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Editorial 
Leopold Nosek

  11
   
Em memória de Sigmund Freud
W. H. Auden [1907-1973]
13
   
Entrevista   
Franklin Leopoldo e Silva
23
   
  Diálogo
   
Breves considerações sobre o humor na clínica  
[Comentário à entrevista de Franklin Leopoldo e Silva]J
osé Alberto Zusman
 
37
   
A graça do riso
[Comentário à entrevista de Franklin Leopoldo e Silva]
Rogério Nogueira Coelho de Souza
42
   
  Humor
   
Sobre o riso
Gilbert Diatkine
53
   
A psicanálise bem temperada: humor, estilo e metáfora no processo psicanalítico
José Carlos Calich
7373
   
A psicanálise diante do trauma, do humor e da esperança
Gley Silva de Pacheco Costa
87
   
Função integrativa do humor
Maria Stela de Godoy Moreira
94
   
Humor e mudança psíquica: o fio narrativo de Ariadne 
Lenita Osório Araújo
104
   
Humor por acaso
Aida Maria Moraes Ungier
113
   
Ética da alegria e relacionamento humano   
Morgana Masetti
119
   
  Olhar estrangeiro
Trauma e rememoração, realidade e/ou convicção    
César Botella
127
   
  Ponto de vista
Pensamento perceptivo e percepção via pensamento na psicanálise clínica 
Charles Hanly
141
   
A reconstrução revisitada  
Robert L. Pyles
151
   
   
  Resenhas de livros
A psicanálise e a clínica extensa  
Leda Maria Codeço Barone [coord.]
Magda Guimarães Khouri
169
   
Transtornos alimentares
Maria Helena Fernandes
Cássia A. N. Barreto Bruno
173
   
Psicoterapia psicanalítica breve
Theodor Lowenkron
Irene Gondim Grether e Decio Tenenbaum
176
   
Lançamentos
181
   
Agradecimento aos consultores  
184
   
Orientação aos colaboradores  
189

Editorial
Leopold Nosek


Voltamos inevitavelmente a Freud. Não só porque é o fundador do nosso conhecimento, mas também por ser o único que transita no risco de tentar o trajeto panorâmico da passagem do biológico para o humano. A partir de 1895, com o Projeto para uma psicologia, Freud inicia a reflexão sobre como estímulos que na natureza são quantidades podem se tornar qualidades psíquicas. O questionamento o leva inevitavelmente à cultura. Cultura como produto humano e como participante da gênese do espírito individual. Seu percurso enciclopédico o torna interlocutor de outros campos do saber. Autores de história, antropologia, filosofia, estética, política e tantas outras áreas não têm outra alternativa, ao se referir à psicanálise e dialogar com ela, a não ser retomar a obra freudiana. Hoje, passados 150 anos de seu nascimento, é grande o contingente de autores que desenvolveram esse conhecimento, mas ninguém o supera em largueza de horizontes, profundidade de reflexão e fertilidade de escrita.
Essa é uma razão para homenageá-lo mais uma vez , agora através da visão de um poeta tão importante como W. H. Auden. Do poema que Auden escreveu por ocasião da morte de Freud, retiro esta “passagem”:

to us he is no more a person
        now but a whole climate of opinion

                já não é mais uma pessoa
        para nós, mas um clima de opinião

Nossa cultura está imersa no labirinto de Freud. Sua obra faz parte da atmosfera em que vivemos. Nada mais pode ser pensado sem considerar este saber, respiramos de diferentes modos e em diferentes profundidades a praga que ele nos trouxe. Peste da qual toda a cultura atual e futura, paradoxalmente, também se nutrirá. Não temos alternativa senão principiar com Freud e seguir com ele. Por outro lado, não faz sentido lê-lo como exegetas acadêmicos. Não seria fértil apenas tentar recuperar o que seria sua palavra “verdadeira” — não é um texto sagrado. Aliás, nem estes são lidos dessa forma. Leremos seu texto na riqueza da movimentação que lhe permitirmos trazer ao nosso espírito.
Não posso, neste ponto, deixar de lembrar Borges — também, inevitavelmente, sempre Borges. Dele tomo o texto “Pierre Menard, autor do Quixote”, conto que está em seu livro Ficções, de 1944. Resumo a saborosa e irônica narrativa em que Menard, um suposto e peculiar autor do começo do século XX, se lança numa tarefa inusitada. Menard se propôs escrever algumas páginas que coincidissem palavra por palavra com o texto de Cervantes. Quis fazê-lo, entretanto, não se tornando Cervantes, mas permanecendo Menard, preservando inteiramente sua experiência pessoal e a de sua época. Tarefa nada simples, e não só porque trezentos anos se passaram entre um autor e outro. “O texto de Cervantes e de Menard são verbalmente idênticos”, diz o narrador, “mas o segundo é quase infinitamente mais rico.” Adiante, prossegue:

Constitui uma revelação cotejar o Dom Quixote de Menard com o de Cervantes. Este, por exemplo, escreveu (Dom Quixote, primeira parte, nono capítulo):
… a verdade, cuja mãe é a história, êmula do tempo, depósito das ações, testemunha do passado, exemplo e aviso do presente, advertência do futuro.
Redigida no século XVII, redigida pelo “engenho leigo” Cervantes, essa enumeração é mero elogio retórico da história. Menard, em compensação, escreve:
… a verdade, cuja mãe é a história, êmula do tempo, depósito das ações, testemunha do passado, exemplo e aviso do presente, advertência do futuro.
A história, mãe da verdade. A idéia é assombrosa. Menard, contemporâneo de William James, não define a história como indagação da realidade, mas como sua origem. A verdade histórica, para ele, não é o que aconteceu; é o que julgamos que aconteceu. As cláusulas finais – exemplo e aviso do presente, advertência do futuro – são descaradamente pragmáticas.

O conto de Borges é de uma inteligência e de um humor prodigiosos, mas, para meu breve propósito neste editorial, ressalto apenas uma passagem: aquela que nos aponta a riqueza de uma leitura que não se restringe à impossível recuperação de um texto. Leremos Freud, inevitavelmente, depois do surgimento da obra de tantos que o seguiram e que desenvolveram caminhos muitas vezes apenas sugeridos em seus escritos. Leremos Freud presentes em outro mundo, respirando outra atmosfera ideológica e cultural. Seu texto trafegará pelo nosso próprio labirinto, ao qual agregará novos sonhos, mas terá, inevitavelmente, de respeitar nossa geografia estabelecida.
Torna-se assim problemática a tarefa dos que consideram ter o mapa dos trajetos adequados, dos que supõem conhecer o labirinto. Freud escreveu em 1927, em O futuro de uma ilusão, que a religião é um saber dado de antemão que nos protege contra o desamparo diante da força abissal da natureza. Nesse momento, Freud é um ser do Iluminismo e acredita que maduro seria o conhecimento oferecido pela ciência. Algum Menard atual poderia ler o mesmo texto hoje e enxergar na própria ciência, que busca saberes imóveis, assim como no pensamento concreto pessoal, uma proteção contra a inevitável movimentação da cultura. E proteção, além disso, contra a problematização da definição de natureza e cultura, bem como da relação entre elas. Um novo olhar sobre Freud e outros autores será em parte um olhar “ao modo de Menard”.
Espero que esta introdução não esteja distante do humor, o tema central do número que ora lhes apresentamos. Talvez, inspirados por Borges, possamos ler com humor textos sobre o humor. Quero agradecer ao nosso entrevistado, Franklin Leopoldo e Silva, que nos proporcionou uma conversa inspiradora, e aos comentadores José Alberto Zusmam e Rogério Coelho de Souza, assim como aos demais autores que colaboraram nesta edição.
Gostaria de lembrar, sobretudo aos participantes da Associação Psicanalítica Internacional, que os artigos de Charles Hanly e Robert Pyles apresentam o pensamento de dois psicanalistas que pleiteiam presidir a instituição. Somos chamados a definir nosso voto, e será razoável que o façamos também amparados pelo conhecimento de seu pensamento psicanalítico.

Por fim, espero que os leitores evoquem seus demônios e que nossa revista suscite uma leitura a partir de Borges dos textos propostos. Que sejamos capazes de dar espaço a nossos labirintos, sonhos, espelhos, bibliotecas e espectros — e que estes possam se sentir cada vez mais bem-vindos em nosso meio.

 

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 DIÁLOGO
Breves considerações sobre o humor na clínica
Comentário à entrevista de Franklin Leopoldo e Silva
José Alberto Zusman*

Resumo: Freud, embora tenha dedicado ao estudo do humor um tempo considerável, pouco investigou suas aplicações na prática clínica. Correlato à interpretação sob vários aspectos, o humor ficou historicamente associado a um dom pessoal, a um talento raro e, como tal, restrito a alguns poucos privilegiados. Mais ainda, enquanto talento, entrou no rol dos elementos humanos impossíveis de transmissão. Dada essa suposta impossibilidade de se prestar ao ensino, acabou relegado, no meio psicanalítico, a um tópico de interesse sociocultural. Contudo, o humor pode ser tão importante para técnica psicanalítica que, atualmente, alguns o consideram um parâmetro clínico de melhora. Há um aspecto nele que amplia a capacidade do ser humano de tolerar os limites e as adversidades impostas pela realidade. O humor talvez seja uma das grandes vias para empreender a difícil tarefa de tentar ver a dor de tal forma que ela não obstrua o processo de crescer.

Palavras-chave: psicanálise; humor; técnica psicanalítica.

 

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A graça do riso
Comentário à entrevista de Franklin Leopoldo e Silva
Rogério Nogueira Coelho de Souza*

Resumo: O autor comenta a entrevista do prof. Franklin Leopoldo e Silva, destacando os elementos fundamentais da obra filosófica de Bergson que dão sustentação ao entendimento do livro O riso. Estabelece uma relação entre as idéias do filósofo e a colaboração de Freud para a compreensão dos fenômenos do riso, do cômico e do humor, tomando para isso não só as idéias teóricas dos dois autores, mas trazendo também uma passagem de um sonho relatado por um paciente. Esse fragmento de material clínico aponta para a possibilidade de pensar aqueles fenômenos na dimensão social, inter-subjetiva e intrapsíquica. O autor sugere ainda que a graça do riso consiste em sua condição de renovar o movimento da vida frente às paralisações de natureza conflitiva ou desumanizadora.

Palavras-chave: riso; cômico; graça; humor; Bergson.

 

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HUMOR
Sobre o riso
Gilbert Diatkine

Resumo: Refletindo sobre Os chistes e sua relação com o inconsciente e sobre trabalhos franceses recentes consagrados ao riso, o autor chega às seguintes proposições: a) a distinção entre espirituosidade, humor e cômico é menos absoluta do que afirmou Freud; b) nos três casos o superego é reduzido ao silêncio – no chiste, por meio de técnicas verbais refinadas; no cômico, por uma utilização sábia de gestos, de maquiagem ou da montagem e de um enquadramento; no humor, através da apresentação de uma realidade ameaçadora de maneira engraçada; c) nos três casos os processos secundários são utilizados para dar acesso ao processo primário e à satisfação das pulsões sexuais e agressivas recalcadas; d) o riso da criança pequena que encontra os pais após uma separação é o protótipo do riso cômico; e) entre todas as pulsões recalcadas que se satisfazem nesse reencontro, figura o desejo de incorporar o objeto, seguido de uma excitação sexual genital interna; f) aquele que ri é quem se deixa levar plenamente nessa excitação passiva. O humorista tem necessidade daquele que ri para usufruir sem perder a integridade de seu narcisismo fálico.

Palavras-chave: riso; humor; chiste; organização genital e infantil.

 

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A psicanálise bem temperada: humor, estilo e metáfora no processo psicanalítico
José Carlos Calich

Resumo: O artigo propõe uma reflexão sobre a interação entre humor e situação analítica à luz das conjeturas sobre funcionamento psíquico, interpretação e processo psicanalítico que os debates recentes têm proporcionado. Traça-se uma comparação entre a estrutura da comunicação bem-humorada e da metáfora, tomada como virtude essencial da interpretação. Sugere-se a diferença entre humor metafórico e humor metonímico, com diferentes valorações no processo psicanalítico, e ainda a avaliação de sua utilização “em situação” e na individualidade da dupla analítica.

Palavras-chave: humor; processo psicanalítico; metáfora; metonímia; interpretação; estilo interpretativo.

 

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A psicanálise diante do trauma,
do humor e da esperança
Gley Silva de Pacheco Costa*

Resumo: O autor considera o humor uma defesa funcional relacionada à criatividade e mediante a qual é possível lidar psiquicamente com a experiência traumática e resgatar o sentido da vida. Destaca a importância de diferenciar o humor dos pensamentos de caráter consolador, místico, filosófico e apocalíptico. Tomando Avner Ziv como referência , sintetiza as três principais características do humor, a saber: o uso da imaginação para desfigurar uma realidade dolorosa, a contribuição para a coesão do grupo (mais específica do humor judaico) e a autocrítica. Dois filmes sobre o Holocausto – A vida é bela e Um sinal de esperança – ilustram a finalidade do humor, cujo processamento metapsicológico é intermediado pelo superego como representante do suporte ambiental. Conclui dizendo que é a relação inicial com uma mãe empática que permite ao indivíduo enfrentar as dificuldades da vida com uma dose de humor e com esperança numa saída – o mesma que se espera de um tratamento analítico.

Palavras-chave: trauma; humor; esperança; sofrimento; criatividade; literatura; cinema; Holocausto; ilusão; Eros; superego; autoconservação.

 

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Função integrativa do humor
Maria Stela de Godoy Moreira

Resumo: Este estudo pretende avaliar a eficácia do uso do humor na relação psicanalítica, reabilitando seu valor no interjogo das relações intrapsíquicas e interpessoais. O humor cria condições para o paciente suportar a dor mental que ocorre na passagem da dispersão esquizo-paranóide à integração depressiva ou vice-versa, levando da ruptura ao insight. Esse dinamismo aumenta a tolerância à frustração e possibilita o pensamento. Através de três vinhetas clínicas, examinamos o humor utilizado pelo analista com vistas a facilitar o estabelecimento dos vínculos responsáveis pela transformação da experiência vivida pelo analisando, para modificar as identificações introjetivas e proporcionar uma nova modalidade de relação objetal.

Palavras-chave: dor mental; ideograma; linguagem profunda; formas simbólicas; imagem acústica.

 

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Humor e mudança psíquica: o fio narrativo de Ariadne
Lenita Osório Araújo*

Resumo: A autora examina uma dificuldade contratransferencial no tratamento psicanalítico de uma paciente com transtorno narcísico de personalidade. A partir dos referenciais propostos por Freud e outros autores, especialmente Winnicott, considera a possibilidade de pensar o humor na transferência como um fenômeno transicional, visando reduzir os impasses da interpretação para promover mudanças psíquicas.

Palavras-chave: humor; defesa; mudança psíquica; narcisismo; superego.

 

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Humor por acaso
Aida Maria Moraes Ungier

Resumo: A autora, refletindo sobre a metapsicologia do fenômeno do humor, propõe que ele seja pensado como produto da sublimação, destino pulsional por excelência e marca da constituição do sujeito. Para tanto, usa a releitura lacaniana dos conceitos de pulsão de morte e sublimação, articulando-a com os conceitos filosóficos de trágico e acaso.

Palavras-chave: humor; pulsão de morte; sublimação; trágico; acaso.

 

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Ética da alegria e relacionamento humano
Morgana Masetti

Resumo: Enfocando o trabalho dos Doutores da Alegria – palhaços profissionais que visitam regularmente crianças hospitalizadas –, a autora discorre sobre a ética da alegria no estabelecimento de relações de qualidade. A partir da definição de alegria de Espinosa, estabelece relações entre a atuação desses artistas e aspectos da teoria de Winnicott.

Palavras-chave: alegria; criança; hospital; saúde; brincar; palhaço.

 

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OLHAR ESTRANGEIRO
Trauma e rememoração, realidade e/ou convicção
César Botella

Resumo: Uma nova concepção de trauma se impôs na psicanálise contemporânea. O autor defende a noção de trauma em negativo e descreve a necessidade de encontrar uma nova forma interpretativa que possa revelar esse negativo, que não constitui um traço mnésico, mas o que ele chama de “memória sem lembranças”. Novos conceitos por ele apresentados mostram-se necessários para permitir pensar a prática e a teoria desta nova face da vida psíquica.

Palavras-chave: direção terapêutica; trauma negativo sem lembranças; sentimento de realidade efetiva (Wirklichkeitsgefülh); convicção; regressão material; gradiente de realidade; dinâmica transformacional; representação-percepção-alucinação; princípio de coerência-convergência.

 

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PONTO DE VISTA
Pensamento perceptivo e percepção via pensamento na psicanálise clínica
Charles Hanly

Resumo: Este artigo sustenta que uma epistemologia adequada à psicanálise deve levar em consideração o fato de que a personalidade do analista funcionará inevitavelmente como um instrumento de trabalho, tal como o conhecimento e a inteligência. Assim como a experiência sem pensamento é cega, o pensamento sem experiência é abstrato e vazio. Este trabalho é um projeto para uma epistemologia realista crítica destinada à psicanálise, com emprego de evidências clínicas.

Palavras-chaves: realismo crítico; empirismo; pensamento perceptivo; realismo; subjetividade; epistemologia subjetivista; subjetivismo; percepção via pensamento.

 

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A reconstrução revisitada
Robert L. Pyles

Resumo: Este artigo explora o conceito de reconstrução a partir de diferentes perspectivas: clínica, teórica e histórica. É apresentada uma vinheta clínica na qual a mãe de uma paciente atua como se usasse a reconstrução de um modo destrutivo. Isso é contrastado com o uso adequado da reconstrução pelo analista. A tensão entre esses dois empregos constitui uma oportunidade para discutir a relação entre a interpretação da transferência e a reconstrução como técnicas clínicas. É traçada a evolução histórica de ambas, partindo de Freud e avançando para um exame de como autores modernos lidaram com essa questão.

Palavras-chave: reconstrução; transferência; interpretação da transferência; técnica clínica.

 

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