Editorial
Leopold Nosek
Eis o primeiro número do volume 41 da Revista Brasileira de Psicanálise. Iniciamos um ano pleno de encontros e de possibilidades de debate, pois temos em maio o Congresso Brasileiro, em Porto Alegre, e logo depois, em julho, o Congresso Internacional, em Berlim. Como de costume, abrimos com uma entrevista que estimula a reflexão sobre a produção de conhecimento. Desta vez nosso convidado é César Botella, analista que vem desenvolvendo um corpo conceitual original. Os comentários serão feitos pelos colegas Elias Mallet da Rocha Barros, de São Paulo, e Fernanda Marinho e Ney Marinho, do Rio de Janeiro.
A seguir, temos uma súmula do 660 Congresso de Psicanalistas de Língua Francesa, incluindo a contribuição de André Green. Contamos aqui com a colaboração preciosa de colegas, como se constatará já no editorial escrito por José Martins Canelas Neto. A idéia de termos edições pensadas e produzidas em parceria nos parece extremamente fértil, como o prova este número da RBP, e nessa medida estamos abertos a propostas de outros grupos que estejam se dedicando a estudos e reflexões sobre temas específicos.
Apresentamos também, neste número, os três artigos em torno dos quais se organizarão os debates do 45º Congresso Internacional da IPA, cujo tema é Recordar, Repetir e Elaborar em Psicanálise e na Cultura Hoje. A retomada do tema freudiano tem particular ressonância, já que a discussão será feita em Berlim, 85 anos depois do último congresso da IPA naquela cidade, realizado em 1922. Também lembra a data de 1933, que marca a ascensão do nazismo, fato que causa uma diáspora dos analistas judeus, resultando inclusive na vinda de Adelheid Koch ao Brasil, introdutora da prática analítica em nosso meio. O tema será tratado por três autores consagrados: um da Europa, Werner Bohleber, outro da América Latina, Norberto Marucco, e um da América do Norte, Jonathan Lear. Convidamos os leitores a nos enviar suas reflexões acerca desses trabalhos, para que possamos divulgar a construção teórica que se origina em nosso meio. Pretendemos, num segundo momento, dedicar um número da RBP às repercussões do congresso. Passo a palavra ao nosso editor convidado.
L. N.
São Paulo, abril de 2007.
Voltar
Editorial a convite
José Martins Canelas Neto
Em nossas sociedades de tradição predominantemente anglo-saxônica, este número da Revista Brasileira de Psicanálise marca um momento significativo de uma história relativamente recente de nossas relações com a psicanálise francesa, ao publicar textos de autores brasileiros e franceses em torno do tema do 66o Congresso de Psicanalistas de Língua Francesa (CPLF), realizado em Lisboa em maio de 2006: Modelo da Pulsão e Relações de Objeto.
O CPLF é o mais importante congresso organizado pelas duas sociedades francesas afiliadas à Associação Psicanalítica Internacional (IPA): Sociedade Psicanalítica de Paris (SPP) e Associação Psicanalítica da França (APF). Ocorre anualmente, alternando o local, sendo um ano em Paris e no ano seguinte numa das cidades que têm grupos de estudo de psicanálise. Ao longo de 67 anos, os analistas mais renomados dessas sociedades já apresentaram “relatórios” nesses encontros. Trata-se de um congresso diferente, pois é centrado em dois relatórios sobre um tema escolhido previamente, os quais são preparados e divulgados com bastante antecedência entre os grupos de estudo que se formam de modo espontâneo nos diferentes países. Durante vários meses, esses grupos se dedicam à discussão dos relatórios, produzindo pequenos comentários por escrito que também são divulgados antes do congresso. O CPLF é organizado em grandes sessões plenárias nas quais os participantes podem discutir durante um tempo bastante longo com os relatores e com analistas convidados, que redigem antes um comentário sobre os relatórios. Esse modo de organização permite que todos os participantes “mergulhem” profundamente no tema antes do congresso e estejam bastante mobilizados quando chegam ao evento.
Por razões de espaço, infelizmente não foi possível publicar os dois relatórios, “Metapsicologia dos vínculos e ‘terceira tópica’?”, de Bernard Brusset, e “Clínica da relação de objeto e do registro pulsional na psicanálise da criança”, de Gérard Lucas.No entanto, os artigos de Magda Guimarães Khouri e de Ana Maria Brias Silveira fazem um excelente apanhado do relatório de Brusset.
No decorrer dos anos, o número de grupos de estudo se ampliou e atualmente temos grupos nas seguintes cidades: Aix-en-Provence, Atenas, Besançon, Beirute, Bilbao, Bordeaux, Bruxelas, Chalon-sur-Saône, Corbeil-Essonnes, Genebra, Jerusalém e Tel-Aviv, Lille, Lisboa, Madri, Lyon, Montreal, Nantes, Paris, Pádua, Porto, Rennes, Rio de Janeiro, Roma, Rouen, São Paulo, Porto Alegre e Toulouse.
Graças aos esforços do atual presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), Luís Carlos Menezes, que buscou nossa aproximação com os colegas franceses das duas sociedades afiliadas à IPA (SPP e APF), nós, brasileiros, passamos pela primeira vez a participar oficialmentedo CPLF. Formamos três grupos de estudo oficiais do congresso: em São Paulo, coordenado por Luís Carlos Menezes e por mim; no Rio de Janeiro, coordenado por Admar Horn e Miguel Calmon, e em Porto Alegre, coordenado por Luciane Falcão .
Também é preciso lembrar que uma longa história de contatos e relações com a psicanálise francesa contribuiu para que chegássemos a essa importante participação de nossas sociedades no 66o CPLF. Começou em meados dos anos 1960, quando José e Lúcia Lins de Almeida, psicanalistas do Recife, foram a Paris fazer sua análise pessoal e entrar em contato com a psicanálise na França, que naquela época já se encontrava em uma fase particularmente fecunda. No final dos anos 1960 e nos anos 1970, Lins estimulou e apoiou uma geração de jovens analistas pernambucanos a ir a Paris fazer a sua formação. Os que não se radicaram em Paris, como Paulo Siqueira e Eliezer Hollanda, voltaram para o Rio de Janeiro. Entre eles, lembramos Fernando Rocha, Carlos Niçéas, Fernando Coutinho, Zélia Villar, Jurandir Costa, Yvone Lins, Carmem Da Poian, entre vários outros. Além desse grupo de analistas pernambucanos, no mesmo período também fizeram a análise e a formação em Paris o médico gaúcho Luís Carlos Menezes e Anna Maria Amaral, de São Paulo. Essa primeira leva de analistas retornou ao Brasil nos início dos anos 1980, quando uma segunda geração iniciava sua formação: eu e o carioca Admar Horn na SPP e o também carioca Marcelo Marques na APF. Admar e eu voltamos ao Brasil nos anos 1990.
Com a volta de Menezes para São Paulo, iniciou-se uma longa colaboração com alguns analistas franceses, sobretudo com Pierre Fédida, que esteve várias vezes nessa cidade. Permanecia durante semanas trabalhando intensivamente com grupos de analistas em seminários teórico-clínicos. A partir daí, outros colegas brasileiros tomaram contato e aprofundaram o conhecimento da psicanálise francesa contemporânea, até chegarmos a essa importante participação oficial em 2006, na qual o grupo de brasileiros compareceu em número bastante significativo (cerca de quarenta analistas), principalmente de São Paulo, mas também do Rio de Janeiro, de Porto Alegre, Ribeirão Preto e Brasília. Nesse breve lembrete histórico, mencionamos apenas colegas que nos são mais próximos, sabendo que assim omitimos a menção a alguns analistas de orientação lacaniana que aqui aportaram depois dos anos 1980.
Depois dessa demarcação histórica, falemos um pouco do conteúdo do 66o CPLF e deste número da Revista Brasileira de Psicanálise. Como o próprio título do congresso mostra – Modelo da Pulsão e Relações de Objeto –, foi posta em discussão a questão das relações entre o modelo da pulsão e as relações de objeto. Bernard Brusset, partindo dos desafios apresentados pela clínica psicanalítica contemporânea (casos difíceis, pacientes borderline, clínica do vazio e do irrepresentável etc.), faz uma revisão dos principais autores da psicanálise, desde Freud até Melanie Klein, D. W. Winnicott, Bion, André Green, Jacques Lacan, Jean Laplanche, César Botella e outros. E propõe de maneira interrogativa a hipótese de uma grande síntese, traduzida pelo título de seu relatório – “Metapsicologia dos vínculos e ‘terceira tópica’?” –,no qual trata de estabelecer uma “terceira tópica” fundamentada numa “metapsicologia dos vínculos”.
Para entrar no cerne dessas reflexões de Brusset e diante da impossibilidade material de publicar neste número da revista os dois relatórios na íntegra, convidamos duas pessoas para escrever artigos que tentassem passar as principais contribuições de Brusset: Ana Maria Brias Silveira e Magda Khoury, que haviam realizado um bom trabalho de síntese no grupo de São Paulo. O leitor poderá encontrar nos textos uma boa introdução ao relatório do congresso.
Durante o CPLF, vários debatedores questionaram a necessidade de fazer uma grande síntese das diferentes teorias, com a criação de uma “terceira tópica”. Havia o temor de que essa síntese pudesse ser redutora e que nela se perdesse a riqueza e a singularidade de algumas das obras pós-freudianas mais importantes. No final, a meu ver, o que ficou das discussões foram mais contribuições teóricas à clínica desses casos difíceis – como a idéia de um “funcionamento na exterioridade” –, reflexões originais sobre a projeção em sua relação com o espaço psíquico, e menos o projeto de Brusset de juntar as diferentes teorias numa terceira tópica.
Quatro autores brasileiros discutem as idéias de Brusset neste número da revista. Eles se posicionam na hipótese de uma terceira tópica, aproximando o debate de nossa cultura psicanalítica.
Ana Maria Andrade de Azevedo, num texto de muita clareza, procura realçar a idéia de uma terceira tópica, examinando sobretudo a questão do espaço psíquico, de sua extensão ao espaço externo, conforme a noção de “funcionamento em exterioridade” descrita por Brusset. A dialética do interno/externo é reexaminada pela autora, que vai propor uma terceira tópica concebida como tópica da clivagem. Por fim, Ana Maria discute as aplicações dessas idéias a uma clínica contemporânea.
Já no artigo de Josette Czerny a hipótese da necessidade de uma terceira tópica é contestada, e essa autora nos oferece suas reflexões a partir da clínica de pacientes borderline. Ela se mantém numa perspectiva metapsicológica freudiana, propondo a idéia de “deficiência primária narcísica”, com conseqüente desmoronamento do pré-consciente e de suas funções. Parece-nos interessante sua idéia de que esses pacientes se mantêm numa linha tênue entre funcionamento não-psicótico e funcionamento psicótico.
Luciane Falcão, de Porto Alegre, nos brinda com um artigo rigoroso do ponto de vista metapsicológico, no qual retoma em profundidade o conceito freudiano de Bindung (vínculo, ligação), com as noções de energia livre e energia ligada. Desenvolve também de maneira sutil o papel do objeto na instauração dos processos de ligação e nos movimentos identificatórios. Luciane sustenta que a hipótese de uma terceira tópica, de uma metapsicologia dos vínculos, é dispensável, uma vez que a noção de ligação, vínculo, permeia toda a metapsicologia freudiana de forma a nos instrumentar adequadamente para abordar a clínica de pacientes não-neuróticos. Apoiando-se em idéias de André Green, a autora vai mostrar o interesse em um aprofundamento da noção de narcisismo primário como “investimento originário do eu não-unificado e sem referência à unidade”. Esse ponto de vista enfatiza a questão da orientação e da qualidade dos investimentos na origem desse narcisismo primitivo.
Finalmente, Admar Horn aproxima algumas idéias de Brusset dos conceitos desenvolvidos pelos psicanalistas da Escola Psicossomática de Paris, na qual fez longa formação. Admar nos mostra como a questão da somatização pode ser compreendida a partir da expansão de certos conceitos freudianos, em especial a noção de pré-consciente, que teria uma dimensão interpsíquica na psicoterapia desses pacientes. O autor também desenvolve de maneira original o que chama de função maternal do psicoterapeuta psicossomático, embasada numa clínica da sensorialidade psíquica.
O artigo de André Green completa a série de artigos relativos ao relatório de Brusset. O autor levanta várias questões que ainda devem ser aprofundadas, retoma o conceito freudiano de ligação e acompanha sua evolução em Melanie Klein, Bion e Winnicott, para terminar com uma análise minuciosa da posição de Brusset quanto a uma metapsicologia dos vínculos.
O diálogo teórico e clínico de autores brasileiros com colegas de língua francesa da França, Suíça, Bélgica e do Canadá, assim como com outros de línguas românicas – espanhóis, portugueses e italianos –, encontra-se agora em novo patamar, com a nossa participação regular no 66o CPLF. A amostra representada pelos trabalhos deste número da revista parece-me promissora: são novas possibilidades de desenvolvimento que encontros como esse oferecem para o pensamento psicanalítico no Brasil.
J. M. C. N.
São Paulo, abril de 2007.
Voltar
Botella, Ogden, Green, Ferro, Bion
Comentário à entrevista de César Botella
Elias Mallet da Rocha Barros
Resumo: O autor discute a articulação de conceitos propostos nos trabalhos de C. Botella com outros operados por W. Bion, T. Ogden, R. Britton, E. R. Barros e A. Ferro, sugerindo que a partir desses diálogos entrecruzados é possível ver um intenso pensamento psicanalítico em desenvolvimento. A articulação se dá em torno do conceito de representação e/ou ausência de representação. O autor também sugere que a América Latina, dada a maneira particular como assimila conceitos novos integrando-os num novo contexto, é o espaço ideal para observar essa articulação realizada. O comentário também aborda a questão dos processos de desenvolvimento dos símbolos e sua lógica interna.
Palavras-chave: representação; ausência de representação; irrepresentável; símbolo; pictograma afetivo.
Voltar
Pensando com Botella
Comentário à entrevista de César Botella
Fernanda Marinho e Ney Marinho
Resumo: A entrevista foi lida como um convite a pensar a psicanálise em tempos pós-escolásticos. Sublinhamos a presença de um casal fértil (relação comensal) como pano de fundo. Procuramos usar noções que nos são familiares – como a teoria das transformações de Bion – para compreender a proposta de Botella sem reduzi-la ao já conhecido. Usamos a noção de jogos de linguagem (Wittgenstein) para compreender a situação clínica apresentada. Sugerimos também que se pense na noção de hospitalidade (Derrida) na relação analítica. Concordamos com Botella quanto à importância do Comitê de Prática Analítica e Atividades Científicas (Capsa) e apresentamos algumas sugestões para o desenvolvimento do intercâmbio.
Palavras-chave: Botella; figurabilidade; Bion; transformações; Wittgenstein; jogos de linguagem; Derrida; hospitalidade; Capsa.
Voltar
Notas sobre o Relatório Brusset
Ana Maria Brias Silveira
Resumo: No relatório para o 66o Congresso de Psicanalistas de Língua Francesa, Bernard Brusset propõe que o estudo da metapsicologia dos vínculos e dos limites do self, tomando como ponto de partida a metapsicologia freudiana enriquecida pela contribuição de autores como Bion, Winnicott e A. Green, poderia levar à formulação de uma terceira tópica. Seria uma “tópica primitiva”, anterior às outras duas, que permitiria examinar melhor os casos de patologias não-neuróticas, caracterizados pela fragilidade do envelope narcísico, bem como avaliar esse trabalho na situação de análise, área de jogo, metaforização e apropriação de sentido entre os dois parceiros: analista e analisando.
Palavras-chave: aparelho psíquico; pulsão; relação de objeto; vínculos; tópica.
Voltar
Brusset: ilustração clínica
Magda Guimarães Khouri
Resumo: Esta é uma síntese da ilustração clínica do trabalho “Metapsicologia dos vínculos e ‘terceira tópica’?”, de Bernard Brusset, apresentado no 66o Congresso de Psicanalistas de Língua Francesa (2006, Lisboa). Christine, 35 anos, foi hospitalizada por depressão grave com desorganização de tipo psicótico. O processo de dez anos da terapia analítica com a paciente foi relatado com ênfase à articulação conceitual de Brusset sobre a relação entre espaços psíquicos e os vínculos, pensando os espaços da indiferenciação primária e dos limites do eu, assim como a noção de processos, notadamente projeção/introjeção.
Palavras-chave: introjeção; narcisismo; projeção; transferência; crenças delirantes.
Voltar
Demarcação originária e transformações da ligação, de Freud a Winnicott
André Green
Resumo: A noção de ligação pertence à teoria psicanalítica desde sempre (Freud, Bion, Winnicott). Brusset atualiza-a. Essas contribuições trazem sentidos variáveis ao conceito de ligação. O autor relembra-as e comenta-as e examina o interesse e os limites de uma terceira tópica.
Palavras-chave: pensamentos latentes; destrutividade; relação indivíduo-entorno; transicionalidade; terceira tópica.
Voltar
Uma terceira tópica?
Ana Maria Andrade de Azevedo
Resumo: A autora examina o relatório apresentado por Brusset no 66o Congresso de Psicanalistas de Língua Francesa, em Lisboa, visando esclarecer, dentro do possível, a proposta de uma terceira tópica. Devido à extensão e à complexidade do trabalho, são realçados apenas alguns aspectos mencionados pelo autor, com o objetivo de expandir a questão do espaço psíquico, a importância de noções como intrapsíquico, intersubjetivo, subjetivação, objeto analítico e irrepresentabilidade. Algumas idéias de D. W. Winnicott, M. Klein, W. Bion, A. Green e C. Botella são mencionadas, na medida em que foram usadas por Brusset para construir a hipótese de uma terceira tópica. A idéia de vivência em exterioridade, fundamental para a tese de Brusset, é apresentada com algumas referências às conseqüências desse funcionamento na clínica.
Palavras-chave: relação analítica; espaço psíquico; espaço potencial; objeto analítico; intersubjetividade; intrapsíquico; vivência em exterioridade; clínica do vazio; terceira tópica.
Voltar
A linha da justaposição dos limites neurótico e psicótico nos pacientes borderline
Josette Czerny
Resumo: No estudo de casos borderline, observamos uma deficiência primária narcísica que posteriormente sofreu um traumatismo grave, levando a uma modificação na vida existencial e relacional do paciente. Nossa hipótese é de que há afundamento do pré-consciente e conseqüente deficiência de suas funções, com a aproximação dos limites extremos do funcionamento não-psicótico e psicótico, configurando uma linha virtual de alta turbulência, resultante dessa justaposição. Os pacientes permanecem imobilizados nessa linha, com deficiências principalmente das funções do pré-consciente e do ego, com empobrecimento dos vínculos objetais internos e externos.
Palavras-chave: linha; justaposição; narcisismo; limites; pré-consciente.
Voltar
O somático e as experiências corporais
Admar Horn
Resumo: O autor expõe uma síntese do relatório apresentado por B. Brusset no 66o Congresso de Psicanalistas de Língua Francesa (CPLF), ocorrido em maio de 2006, em Lisboa. O tema principal é a metapsicologia do vínculo, questionando-se a necessidade de uma terceira tópica. Em seguida, o autor descreve como isso é visto na perspectiva da psicanálise psicossomática praticada no Instituto de Psicossomática de Paris (Ipso), colocando em evidência a clínica psicanalítica da sensorialidade.
Palavras-chave: clínica psicossomática; terceira tópica; metapsicologia do vínculo; sensorialidade; função maternal do psicoterapeuta psicossomático.
Voltar
Considerações sobre “Metapsicologia dos vínculos e ‘terceira tópica’?”, de B. Brusset
Luciane Falcão
Resumo: A autora tece considerações teóricas a partir do relatório de Bernard Brusset, “Metapsicologia dos vínculos e ‘terceira tópica’?”, que lança um questionamento sobre a necessidade – ou não – de uma terceira tópica para dar conta de certos aspectos da clínica contemporânea, e também sobre a relação dessa tópica com a teoria da prática que lhe corresponde. Apesar de reconhecer as propostas de Brusset como essenciais para reflexão e aprofundamento da metapsicologia dos vínculos, a autora lembra que a noção de vínculo psíquico é antiga em psicanálise e não vê necessidade de nomear uma terceira tópica ou mesmo de criar novas teorias para pensar a metapsicologia dos vínculos. Para compreender o que seria a formação do vínculo, sua argumentação segue uma trilha que já estaria contida na primeira e na segunda tópicas freudianas. As reflexões fundamentam-se principalmente nas idéias de S. Freud e de A. Green.
Palavras-chave: metapsicologia; vínculo; tópicas; estruturas-limite; objeto.
Voltar
Entre a recordação e o destino: a repetição
Norberto Carlos Marucco
Resumo: As repetições (agieren), o representado, o não-representado e o irrepresentável. Os conceitos de embrião pulsional e soterrado (verschüttet) constituiriam um “outro inconsciente” que se expressa na repetição como destino. Para abarcá-lo, o analista operará em sua “mente”, através de sua singularidade real, a capacidade de rêverie, seu inconsciente“não analisado”, inédito e a construção-conjectura histórica.
Palavras-chave: destino; representado; não-representado; irrepresentável; “embrião pulsional”; o arcaico; o soterrado (verschüttet); contratransferência; capacidade de rêverie; mente do analista.
Voltar
Elaborar o fim de uma civilização
Jonathan Lear
Resumo: Este é um relato de como a civilização elabora os problemas que enfrenta ao ser ameaçada de destruição. As idéias psicanalíticas têm o papel fundamental de explicar o modo pelo qual se possibilita uma resposta criativa. Dessa forma, ao focalizar nessa ameaça, a psicanálise pode encontrar novos desafios para o seu próprio desenvolvimento conceitual.
Palavras-chave: desenvolvimento conceitual; elaboração; cultura; civilização; imaginação; perda de identidade.
Voltar
Recordação, trauma e memória coletiva: a luta pela recordação em psicanálise
Werner Bohleber
Resumo: Com a importância crescente da análise do aqui-e-agora da relação terapêutica, a recordação e a reconstrução do passado perderam o lugar central que tinham para Freud. Experiências e recordações traumáticas fecham-se para esse desenvolvimento. A especificidade da dinâmica da recordação e a importância da reconstrução são mostradas não somente para o tratamento analítico mas também para a recordação coletiva do Holocausto e seus efeitos posteriores.
Palavras-chave: trauma; recordação; reconstrução; experiência emocional atual; historização; memória; recordação coletiva e Holocausto.
Voltar
|