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Editorial
a convite
Cláudio Rossi |
5 |
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Mesas do XX
Congresso Brasileiro de Psicanálise - 2ª
parte
Poder, sofrimento psíquico e contemporaneidade |
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Uso
e abuso da transferência |
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Transferência/contratransferência:
“terreno movediço”
Ronaldo Mendes de Oliveira Castro |
9
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Uso
e abuso da transferência
Maria da Penha Zabani Lanzoni |
17 |
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Questões
éticas na transferência e na confidencialidade
Paulo Marchon |
21 |
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Distúrbios
alimentares |
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Distúrbios
da alimentação, anorexia, bulimia
e compulsões:
histórias de segredos e paixões
Marina Ramalho Miranda |
27 |
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Patologias
narcísicas e alteridade |
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Patologias
narcísicas e alteridade
Paulo Cesar Sandler |
35 |
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O
narcisismo na relação analítica.
Experiência básica de ruptura
Maria de Fátima Rebouças Malva
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47 |
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Vicissitudes
da infância na clínica contemporânea
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Violência
contra bebês
Eliane Pessoa de Faria |
59 |
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Gênero
e poder |
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A
difícil relação homem-mulher:
as vicissitudes do convívio com as diferenças
Ambrozina Amália Coragem Saad |
67 |
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O
poder das identificações alienantes
quanto ao gênero
Teresa Rocha Leite Haudenschild |
75 |
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Barbárie,
terrorismo e psicanálise |
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Barbárie,
terrorismo e psicanálise
Fernando Linei Kunzler |
83 |
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Barbárie,
terrorismo e paranóia
Roosevelt Moises Smeke Cassorla |
87 |
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Barbárie?
Civilização: um ponto de vista
psicanalítico
Ney Couto Marinho |
91 |
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Psicanálise
e literatura |
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Garimpando
na fronteira psicanálise-literatura
Carlos Doin |
97 |
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O fascínio
do poder na sociedade contemporânea |
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O
fascínio do poder
Maria Olympia de Azevedo Ferreira França |
105 |
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Terror,
representação e psicanálise |
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Terror,
representação e psicanálise
Deodato Curvo de Azambuja |
109 |
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Terror
e representação: um estudo ideográfico
Jose Renato Avzaradel |
113 |
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Psicanálise
e psiquiatria |
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Terror,
Representação e Psicanálise
Maria Cristina Amendoeira |
119 |
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Psicanálise,
sociologia e política |
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Psicanálise
e socialismo . A utopia dos socialismos
ou quanto à possibilidade da psicanálise
socorrer o socialismo democrático
Moises Tractenberg |
125 |
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As neurociências
e a psicanálise |
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Afetos,
sobrevivência e desenvolvimento na neuro-psicanálise
Yusaku Soussumi |
129 |
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Considerações
sobre uma experiência clínica
Theodolinda Mestriner |
135 |
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Sofrimento
psíquico e gênero: uma visão
teórico-clínica |
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Resgatando
o feminino através da experiência
somato-psíquica:
da dor ao sofrimento psíquico
Cândida Sé Holovko |
143 |
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Psicanálise
e pesquisa |
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A
investigação psicanalítica
está ameaçada de extinção?
Theodor Lowenkron |
159 |
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Psicanálise,
medicina e saúde pública |
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Interfaces:
psicanálise, medicina e saúde
pública
Marta Regina de Moraes Foster |
169 |
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Lugar
da psicanálise na justiçaO lugar
da psicanálise na justiça: lei,
drogas e tratamento
Ivone Stefania Ponczek |
177 |
Editorial
Cláudio Rossi*
“Poder,
sofrimento psíquico e contemporaneidade”
é o tema do XX Congresso Brasileiro de Psicanálise
que acontecerá em Brasília no mês
de novembro próximo. Embora, tanto na teoria
quanto na clínica, questões que envolvem
o poder estejam muito presentes na psicanálise,
não é comum que esse assunto seja especificamente
desenvolvido e problematizado. Por essa razão
foi surpreendente o entusiasmo com que as sociedades
componentes da Associação Brasileira
de Psicanálise aceitaram a proposta desse assunto
como tema oficial para seu congresso.
Muitos dos trabalhos que serão apresentados
na categoria de “tema oficial” estão
publicados neste número da RBP. Eles abordam
em três eixos – teórico, clínico
e social –, as relações entre
a psicanálise e o poder, assim como as articulações
entre este e o sofrimento psíquico contemporâneo.
No mundo atual vivemos grandes transformações
que rapidamente alteram as instituições
sociais, os hábitos e os costumes. As estruturas
de poder, as hierarquias, as convenções
e contratos, também, tornam-se instáveis
gerando grande insegurança e perplexidade.
Nesse ambiente as lutas e disputas pelo poder se tornam
especialmente acirradas. Os cargos e papeis instituídos
são questionados e sua autoridade freqüentemente
desafiada. Dentro das sociedades psicanalíticas,
assim como na sociedade em geral, esses fenômenos
podem ser observados com certa freqüência.
Em Mal estar na civilização, Freud afirma
que as causas do sofrimento psíquico são
três: “O poder superior da natureza, a
fragilidade de nossos próprios corpos e a inadequação
das regras que procuram ajustar os relacionamentos
mútuos dos seres humanos na família,
no estado e na sociedade”. No nosso mundo turbulento
do século XXI a inadequação das
regras parece particularmente evidente.
Em Totem e tabu Freud já havia defendido a
tese, que ele retoma no Mal estar na civilização,
de que a civilização só pode
existir porque o poder do grupo submete os indivíduos
que abrem mão de seu poder pessoal em prol
da convivência com seus semelhantes. Essa tese
já fora defendida por Hobbes, em 1651, no Leviatã.
Quando ele descreve a natureza humana diz o seguinte:
“E ao homem é impossível viver
quando seus desejos chegam ao fim, tal como quando
seus sentidos e imaginação ficam paralisados.
A felicidade é um contínuo progresso
do desejo, de um objeto para outro, não sendo
a obtenção do primeiro outra coisa que
o caminho para conseguir o segundo”. No mesmo
texto, em seguida, afirma: “Assinalo assim,
em primeiro lugar, como tendência geral de todos
os homens, um perpétuo e irrequieto desejo
de poder e mais poder, que cessa apenas com a morte”.
Com essa concepção, para Hobbes, um
Estado forte e autoritário era a única
saída para que a civilização
fosse preservada sem sucumbir às ambições
dos indivíduos que as teriam de forma ávida
e infinita. Nietzsche, em Assim falou Zaratustra estende
para toda a natureza, incluída a mineral, a
“vontade de poder”. A “vontade de
poder” seria a força motriz de todos
os seres do universo. Quer dizer, cada ente traria
dentro de si um impulso de se ampliar e de conquistar
cada vez mais espaço, ganhando cada vez mais
presença e poder. Esse movimento seria incessante
e infinito. Como isso aconteceria com cada elemento
do universo, seria inevitável a luta pelo poder,
que jamais cessaria.
Freud não se opõe a essas teses, pelo
contrário, também não acredita
na abolição da luta, como acreditou
K. Marx, por exemplo, caso fossem atendidas, de forma
justa e eqüitativa, as necessidades básicas
e as aspirações dos seres humanos. Para
o pai da psicanálise a agressividade é
incessante e a luta pela predominância e pela
dominação, também. Daí
sua concordância com Hobbes, no que se refere
à necessidade de se submeter a vontade individual
à vontade coletiva. Mas, se Hobbes, se satisfaz
em descrever o processo, Freud, que veio da clínica,
preocupa-se com os danos causados aos indivíduos
por essa submissão. Verifica que as neuroses
e seus sintomas, assim como uma certa infelicidade,
são o preço que as pessoas precisam
pagar para poder ser civilizadas. Essa postura de
Freud vai marcar a psicanálise que é
uma colaboradora da cultura, mas, sem jamais abandonar
uma postura crítica. Sua proposta seria mais
ou menos assim: se o “mal é necessário”
que, pelo menos, seja o menor possível. A preocupação
com cada um dos indivíduos componentes da sociedade
faz com que a psicanálise seja radicalmente
e por princípio, democrática e igualitária.
A atitude psicanalítica em relação
à sociedade, porém, é decorrente
de sua postura no trato com o indivíduo diante
de si mesmo. A primeira defesa tratada por Freud foi
a repressão. É muito fácil fazer-se
a analogia entre a repressão defesa e a repressão
social. Libertar os presos nos calabouços da
mente poderia ser a metáfora para o trabalho
de Freud com as histéricas. Através
do conhecimento do inconsciente, o ego, poderia de
forma cada vez mais integrada, justa e politicamente
negociada, governar a personalidade. Quando surgem
as teorias das relações objetais, o
mundo interno passa a ser concebido como uma assembléia
de objetos que disputam, entre si, o poder. Novamente,
o trabalho psicanalítico é concebido
como integração das diferentes tendências,
cuja luta intestina jamais cessaria. A busca de uma
democracia interna, lúcida e sem preconceitos
seria, portanto, a principal característica
da missão da psicanálise. É razoável
admitir-se a hipótese de que uma sociedade
composta por indivíduos mais integrados internamente
possa ser mais satisfatória, equilibrada e
justa do que outra em que isso não ocorra.
No desenvolvimento da psicanálise, porém,
verificou-se que algumas características humanas
são muito rebeldes ao tratamento. A postulação
do instinto de morte e seus corolários, como
a destrutividade e a crueldade, foi necessária
para dar conta das dificuldades em realizar a integração
desejada. O poder, agora, não apenas é
buscado e exercido com a finalidade de ampliar o espaço
e as prerrogativas do indivíduo, mas, para
destruir, fazer mal, prejudicar o semelhante e o próprio
sujeito. Como ser democrático e neutro com
esse tipo de tendência? Como evitar que para
resolvê-la se incida no mesmo erro. Como reduzir
a violência, se para fazê-lo, precisamos
ser violentos?
A psicanálise tem grande experiência
e muitas teorias desenvolvidas a respeito desses paradoxos
do uso do poder. Seu conhecimento da alma humana,
acumulado por mais de cem anos de trabalho intenso,
pode ser precioso para as áreas da sociedade
que interferem em seu funcionamento. Para Jacques
Derrida incluir o saber psicanalítico, principalmente
no que se refere a Tânatos e suas múltiplas
expressões, em campos responsáveis pelo
funcionamento coletivo como a justiça, a ética
e a política, é absolutamente necessário
para se poder obter novos equacionamentos para os
velhos problemas da violência e da destruição.
Temos, por isso, uma vocação e uma responsabilidade.
Desejamos que o congresso que se aproxima, assim como
esta revista, sejam úteis para darmos mais
alguns passos no desenvolvimento de nossa disciplina
e através deles contribuirmos para o aperfeiçoamento
da civilização.
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Resumos
Transferência/contratransferência:
“terreno movediço”
Ronaldo
Mendes de Oliveira Castro *
Resumo: O autor delimita
o vasto tema da transferência à relação
analítica. Faz referência, resumidamente,
a alguns conceitos associados à evolução
do fenômeno da transferência e contratransferência,
nas concepções de Freud, Klein e Bion,
destacando aspectos relacionados ao uso, atuações
(transgressões) e abusos, na análise.
Finalmente, relata duas situações de
sua experiência, onde ocorreram transgressões
e ou enactments no processo analítico, com
o propósito de enriquecer a discussão
e reflexão sobre o assunto.
Unitermos: transferência, contratransferência,
relação analítica, conceito e
evolução, uso, abuso, transgressão,
atuação, enactment.
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Uso
e abuso da transferência
Maria
da Penha Zabani Lanzoni*
Resumo:
Inspirada pelo meu trabalho clínico; pela obra
de Isaias Melsohn com sua crítica ao conceito
de inconsciente; pela recuperação do
método psicanalítico em obra –
hoje conhecida como “Teoria dos campos”
– de Fabio Herrmann e seu conceito de campo,
derivação da crítica ao conceito
de inconsciente; por uma reflexão de Durkheim
para quem “As almas individuais agregadas geram
um fenômeno sui generis, ‘uma vida psíquica
de um novo gênero’; proponho, neste trabalho,
pensarmos na alternativa de trabalharmos com o conceito
de “campo transferencial” e não
apenas com os conceitos de transferência e contra-transferência.
Unitermos: inconsciente, campo, transferência,
campo transferencial.
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Questões éticas
na transferência e na confidencialidade
Paulo
Marchon*
Resumo:
O autor focaliza a importância da relação
transferencial desenvolvida em uma análise
e chama a atenção para a problemática
ética envolvendo o paciente, analista, supervisores
e professores, face à situação
especial dos pacientes e, especificamente, dos candidatos.
Mostra a importância de favorecer o diálogo
dentro das sociedades a respeito destes problemas
e chama a atenção para algumas tentativas
de enfoque possíveis. Aborda a possibilidade
de uma Ouvidoria a fim de facilitar o atendimento
de tais questões com um mínimo de burocracia
e um máximo de diálogo. Lembra o caso
de Masud Khan, que, quarenta anos depois, ainda dá
trabalho à Sociedade Britânica, conforme
está no paper de Anne Marie Sandler, bem como
no editorial do International Journal of Psychoanalysis.
Unitermos: transferência, professor, pai, atuação,
Masud Khan, Wynne Godley, Anne Marie Sandler, confidencialidade,
amor.
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Distúrbios
da alimentação, anorexia, bulimia e
compulsões: histórias de segredos e
paixões
Marina Ramalho Miranda•
Resumo: A contribuição da psicanálise
está em oferecer seu olhar, que toma os fenômenos
anoréxicos e bulímicos como manifestações
de um sofrimento psíquico, organizações
defensivas extremamente poderosas que enclausuram
a mente num corpo-cárcere, pelas formas atuadas
e violentas de expressão corporal, pelos sucessivos
actings, típicos da era contemporânea,
onde a elaboração ponderada do pensar
é trocada pelas ações impulsivas
da concretude psíquica, impossibilitando o
psiquismo dessas mulheres1 de atender seus desejos,
que ficam perdidos e negados. Mulheres fundidas com
a figura materna, que caminham na contramão
da natureza o tempo todo, escondendo seus atrativos
femininos, negando a fome, a dor, a vontade sexual,
assim como as suas necessidades afetivas em geral,
e escolhem a comida e o corpo como representantes-fetiches
de um afeto que na verdade nada tem a ver com a alimentação
em seu sentido concreto.
Unitermos: anorexia, bulimia, sofrimento psíquico,
alimentação.
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Patologias
narcísicas e alteridade
Paulo
Cesar Sandler*
Resumo: O estudo enfoca conseqüências macro-sociais
de aspectos relacionados à posição
esquizo-paranóide e narcisismo, originando
desprezo à vida e ao outro. Sem psicologismos
ou sociologismos, ou seja, sem reducionismos, usa
o tema “Psicanálise e poder”, que
havia sido enfocado anteriormente pelo autor em 1986.
Tenta iluminar certos mecanismos psicóticos
e estados de alucinose compartilhada que marcam a
ascensão e queda de regimes totalitários
e criminosos. O fato das quedas serem súbitas
e muito rápidas é enfocado. Questões
de consideração à verdade e à
vida são incluídas, assim como exemplos
práticos de inserções da psicanálise
em meios sociais marcados por política e fantasias
de poder e imortalidade.
O poder é considerado como um estado paradoxal,
e não como algo suscetível a ser analisado
sob relações de causa e efeito sociológicas
ou psicológicas. Assim, seria extrínseco
e intrínseco ao indivíduo. Extrínseco
ao indivíduo, na medida em que se substancia
em pares ou grupos, e se concretiza por meio de conluios
e identificações projetivas cruzadas
dependentes de relações entre pessoas.
Estas relações incluem sempre idealizações
e fantasias sádicas. E ao mesmo tempo intrínseco
a indivíduos, que precisa ter uma determinada
dotação – provavelmente genética
– de narcisismo, esquizoidia e paranóia.
A inveja primária, típica destes estados,
se consuma tanto no “poderoso” como no
“apoderado”. Que se igualam nestas dotações,
sendo a alucinose, a mídia fantasiosa pela
qual a fantasia se concretiza. Na falta de evidência
de superioridade de um ser humano sobre o outro, como
toda mentira e fantasia, ela pode ser concretizada
de modo sempre destrutivo no âmbito da realidade
material, reproduzindo a destruição
havida na realidade psíquica.
Unitermos: psicanálise,
poder, identificação projetiva, alucinose,
narcisismo, alteridade, posição esquizo-paranóide,
idealização, vínculos, sadismo.
Voltar
O narcisismo na relação
analítica
Experiência básica de ruptura
Maria
de Fátima Rebouças Malva*
Resumo:
Aproximando o conceito freudiano de “ideal do
ego” (1923/1976) do de “melancolia”
(1917/1974), a autora estuda um estado de mente específico,
próprio da angústia experimentada diante
da ameaça de perda do objeto. Refere-se a um
ego ferido pelas profundas falhas em suas tentativas
de relação de objeto, erigindo, em função
de uma enorme angústia, uma necessidade de
que lhe seja justificada a eficiência da relação
objetal vivida. A experiência de falta de sentido,
apresenta-se dentro de um discurso vazio, já
que não encontra referências em seu mundo
interno, que lhe permita suportar o impasse. A dinâmica
é trazida para a relação analítica,
pensando na multiplicidade de experiências emocionais
experimentadas em cada momento de modo particular.
O encontro das mentes do analista e do analisando
determinam os pontos tocados em seus narcisismos e
suas defesas emergentes. Procura, nesse artigo, enfocar
esses momentos em que os egos, tanto do analista quanto
do analisando, sentem-se ameaçados pelo desamparo
e pelo vazio decorrentes da impossibilidade do pensar,
na situação específica do confronto
desses egos, levando ao que é denominado de
experiência básica de ruptura.
Unitermos:
narcisismo, relação analítica,
experiência básica de ruptura, ideal
do ego, melancolia, representante psíquico
do desamparo, sombra do objeto, identificação.
Voltar
Violência
contra bebês
Eliane
Pessoa de Farias*
Resumo:
Tomando como ilustração duas vinhetas
clínicas de consultas terapêuticas com
pais e bebês e o filme japonês Ninguém
pode saber, a autora desenvolve o tema buscando uma
compreensão dinâmica sobre as origens
dos maus-tratos e da negligência aos bebês.
Discorre sobre a precocidade dessa violência,
o funcionamento psíquico dos pais no pós-parto
e a reação das crianças frente
aos maus-tratos.
Unitermos: abandono,
bebê, maus-tratos, negligência, relação
pais-bebê, violência.
Voltar
A
difícil relação homem-mulher:
as vicissitudes do convívio com as diferenças
Ambrozina
Amalia Coragem Saad*
Resumo:
O texto apresenta uma reflexão acerca da relação
entre os gêneros, abordando a questão
da disputa do poder e do difícil convívio
com as diferenças. Aponta as representações
e os símbolos da condição masculina
e feminina na nossa sociedade, seus estereótipos
e as mudanças ocorridas nos últimos
tempos. Considera a relação entre os
gêneros como expressão das ideologias
e dos discursos masculino e feminino e ilustra a questão
com exemplos de letras de composições
musicais brasileiras. Ao final, conclui que o caráter
singular e enigmático da condição
humana – manifestação da interação
entre natureza e cultura – não permite
a apresentação de padrões rígidos
e definidos de relações.
Unitermos: gênero,
masculino-feminino, disputa de pode
Voltar
O
poder das identificações alienantes
quanto ao gênero
Teresa
Rocha Leite Haudenschild*
Resumo:
A autora apresenta dois casos clínicos em que
identificações e fantasias transgeracionais
impedem o crescimento psíquico das analisandas.
Detectadas, elas podem ser nomeadas e, como um fato
selecionado, focalizadas, podendo então iniciar-se
um trabalho de busca de significados para experiências
emocionais vividas nas relações intra-psíquicas
e intersubjetivas. Daí a importância
do analista contar com esse instrumental teórico
na abordagem transferencial-contratransferencial,
o qual muitas vezes possibilitará que analisando
e analista ultrapassem impasses do processo analítico,
insuperáveis de outra forma. Para finalizar
a autora propõe que o psicanalista não
deixe de contextualizar o indivíduo no grupo
e na cultura, em nome de uma “psicanálise
purista”, a seu ver empobrecedora.
Unitermos:
identificações alienantes, fantasias
transgeracionais, transferências transgeracionais,
capacidade negativa.
Voltar
Barbárie,
terrorismo e psicanálise
Fernando
Linei Kunzler*
Resumo:
O autor partindo do 11 de setembro de 2001, da barbárie
da morte do jornalista Tim Lopes e de uma propaganda
de alimentos em que seres humanos são os invólucros-comestíveis,
faz duas perguntas: é possível inscrever
estas violências no aparelho psíquico
e, do ponto de vista deste aparelho, não estaríamos
caminhando para trás, não estaríamos
voltando a ser bestas?
Unitermos: barbárie,
terrorismo, inscrição psíquica,
Freud-Fliess: carta 52.
Voltar
Barbárie,
terrorismo e paranóia
Roosevelt
M. Smeke Cassorla*
Resumo:
Após discutir o conceito de barbárie
civilizada, esse fenômeno e o terrorismo são
descritos utilizando-se o modelo da paranóia.
As fantasias e mecanismos projetivos são comparados
com a descrição do caso do Presidente
Schreber efetuada por Freud.
Unitermos: barbárie,
terrorismo, paranóia, caso Schreber.
Voltar
Barbárie?
Civilização: um ponto de vista psicanalítico
Ney
Couto Marinho*
Resumo:
O autor parte da suposição de que a
proposta dos organizadores do congresso é válida,
ou seja: a psicanálise tem algo a dizer acerca
de barbárie e terrorismo. Considera que qualquer
que seja a conceituação de terrorismo,
sempre implica num componente irracional, específico
objeto de estudo da psicanálise. Passa a discutir
a relação progresso e racionalidade,
a partir da contemporânea filosofia da ciência
(Larry Laudan) e da psicanálise (Hans Thorner).
Frisa o aspecto de perda e o conseqüente trabalho
de luto que acompanha a noção de progresso.
Utiliza um material clínico como pano de fundo
da discussão das diversas situações
de terror, nos tempos atuais. Menciona o debate, entre
Habermas e Derrida, sobre o acontecimento de 11/9/2001.
Assinala as divergências e a concordância:
luto pela razão iluminista e o resgate de suas
promessas. Finaliza articulando a “crise da
psicanálise” com o fracasso da razão
iluminista. Acompanha o texto referências cronológicas
à reação de Freud ao desencanto
com a Primeira Grande Guerra.
Unitermos: barbárie,
terrorismo, psicanálise, progresso, racionalidade,
luto.
Voltar
Garimpando na fronteira
psicanálise-literatura
Carlos
Doin*
Resumo:
O trabalho toma por base alguns dos diversos enfoques
que a questão dos traumas tem recebido na literatura
psicanalítica, inclusive seus vínculos
com a compulsão à repetição,
narcisismo, perversões e transferências,
além de outros. São destacados os paradoxos
da traumatofilia, em função de suas
origens e desdobramentos. Algumas contribuições
das neurociências são acrescentadas a
certas visões psicanalíticas do problema.São
comentadas as dificuldades técnicas das análises
destes casos e os possíveis limites da ação
terapêutica, do lado do paciente e do analista.
Alguns pontos são ilustrados com vinhetas clínicas.
Unitermos: trauma,
traumatofilia, compulsão à repetição,
neurociências, neurociência cognitiva
evolutiva
Voltar
O
fascínio do poder
Maria
Olympia de Azevedo Ferreira França*
Resumo: Neste trabalho
o autor pretende agregar um olhar psicanalítico
àquilo que considera a essência do poder
humano – constituição do sentimento
de estar vivo – a partir das propostas teóricas
de Freud, Klein, Winnicott e Bion, no que diz respeito
às categorias da força da pulsão,
suas figurações internas e externas
(phantasias), e o mecanismo de identificação
projetiva.
Unitermos: poder
e força de vida, poder onipotente das phantasias,
identificação projetiva, criatividade
primária.
Voltar
Terror,
representação e psicanálise
Deodato
Curvo de Azambuja*
Resumo:
O fio de ligação entre o grupal, o social
e o individual é a identificação,
uma das pernas do Édipo. Será através
dessa perna que encontramos a encarnação
do terror. A questão não está
em superar o Édipo ou as identificações,
mas em pensar o mito e não apenas sermos pensados
pelo mito. Ser apenas pensado pelo mito é o
território propício ao terror.
Unitermos:
mito, Édipo, terror, representação,
pensamento, psicanálise.
Voltar
Terror
e representação: um estudo ideográfico
José
Renato Avzaradel*
Resumo: O trabalho
visa estudar a constituição das representações
a partir da investigação da estrutura
dos ideogramas. Serão estudados pictoricamente
com apresentação de pranchas. A observação
destas permite que se compreenda como se formam os
significados, instrumentalizando o psicanalista para
uma prática mais acurada da rêverie.
Unitermos: ideograma,
representação, significado, rêverie.
Voltar
Psicanálise,
psiquiatria e poder*
Maria
Cristina Reis Amendoeira**
Resumo:
A partir das idéias de Berlinguer (1969/1976),
consolidadas no livro Psiquiatria e poder, com o material
produzido no seminário intitulado “Psiquiatria,
psicologia e relações de poder”,
em 1969, a autora referencia algumas questões
ali levantadas, para destacar as relações
existentes entre psicanálise e psiquiatria
na contemporaneidade.
Unitermos:
psiquiatria, psicanálise, contemporaneidade.
Voltar
Psicanálise
e socialismo
A utopia dos socialismos – ou quanto à
possibilidade da psicanálise socorrer o socialismo
democrático
Moises
Tractenberg*
Resumo:
A psicanálise poderá auxiliar o movimento
socialista democrático internacional em suas
crises apenas quando for capaz de pesquisar as origens
e encontrar soluções para as crises
do próprio movimento psicanalítico;
esvaziamento dos consultórios; diminuição
do interesse pela formação; omissão
dos psicanalistas frente aos comportamentos tanatofílicos
coletivos – guerras e mutilações
genitais de crianças e adolescentes. A verdadeira
contribuição da psicanálise ao
movimento socialista democrático consiste em
oferecer um conhecimento singular e privilegiado sobre
os significados inconscientes coletivos que governam
o novo processo sócio-cultural da humanidade.
Unitermos: marxismo,
psicanálise, socialismo, comunismo, nazismo,
matrizes patriarcais, organização fraterna,
inconsciente coletivo, big brother planetário.
Voltar
Afetos,
sobrevivência e desenvolvimento na neuro-psicanálise
Yusaku
Soussumi*
Resumo:
Neste trabalho, o autor retorna a um tema por ele
já diversas vezes abordado, buscando agora
fazer a sistematização que Freud e seus
seguidores não empreenderam, incorporando os
avanços na investigação dos afetos,
emoções e sentimentos alcançados
pela neurociência das emoções
e neurociência do desenvolvimento, principalmente
sob os pontos de vista da sobrevivência e da
evolução. A partir desses pontos, desenvolve
o trajeto evolutivo do processo de auto-regulação
e do desenvolvimento da cognição moduladas
pelos sentimentos como a maior conquista desse processo.
Unitermos: psicanálise,
neuropsicanálise, afetos, emoções,
sentimentos, cognição.
Voltar
Considerações
sobre uma experiência clínica
Theodolinda
Mestriner Stöcche*
Resumo:
Este trabalho tem por objetivo discutir o impacto
da experiência traumática, considerando-se
os aspectos do desenvolvimento psíquico e neuro-motor
observados numa criança de oito anos de idade.
Pretendemos oferecer uma visão orientada por
vários vértices, na interface da psicanálise
com a neurociência. Serão apresentados
os resultados de um trabalho de nove anos de acompanhamento,
no qual procuramos adequar a técnica psicanalítica,
seguindo as formulações de Anne Álvares
acerca do trabalho com crianças traumatizadas
nos primórdios do desenvolvimento.
Unitermos:
traumática, desenvolvimento, impacto.
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Resgatando
o feminino através da experiência somato-psíquica:
da dor ao sofrimento psíquico
Cândida
Sé Holovko*
Resumo:
Este artigo visa pontuar algumas reflexões
a respeito das manifestações somato-psíquicas
nas sessões psicanalíticas e sua relação
com integração de aspectos do feminino.
A partir da evolução de um processo
psicanalítico, a autora procura ressaltar como
algumas manifestações somáticas
de uma analisanda, podem ser vistas como sinais de
um processo transformador que marca a passagem de
um corpo feminino esquecido, não nomeado, para
um corpo banhado pela imaginação e mais
harmonioso com a psique.
Neste processo coloca em destaque o resgate do feminino-materno
como suporte da feminilidade, em uma analisanda com
profunda dissociação desses elementos
na personalidade.
Unitermos:
somatização, sexualidade feminina e
masculina, elemento feminino puro, materno puro, materno
primário, feminilidade, sonho.
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A
investigação psicanalítica está
ameaçada de extinção?
Theodor
S. Lowenkron*
Resumo:
Considero que o método de investigação
ocupa a posição primordial em relação
aos três sentidos propostos por Freud para psicanálise
– método de investigação,
forma de tratamento e teoria –, bem como admito
considerar a psicanálise uma ciência
empírica, remetendo a representação
da empiria, particularmente, ao campo da transferência.
Segundo Cooper, entretanto, a pesquisa empírica
consiste no estudo sistemático de qualquer
fenômeno realizado por meio de uma metodologia,
que permita alguma forma de análise estatística
e que forneça elementos que possibilitem a
outros tentarem replicar a experiência. Wallerstein
e Green ilustram exemplarmente a polêmica que
essa concepção de pesquisa empírica
suscita em psicanálise. Herrmann considera
que pesquisa dita empírica em psicanálise
é tentativa de imitação do modelo
positivista de erradicação de desvios
interpretativos do pesquisador, o que preside esse
tipo de pesquisa é a verificação
objetiva e o fascínio por experimentos quantitativos,
que não passa de uma certa nostalgia da ciência
natural, do desejo de substituir o método psicanalítico
pelo método de verificação quantitativa.
Já Renato Mezan delineia duas direções
para a pesquisa em psicanálise: a vertente
incluída nos programas universitários,
cujo objeto de pesquisa é constituído,
principalmente, por textos, e a vertente do modo de
produção dos conhecimentos psicanalíticos
de Freud, Kohut e Green. A coesão interna,
a comunicabilidade, a verificabilidade e a cumulatividade
aparentam a psicanálise às formulações
científicas e os aspectos da prática
terapêutica a aparentam às artes e à
ourivesaria. A contribuição de Birman
ao debate valoriza, por um lado, o espaço psicanalítico
não por sua exterioridade, mas pela dimensão
básica do processo psicanalítico e,
por outro, a interdisciplinaridade para o avanço
do saber psicanalítico, afirmando que é
a experiência psicanalítica que tanto
define a direção da pesquisa em psicanálise
como admite diversas possibilidades de clínica.
Com minha experiência em pesquisa e a reflexão
teórica apresentada insiro-me neste debate
posicionando-me com Freud: se a experiência
estiver alicerçada nos conceitos fundamentais
da psicanálise – o inconsciente, a resistência
e a transferência, qualquer linha de investigação
tem o direito de chamar-se psicanalítica. Enfim,
trata-se primordialmente de qualidade e não
de quantidade.
Ressalta-se, ainda, com vistas à sua contribuição
para o progresso no campo da psicanálise e
da saúde mental, a necessidade de revisão
da definição de psicanálise estabelecida
pela International Psychoanalytical Association (2003),
que se limita apenas a dois sentidos – a teoria
e a terapia – e desconsidera o sentido da investigação,
que, para Freud, é o primeiro dos três
sentidos da psicanálise.
Unitermos: conceito
de psicanálise, discussão conceitual,
análise crítica e proposta sobre a definição
atual de psicanálise da IPA.
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Interfaces:
psicanálise, medicina e saúde pública
Marta Regina
de Moraes Foster*
Resumo:
A proposta deste trabalho é demonstrar que
a “escuta psicanalítica” pode ser
uma grande aliada no trabalho em Instituições
Públicas e na Medicina. Para isto descrevo
minha experiência em dois projetos em que a
psicanálise atua em conjunto com médicos
em atendimentos de grupos em um hospital público
e pacientes com doenças crônicas em um
centro clínico.
Unitermos: escuta analítica, medicina, doenças
crônicas, saúde pública, grupos,
jogos patológicos, obesidade.
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O
lugar da psicanálise na justiça: lei,
drogas e
tratamento
Ivone
Stefania Ponczek*
Resumo:
Este trabalho aponta para a importância do diálogo
da psicanálise com a universidade, com outras
ciências, no caso, com as jurídicas,
com a finalidade de reforçar que o âmbito
de aplicação da psicanálise,
enquanto teoria e prática, não atravessa
apenas as paredes do consultório, também
tem compromisso social e político para promover
mudanças até nas leis, como foi no caso
da Lei 6368, que dispõe sobre drogas. Através
da participação em vários fóruns
de discussão sobre esta lei, a ser sancionada
pelo Senado, a autora e outros profissionais da área
de saúde, dentre estes, alguns psicanalistas,
puderam dialogar sobre questões concernentes
ao tratamento do usuário de substâncias
psicoativas, sua despenalização em prol
de tratamentos e, neste item, estabelecer críticas
à chamada “justiça terapêutica”,
apontando para questões clínicas e metodológicas.
Foram apontadas outras possibilidades de tratamento
e de abordagem da dependência a drogas, com
fundamento na psicanálise, como se preconiza
no Núcleo de Ensino e pesquisa em atenção
ao uso de drogas da Universidade do Rio de Janeiro
(NEPAD-UERJ), instituição na qual a
autora é coordenadora clínica.
Unitermos: diálogo intedisciplinar,
Justiça, compromisso político, lei,
drogas, justiça terapêutica, modalidades
de tratamento, dependência a substâncias
psicoativas.
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