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Editorial 
Leopold Nosek
11
   
   
  Diálogo
Entrevista: Paulo Nogueira-Neto
15
     

Nada é insignificante, nada é desprezível
[Comentário à entrevista de Paulo Nogueira-Neto]
Claudio Rossi

25
     
O psicanalista e a natureza (humana)
[Comentário à entrevista de Paulo Nogueira-Neto]
Maria Bernadete Amêndola Contart de Assis
30
     
     
  Artigos  

A responsabilidade ética na transmissão da psicanálise
Ruggero Levy

39
     

Abordagem clínica na psicanálise contemporânea com enfoque em caso de anorexia masculina
Cássia A. N. B. Bruno

53
     

A tortuosa trajetória do corpo na psicanálise
Flávio Carvalho Ferraz

66
     

A problemática do falso self em pacientes de tipo borderline: revisitando Winnicott
Alfredo Naffah Neto

77
     

Amor primitivo, amor verdadeiro
Alda Regina Dorneles Oliveira

89
     
Experiência estética: na sala de análise e no cinema
Cíntia Buschinelli
103
     
Psicanálise relacional contemporânea: uma nova maneira de trabalhar em psicanálise
Pedro Gomes
113
     
Tópicos sobre a psicanálise na América Latina: uma conversa com Enrique Nuñez Jasso
124
     
     
  Intercâmbio  
Compulsão à repetição e o princípio de prazer
André Green
133
     
A “inversão de papéis” e o âmbito dos fatores curativos
Franco Borgogno
142
     
     
 

Resenhas de livros

 
Um monge no divã
David Léo Levisky
Antonio Muniz de Rezende
155
     

Falar de amor à beira do abismo
Boris Cyrulnik
Josette Czerny

162
     

Posições tardias: Contribuições ao estudo do segundo ano de vida
Oswaldo di Loreto
Maria Thereza de Barros França

166
     
   
Lançamentos
171
     
Pareceristas RBP 41 · 2007
174
   
Orientação aos colaboradores   
179

 

Editorial
Leopold Nosek


     A metáfora da ecologia

     Por que uma revista psicanalítica estaria se propondo discutir a questão ecológica? Não seria indevido nos debruçarmos sobre problemas característicos de outras disciplinas e, no caso, tão incongruente com as preocupações e projetos da psicanálise? Não estaríamos abandonando nosso território próprio, a “realidade psíquica”?
     Em primeiro lugar, faz parte do projeto editorial atual da Revista o debate com outros modos de pensar, outras disciplinas, outros campos do saber. Acreditamos que, diante das transformações vertiginosas do mundo atual, temos de fazer face a desafios novos, encontrar respostas que não temos. Muitas vezes, nem sequer sabemos formular as perguntas necessárias. O difícil não é descobrir a solução, mas montar a equação: definir as constantes e as variáveis e, assim, encontrar as incógnitas. Temos muito a nos fertilizar com as reflexões propostas por outras áreas. Podemos inclusive enriquecer nosso universo metafórico – é nesse território que estão as novas realizações, que precisam ser construídas a cada passo da existência.
     A repetição de metáforas não só configura um mau gosto poético, como põe a perder uma característica dos sonhos: a de não tolerar repetições a não ser sob a égide da morte do psíquico, sob a égide do traumático, sendo portanto de baixa utilidade para pensar e para existir. Sem dúvida, a psicanálise tem muito o que trazer ao debate atual, mas devemos esperar, ter a humildade de aguardar que nos perguntem para ouvirmos e fazermos parceria com outras linguagens. Assim vem ocorrendo a cada número da Revista.
     Sabemos, através da nossa clínica, que o saber se constrói em pares. Assim, é como a fertilidade, e eis aí outra razão para que, à parte os textos que se originam no interior da psicanálise, apresentemos uma entrevista com o portador de um outro conhecimento e o comentário de dois analistas convidados, num rodízio que respeita a presença das sociedades integrantes da Federação Brasileira de Psicanálise.
     Freud, num trecho sempre citado do seu texto “O ego e o id”, afirmava que o caráter do ego era um precipitado de catexias objetais abandonadas. Sem que nos embrenhemos nas discussões acerca das traduções de sua escrita, o que isso quer dizer? O ser, o mundo interno, é habitado, povoado por primitivas relações que já não existem. Carrega a marca de uma história, uma existência de amores e paixões que sofreram o destino de sua efemeridade, de sua morte. As maiores paixões ocorrem na infância, pois o corpo e sua circunstância, seu habitat, têm menos trajetos já percorridos no mundo interno e, assim, suas marcas se fixam com maior intensidade. Cada experiência é radical, pois as pulsões se apresentam num psiquismo sem patrimônio que as atenue. Paixões que, além disso, terão como destino obrigatório uma perda. Como sobreviver?
     Aprendemos, também com Freud, que não existe no inconsciente a morte. Assim, só podemos abandonar nossos amores incluindo-os no mundo interno. Este se torna um território povoado por desejos e modos de relação que continuam vivos, trazendo consolo, conflitos entre si, modos de solução que configuram o nosso “jeito”. Essa sociedade virtual plena de fantasmas tende a ser o modo como faremos face aos novos momentos que temos diante de nós. Se, de um lado, torna preconceituosas as respostas que damos perante novas situações, de outro sua ausência torna o novo impossível, pois seríamos ofuscados pelo brilho da realidade e estaríamos então no território do traumático.
     Entre a presença da tradição da cerimônia preexistente e sua ausência tornada realidade, não teremos alternativa a não ser oscilar do mundo das memórias, área da neurose, e sua ausência, área do traumático. Nesse caminho, às vezes toparemos com alguma criatividade, alguma nova solução, alguma realidade. Essa população interior tem um equilíbrio, relações de poder e hegemonia – uma política, portanto. E, para a nossa metáfora de hoje, uma ecologia.
     A maneira como pensamos essas questões tem a marca da nossa época. Não faz tanto tempo assim, a natureza era vista como o inimigo a ser derrotado pela cultura. As cidades eram construídas longe do mar, e as florestas, cena de habitação das feras e dos selvagens, tinham de ser substituídas por construções humanas, seres supremos da criação. Hoje há outra percepção que todos compartilhamos, mesmo que a origem dos desequilíbrios e sua solução não sejam assim tão consensuais.
     Podemos pensar que o mesmo ocorre com nosso pensamento e nossa prática clínica. Se, de um lado, é legítimo nos preocuparmos com a finitude e a carência de recursos hídricos no planeta, de outro seria desejável considerar que também não temos reservas indefinidas de tempo. Torna-se essencial, portanto, a reflexão acerca do melhor uso desse recurso, mesmo que isso nos coloque diante da indesejável angústia de pensar o caráter efêmero da vida.
     Se com Freud aprendemos que possuímos todos os mesmos componentes de ser dos nossos pacientes, a visão terapêutica com definições de saúde e patologia tem cada vez menos sustentação. Autores como Searles afirmam que o analista não poderia estar com seus pacientes não fora ele mesmo, de alguma forma, um borderline. Não teria a permeabilidade para a tarefa. Tornamo-nos terapeutas tendo sido pacientes e, poderíamos dizer, continuando a ser pacientes. A agressão merece sua existência, pois sem ela não teríamos defesas. A pulsão de morte faz parte do viver, pois sem a desconstrução de qualidades psíquicas não teríamos a possibilidade de construir o novo. A onipotência é componente da ilusão criativa, e assim por diante.
     O que se põe radicalmente diante de nós é a questão da alteridade e a impossibilidade final de sua apropriação. Ela propõe o esgarçamento dos nossos conceitos, ela ultrapassa nossos saberes, ela nos traumatiza em nossa clínica. Esse infinito pressupõe uma nova ética: a da bondade de permitir a existência do outro. Em vez da experiência de conhecer, a permissão de existir. Em vez da possessão, a acolhida e a hospitalidade ao estranho, ao outro.
     Na nossa prática, o convívio com o mistério – aí nosso projeto editorial, nossa busca de fertilidade. Nossa prática limitada terá como cenário a vastidão dos espaços que nos assombram e que devemos comemorar. E vamos, enfim, à nossa Revista possível.

L. N.
São Paulo, fevereiro de 2008

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Paulo Nogueira-Neto

Paulo Nogueira-Neto, paulistano nascido em 1922, desenvolveu sua trajetória acadêmica na Universidade de São Paulo; graduou-se em ciências jurídicas e sociais (1945) e em história natural (1958), possui doutorado em zoologia (1963) e é professor titular emérito de ecologia geral no Instituto de Biociências. Foi o primeiro secretário da sema/Secretaria Especial do Meio Ambiente (1974-1986), depois transformada em ministério. Foi membro da Comissão Brundtland para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (onu), presidente do Conama/Conselho Nacional do Meio Ambiente, presidente do Conselho de Administração da Cetesb/Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo e presidente da Ademasp/Associação de Defesa do Meio Ambiente, a mais antiga entidade de defesa do meio ambiente do país. Foi também presidente da Fundação Florestal e vice-presidente da sos Mata Atlântica.*

*  Entrevista realizada na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo em 30 de outubro de 2007, com a participação de Inês Zulema Sucar, Maria Ângela Moretzsohn, Maria Aparecida Nicoletti e Thaís Blucher.

 

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Nada é insignificante, nada é desprezível
Comentário à entrevista de Paulo Nogueira-Neto
Cláudio Rossi


Resumo: A entrevista de Paulo Nogueira-Neto é estimulante, mas nos inquieta. Provocou muitas reflexões a respeito do nosso trabalho, e encontramos diversos aspectos em comum com o dele. Identificamo-nos com suas preocupações e com sua ação – ele no macrocosmo, nós no micro –, mas poderíamos, talvez, fazer um pouco mais? Poderíamos multiplicar nossa ação e atingir mais pessoas? De que maneira isso poderia ser feito?
Palavras-chave: ecologia; educação; técnica; política; atenção flutuante; neutralidade; integração; macrocosmos; microcosmos.

 

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O psicanalista e a natureza (humana)
Comentário à entrevista de Paulo Nogueira-Neto
Maria Bernadete Amêndola Contart de Assis

Resumo: A entrevista de Paulo Nogueira Neto suscitou na autora algumas associações: a natureza como fonte de figurações para continência da experiência humana; a arrogância do homem quando cria ilusões de poder e domínio sobre a natureza; a preservação/devastação no âmbito do funcionamento mental; a diversidade e simultaneidade de fatores atuantes na constituição de uma resultante, presentes nos estudos do meio ambiente e também nos estudos sobre a mente e as relações humanas.
Palavras-chave: continência; representação; preservação/devastação mental; arrogância; simultaneidade/linearidade.


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A responsabilidade ética na transmissão da psicanálise
Ruggero Levy

Resumo: O autor faz uma reflexão a respeito da transmissão da psicanálise, enfocando a questão da análise didática. Propõe que a análise pessoal do futuro analista seja chamada de análise de formação ou simplesmente análise pessoal do candidato, como consta nos estatutos da IPA. Adota-se como princípio ordenador do artigo a tese de que há uma invariante em todos os modelos de formação: a preocupação com a qualidade da análise do futuro analista. É salientada a responsabilidade ética dos institutos na formação de analistas qualificados, especialmente zelando em garantir acesso a analistas que se acredita capazes de propiciar processos analíticos consistentes, ou avaliando se já passaram por um processo dessa natureza. Entende-se que é esta experiência de análise pessoal o principal pilar de construção da identidade psicanalítica.
Palavras-chave: análise didática; formação psicanalítica; transmissão da psicanálise.

 

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Abordagem clínica na psicanálise contemporânea com enfoque em caso de anorexia masculina
Cássia A. N. B. Bruno

Resumo: A anorexia masculina é um ótimo exemplo de patologia contemporânea e permite ilustrar as indagações que se colocam ao analista frente a esses pacientes. Basicamente, a reflexão privilegia estas perguntas: de que lugar fala o analista? Qual é sua metodologia básica? Qual é sua técnica? Quais os pré-requisitos para se colocar no lugar de analista? A proposta aqui é formalizar a postura teórica que fundamenta a abordagem dos casos ditos de patologia narcísica.
Palavras-chave: psicanálise contemporânea; patologias narcísicas; distúrbio alimentar; anorexia; anorexia masculina; metodologia psicanalítica.

 

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A tortuosa trajetória do corpo na psicanálise
Flávio Carvalho Ferraz

Resumo: O trabalho trata do estatuto do corpo em psicanálise, partindo do conceito de neurose atual e procurando analisar as razões pelas quais Freud o foi deixando de lado. A seguir, com base em idéias de autores pós-freudianos ligados à escola francesa de psicossomática, são propostas articulações entre as neuroses atuais e os conceitos freudianos de trauma e pulsão de morte. Por fim, examina-se o aproveitamento clínico dessa proposta. Grosso modo, defende-se a idéia de que o corpo, em psicanálise, é essencialmente um “resto”, e que tal “resto” é simultaneamente resto da teoria – aquilo que foi, em determinado momento, abandonado como objeto psicanalítico – e “resto” do sujeito psíquico em sua ontogênese, ou seja, o seu patrimônio genético herdado, que fica aquém da formação de um sujeito psíquico fundado na linguagem (logo, marcado pela simbolização) e cujo funcionamento obedece aos esquemas filogenéticos ainda não singularizados. Retoma-se, assim, a distinção entre corpo somático e corpo erógeno, marcada pela ação do apoio (Anlehnung) ou da subversão libidinal, conforme terminologia de C. Dejours.
Palavras-chave: corpo; neuroses atuais; psicossomática.

 

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A problemática do falso self em pacientes de tipo borderline: revisitando Winnicott
Alfredo Naffah Neto

Resumo: O presente artigo articula a teoria winnicottiana do falso self cindido à experiência clínica do autor com pacientes de tipo borderline. Desse encontro nasce uma proposta teórica de distinção de dois subtipos de borderline: a personalidade esquizóide e a personalidade como se”.A partir da descrição da sintomatologia dos quadros, o autor propõe diferentes etiologias para as patologias em questão e descreve sua singularidade nas modalidades transferenciais do trabalho psicanalítico.
Palavras-chave: borderline;esquizóide; “como se”; etiologia; modalidade transferencial.

 

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Amor primitivo, amor verdadeiro
Alda Regina Dorneles Oliveira

Resumo: Inspirada nas idéias de Bion a respeito do ser – a realidade última, algo que não é um fenômeno mental e que o autor representa na escrita pelo símbolo O –, a autora propõe que, no início da vida, os seres humanos são amor e no desenrolar do ciclo vital poderão desenvolver a capacidade de amar. Reflete sobre essa capacidade, bem como sobre aquelas de depender e de perder, observando duas formas básicas de amar e denominando-as respectivamente forma primitiva e forma verdadeira. Discute essas duas modalidades e a capacidade de amar em suas origens valendo-se das concepções teóricas de Bion, Meltzer e Winnicott. O tema é ilustrado com os filmes Sylvia: Paixão além das palavras, de Christine Jeffs, e Mar adentro, de Alejandro Amenábar. A autora estabelece ainda uma relação com o trabalho analítico, principalmente em seu término, quando analista e paciente necessitam elaborar o encerramento dos encontros reais, e finaliza citando um diálogo sobre o amor entre Rosemery e P. A., personagens criados por Bion em Memórias del futuro: El pasado hecho presente.
Palavras-chave: formas de amar; amor primitivo; amor verdadeiro; capacidade de amar; processo analítico.

 

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Experiência estética: na sala de análise e no cinema
Cíntia Buschinelli

Resumo: A finalidade deste trabalho é examinar como Bion – psicanalista que propõe uma teoria sobre o pensar – e Aleksander Sokúrov – o “cineasta-pintor”, que instaura um cinema de observação baseado na semântica das imagens – podem se aproximar. A aproximação se dará no modo de abordagem do mundo mental em Bion, assim como das imagens em Sokúrov. Nesse sentido, a experiência emocional do espectador das imagens-tela de Sokúrov estará em destaque, tanto quanto a experiência emocional do analista imerso no contato com seu paciente. O ponto em comum é a experiência estética, seja ela vivida pelo espectador das imagens cinematográficas, seja ela vivida no encontro entre analista e paciente.
Palavras-chave: capacidade negativa; experiência estética; imagens cinematográficas; encontro analista-paciente.

 

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Psicanálise relacional contemporânea: uma nova maneira de trabalhar em psicanálise
Pedro Gomes

Resumo: O autor apresenta um resumo histórico sobre a psicologia psicanalítica do self, de Heinz Kohut, e do aparecimento da concepção relacional de Stephan Mitchell e Jay Greenberg na psicanálise norte-americana dos anos 80, que, junto às concepções intersubjetivistas, especialmente as de Robert Storolow e seus colaboradores, levaram-na a outro patamar conceitual, firmando um novo paradigma. O artigo menciona as diversas correntes teóricas dentro desse novo conceito de correlacionalidade, estabelecendo semelhanças e divergências entre elas, enfatizando sobretudo as diferenças quanto à escuta psicanalítica e considerando as vantagens e desvantagens de cada corrente.
Palavras-chave: relacionalidade; contextualismo; subjetividade.

 

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Compulsão à repetição e o princípio de prazer
André Green

Resumo: O autor procura demonstrar que a compulsão à repetição pode ser também encontrada em material distante da atuação. Salienta, em exemplo clínico, a qualidade alucinatória do ato de relembrar como efeito da negação, e não da repressão. Complementa ainda os conceitos de ligação e desligamento, relativos ao princípio de prazer-desprazer, enfatizando a importância da perda de significado do conteúdo do objeto, com ou sem atuação.
Palavras-chave: compulsão à repetição; negação; ligação; desligamento; perda de significado.

 

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A “inversão de papéis” e o âmbito dos fatores curativos
Franco Borgogno

Resumo: Num âmbito clínico-histórico em que se destaca o freqüentemente conflituoso binômio encenação da cura/cura pela fala, o autor focaliza a inversão de papéis, processo inter/intrapsíquico primitivo que, embora ocupe o primeiro plano na prática psicanalítica, ainda não foi adequadamente teorizado na literatura. O fenômeno da inversão de papéis é apresentado clinicamente e discutido nos seus dois aspectos principais – a identificação inconsciente com os pais e com sua cultura psíquica e, portanto, a concomitante dissociação da parte infantil do self –, através da apresentação de material analítico relativo a um paciente esquizóide e carente. O autor considera algumas das razões pelas quais os analistas não exploraram essa forma particular de repetição, a qual se reapresenta regularmente na dinâmica de transferência-contratransferência na análise de pacientes que experimentaram no passado um trauma cumulativo, e focaliza também os principais fatores curativos no tratamento desse tipo de paciente.
Palavras-chave: inversão de papéis; dinâmica da transferência-contratransferencia; pacientes esquizóide-deprimidos; fatores curativos; encenação da cura falando da cura.

 

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