de Freud, com ênfase nas pulsões de ver e saber, concluindo com uma observação a respeito do trabalho de preservação da vida desenvolvido pelo entrevistado.
Palavras-chave: pulsões; pulsão de saber; pulsão de ver; guerra nuclear; sobrevivência.

 

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Comentário à entrevista de José Goldemberg
Zelig Libermann, Porto Alegre


Resumo: Na entrevista realizada, o professor José Goldemberg relata muitas de suas vivências e de sua participação em momentos importantes da história do país. Dentre esses relatos, o autor destaca depoimentos do professor Goldemberg sobre sua vida estudantil, com o objetivo de analisar, de forma sucinta, algumas características psíquicas presentes na relação professor-aluno na atualidade. Ao propor essa temática, busca-se ressaltar a importância da relação afetiva, do vínculo entre mestres e estudantes como facilitadores da introjeção de modelos de identificação.
Palavras-chave: psicanálise; desenvolvimento psíquico; representação; defesas narcisistas; vínculo.

 

 

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Turbulência e crescimento:
um encontro entre Ismália e Isaura

Gisèle de Mattos Brito, Belo Horizonte


Resumo: Este é um trabalho clínico que fala de um encontro vivo entre a “loucura” e a “sanidade”, ou melhor, entre a parte psicótica e não psicótica de nossa personalidade (Bion, 1957). Entre a busca de conhecer (K) e do não conhecer (-K) como apresentadas por Bion (1962, 1963) e sua extensão para as transformações de K–>O (Bion, 1965). São apresentados vários fragmentos de diferentes momentos da análise, em que é possível verificarmos como paciente e analista vão tecendo um continente para conter o objeto analítico. A loucura/Ismália, ou seja, as atuações decorrentes de uma tentativa de fuga da dor mental e sentimentos de responsabilidade, assim como a criação de um mundo alucinatório, ganham expressão verbal na relação analítica. Por outro lado, a sanidade/Isaura, entendido como o contato lúcido com self e objeto é também revelado e expresso.
Palavras-chave: loucura, sanidade, parte psicótica e não psicótica, crescimento, turbulência, transformações em alucinose, conhecer e não conhecer.

 

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Frida Kahlo:
a pintura como processo de busca de si mesmo

Gina Khafif Levinzon, São Paulo


Resumo: A partir do estudo da vida e da obra da pintora Frida Kahlo, este trabalho propõe reflexões sobre a natureza das forças que impeliam a artista a retratar seus estados emocionais de forma pungente. As falhas na maternagem e suas consequências são examinadas na relação que Frida tinha com seu corpo, seus relacionamentos afetivos e sua feminilidade. Seus autorretratos criavam uma função especular restituidora, e sua arte denotava um intenso processo de busca de integração e de encontro consigo mesma.
Palavras-chave: Frida Kahlo; a arte como cura; compulsão; espelho.

 

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A pessoa do analista: o novo/velho incômodo
Reflexões a partir da “Teoria da sedução generalizada”,
de Jean Laplanche

José Carlos Calich, Alice Becker Lewkowicz, Carmem Emília Keidann, Heloísa
Cunha Tonetto, Magali Fischer, Regina Pereira Klarmann, Porto Alegre

 

Resumo: Os autores propõem uma reflexão sobre a situação de análise, valendo-se do pensamento de Laplanche a respeito da “Teoria da sedução generalizada”. N esta, a neutralidade é vista como um conceito a ser revisado, considerando o papel fudamental do recusamento do analista frente a suas próprias demandas e às do paciente, como um instrumento técnico que possibilita o trabalho de tradução das mensagens enigmáticas. Reconhecem a complexidade do tema, uma vez que o analista se vê imerso em suas mensagens enigmáticas que ele também não traduziu e interferem em seu trabalho. Apresentam um material clínico que ilustra o questionamento da transferência em pleno e em oco, sendo esta a possibilidade de abrir o inusitado, ainda não pensado e por isto levar a uma situação de incômodo ao analista, concomitante ao favorecimento de novas traduções que contribuem para a expansão do inconsciente e o crescimento psíquico.
Palavras chaves: recusamento; transferência; pessoa do analista; situação de análise; neutralidade.

 

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O Pequeno Hans discutido e sentido entre o passado e presente
Celso Gutfreind, Porto Alegre

Resumo: Neste trabalho, o autor se propõe a revisar a discussão de Freud em seu clássico caso do Pequeno Hans. O objetivo é revisar as principais ideias de Freud, refletindo sobre o que conservam de atual no modelo psicanalítico de atendimento a crianças. Depois de um percurso reflexivo nesse sentido, a conclusão é de que Freud, com o Pequeno Hans, abriu espaço para a compreensão do mundo infantil e, descontadas algumas diferenças técnicas, muitas de suas ideias seguem atuais e consistentes.
Palavras-chave: pequeno Hans; psicanálise; psicanálise infantil; história da psicanálise.

 

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O que representa representação?
Josênia Maria Heck Munhoz, Porto Alegre


Resumo: A autora busca compreender o conceito de representação na obra de Freud, buscando também o auxílio de outros autores como Green, Hanns, Garcia-Rosa, Laplanche & Pontalis e Valls. Entendese que representação é um conceito complexo e extremamente articulado, que une no interior de sua definição, a pura metapsicologia freudiana relacionada com as pulsões e os afetos. Assim, representação representa um fenômeno, cuja função está ligada à estruturação do aparelho psíquico e da mente, tanto inconsciente como consciente, abarcando os três pontos de vista da teoria psicanalítica: o topográfico, o econômico e o dinâmico.
Palavras-chave: Representação; pulsão; aparelho psíquico.

 


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Transformações em sonho e personagens no campo analítico
Antonino Ferro, Pavia

Resumo: Partindo da clínica e da técnica, o autor mostra o curso de uma análise focado nos conteúdos para uma análise interessada essencialmente no desenvolvimento dos instrumentos para sonhar, sentir e pensar. A transformação em sonho da comunicação do paciente assim como o desenvolvimento da capacidade de consonância são considerados essenciais para tal desenvolvimento.
Palavras-chave: personagem; modelo; campo psicanalítico; transformações, transformações em sonhos.

 

 

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Apreender a prática dos psicanalistas
em seus próprios méritos

Juan Pablo Jiménez, Santiago

Resumo: Não se pode estudar as convergências e divergências, na clínica psicanalítica, sem se saber o que os psicanalistas realmente fazem em sua prática. É esboçada uma fenomenologia da prática clínica e dos processos de validação das intervenções; são propostas metodologias para estudar a prática em seus próprios méritos.
Palavras-chave: pluralismo, validação clínica, fenomenologia psicanalítica, prática psicanalítica.

 

 

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Problemas do aprendizado na comunidade
psicanalítica: narcisismo e curiosidade

Warren S. Poland, Washington


Resumo: Apesar da sensibilidade para ouvir pacientes, analistas não obtiveram bom desempenho ao ouvir e falar com colegas de maneira realmente aberta. Fatores importantes são destacados nesta interação entre forças direcionadas do narcisismo em si próprio e forças externalizadas de curiosidade.
Algumas limitações de comunicação inerentes à mente humana foram incluídos no exame de problemas de comunicação entre colegas de profissão. Limitações como a necessidade de abstrair aspectos da experiência para focar atenção e a tendência mental de pensar por categorias. Outras limitações são derivadas da psicologia individual (como a vulnerabilidade da autoestima) e aquelas relacionadas a dinâmicas de grupo (como a adaptação às novas ideias e os problemas que elas causam, paroquialismo e o desenvolvimento de escolas radicais e a competitividade entre as escolas). A contribuição das influências culturais e da multiplicação do uso de determinada linguagem também foi ressaltada. O sentido principal da pequenez na estranheza do universo e a presença de outros em uma corrente natural.
Palavras-chave: comunicação entre colegas de profissão; curiosidade; pensamento dualístico; insularidade; narcisismo; ideias abertas; paroquialismo; problemas de linguagem; escolas radicais; aprendizado recíproco; competição científica; estranheza da alteridade.

 

 

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O infinito e o corpo:
notas para uma teoria da genitalidade

Leopold Nosek, São Paulo


Resumo: Depois de uma cirurgia em que extrai o útero, os ovários e as trompas, uma paciente se questiona: para onde vão os produtos do sexo, agora que sua vagina se tornou um “saco de fundo cego”? A pergunta leva o autor a rever o conceito de genitalidade e a propor uma nova articulação entre a singularidade absoluta de cada gesto psicanalítico e a universalidade do que ele chama “anseio metapsicológico”.
A argumentação se apoia na noção de infinito pensada por Levinas: o infinito é um peculiar objeto de investigação, pois, se puder ser abarcado por um conceito, deixa de existir. A alteridade radical do inconsciente impõe a analogia: também ele traumatiza seu conceito. Com essa equiparação, a teoria e a clínica psicanalíticas são vinculadas a uma ética derivada não do conhecimento positivo, mas da recepção do outro em seu direito próprio – torno-me refém do infinito, permito que o outro me traumatize. Configura-se aí uma noção de conhecimento em que a ética precede a ontologia. A construção de sentido se dará na conjunção entre a atenção flutuante – essa permanente disposição ao traumatismo – e a associação livre – uma disposição a ser como não se pode ser em nenhum outro lugar. Enquanto busco apreender a alteridade, ela busca ser apreendida por mim e em mim; ela busca em mim o conceito de si. Isso corresponde à realização da ideia de infinito no finito. Podemos chamá-la de desejo – um desejo que se atira no infinito percorrendo o trajeto do trauma, o caminho sem passado, sem memória. A construção de sentido estará aqui sob a égide do genital, o único modo da sexualidade em que o desejo não abarca a alteridade.
Palavras-chave: clínica; construção de sentido; ética; genitalidade; infinito; metapsicologia; trauma.

 

 

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Pulsão, com pulsão, compulsão
Cláudio Laks Eizirik, Porto Alegre


Resumo: O autor revisa os conceitos de pulsão e de compulsão à repetição, e examina de uma perspectiva metapsicológica, de uma perspectiva clínica e de uma perspectiva institucional as possibilidades do predomínio da compulsão à repetição ou dos movimentos com pulsão. Destaca, nos três âmbitos, o contraste entre as tendências a uma repetição monótona e compulsória e os movimentos renovadores e criativos que podem contribuir para a vitalidade da psicanálise.
Palavras chave: pulsão; compulsão à repetição; psicanálise contemporânea.

 

 

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Enactment: modelo para
pensar o processo psicanalítico

Nelson José Nazaré Rocha, Campinas



Resumo: A partir de uma breve revisão bibliográfica, o autor inicia o artigo descrevendo e discutindo o conceito de enactment, e a maneira como ele define este e outros termos. Seguindo a diferenciação proposta por Jacobs entre enactments abertos e fechados, o autor apresenta um curto exemplo clínico do primeiro e uma situação clínica mais complexa para ilustrar o segundo tipo.
Em seguida, usando a última ilustração, o autor examina a importância do conceito na sua aplicação clínica, discutindo ainda a sua validade como um instrumento para a compreensão e para o trabalho com os fenômenos clínicos, e em suas diferenças relacionadas aos conceitos de acting out e identificação e contraidentificação projetivas.
O autor conclui, defendendo o uso desse conceito como um modelo – no sentido em que foi usado por Bion: como um instrumento para pensar, que deve ser abandonado após o uso – para auxiliar a descrever e a pensar sobre a situação analítica.
Palavras-chave: enactment; acting out; identificação projetiva; contraidentificação projetiva; adolescente borderline.

 

 

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A civilização do mal-estar
pela não-felicidade

Odilon de Mello Franco Filho, São Paulo


Resumo: O tema deste trabalho é a Felicidade. Tema abordado diretamente por Freud, mas que, na atualidade, parece ter desaparecido da literatura psicanalítica e das preocupações dos pensadores em geral. A questão da Felicidade tem correspondido a noções diferentes através dos tempos e reflete a cultura vigente em cada época. O presente trabalho é iniciado com um rastreamento das várias visões que a cultura nos tem legado sobre o tema, da Grécia antiga até os nossos tempos. N a contemporaneidade, a ideia de Felicidade é marcada por noções hedonistas que consideram que o desconforto, o sofrimento, devem ser banidos em nome de uma Felicidade a ser alcançada a qualquer preço. Sofremos porque não conseguimos ser felizes de acordo com o que se propaga ser a verdadeira felicidade. O que antes era um projeto do Id, hoje se torna um projeto do Superego. Como decorrência, surgem esforços para engajar a psicanálise na luta pela ausência do sofrimento. Uma proposta hedonista de trabalho se oferece como desafio para o método psicanalítico. Corre-se, então, o risco de desnaturar a psicanálise e transformá-la num objeto de consumo para alcançar uma Felicidade utópica baseada na analgesia.
Palavras-chave: felicidade; psicanálise e cultura; hedonismo; contemporaneidade; cura.

 

 

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