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Editorial
5
  Leopold Nosek  
     
  Diálogos interdisciplinares  
     
A palavra encorpada: comentário à entrevista com Davi Arrigucci Jr.
9
  Liana Albernaz de Melo Bastos  
     
Reflexões sobre a interpretação psicanalítica estimuladas pelo texto de Davi Arrigucci Jr
17
  Elias Mallet da Rocha Barros  
     
Mesas do XX Congresso Brasileiro de Psicanálise - 1ª parte
Poder, sofrimento psíquico e contemporaneidade
 
     
  Psicanálise e poder  
O poder do biológico: o que pode a psicanálise?
27
  Adalberto Antonio Goulart  
     
  Ausência de poder e desamparo  
Ausência de poder e desamparo
37
  Leila Tannous Guimarães  
     
O terror do desamparo
45
  Alicia Beatriz Dorado de Lisondo  
     
Da impotência ao impossível
53
  Tania B. Leão Pedrozo  
     
  Questões de poder na psicogênese das patologias contemporâneas  
Cartografando o desamparo
59
  Aida Maria Moraes Ungier  
     
  Psicanálise e poder  
A utilidade do conceito de narcisismo destrutivo
63
  Ana Cristina D. Guimarães  
     
O poder é o maior afrodisíaco
69
  Leopold Nosek  
     
  O poder ausente e suas conseqüências psicopatológicas
 
O poder ausente e suas conseqüências psicopatológicas
73
  Sergio Antonio Cyrino da Costa  
     
Seqüestro da representação e trauma
 
O Seqüestro da representação e trauma
77
  Raquel Plut Ajzenberg  
     
Soma e representação
85
  Alexandre Kahtalian  
     
Indiferença, arbitrariedade e sofrimento psíquico
93
  Carlos Roberto Saba  
     
  O poder dos ideais e a idealização do poder  
Ideal e idealização na trama do poder
99
  José Otávio Fagundes  
     
  Sentimento de impotência
O sentimento de impotência na dupla analítica
105
  Maria Helena Lima de Oliveira Castro  
     
  Solidão, tédio e desamparo  
Solidão, tédio e desamparo: uma visão à luz do narcisismo
113
  Gisele de Mattos Brito  
     
A solidão na pós-modernidade
125
  Sylvia Salles Godoy de Souza Soares  
     
  Crime e violência: aspectos clínicos
 
Um crime parental: possíveis desdobramentos de abusos sexuais em filhos
135
  Maria Ines Escosteguy Carneiro  
     
Violência e crime: aspectos clínicos
143
  José Luiz Meurer  
     
  Vicissitudes da infância na clínica contemporânea
 
O que quer uma criança?
149
  Maria Silvia Regadas de Moraes Valladares  
     
  A ditadura da eficiência  
Eficiência e/ou desenvolvimento: uma questão de vértice
153
  Fernanda de Medeiros Arruda Marinho  
     
Psicanálise e psicossíntese 157
  José Antônio Pavan  
     
Resenhas - livros 165
     
Resenhas - revistas brasileiras 183
     
Lançamentos 193



Editorial


Leopold Nosek


A Revista Brasileira de Psicanálise tem larga trajetória. Teve seu primeiro número publicado na década de 20, marcando assim sua presença na intersecção entre a psicanálise e o modernismo em nosso meio. Contava com colaboradores pioneiros da psicanálise, como Durval Marcondes, intelectuais e médicos interessados na nova disciplina. Foi uma edição solitária, que só veio a ser retomada, novamente, em São Paulo, em 1967, quando passou a ser publicada regularmente. Em 1971 a SBPSP doou a revista para a ABP, federação das sociedades psicanalíticas do Brasil, contribuindo assim para estruturar a organização, em âmbito nacional, do movimento psicanalítico.
Faz parte, portanto, do projeto editorial da revista dar voz às manifestações da sua entidade provedora. Publicamos dois números conjuntos que apresentam os trabalhos científicos que serão apresentados no XX Congresso Brasileiro. São artigos que não sofrem seleção editorial; são produtos da nossa organização, com os méritos e dificuldades que caracterizam nossa produção atual. Fornecem aos leitores um bom mapeamento de onde nos encontramos atualmente. O eixo destes dois números é o tema “Poder, sofrimento psíquico e contemporaneidade”. Como projeto editorial, permanecemos no território de números temáticos. Teremos, para as próximas publicações, os temas humor, teoria pulsional e relações objetais e 150 anos comemorativos do nascimento de Freud. Convidamos a todos que enviem artigos*.
Apresentamos também na seção Diálogos Interdisciplinares, duas reflexões que trazem as repercussões da reflexão de Davi Arrigucci Jr. sobre interpretação. A visão da crítica literária é abordada por Elias M. da Rocha Barros e Eliana Albernaz de Melo Bastos. Estamos abertos a novas intervenções ao tema. Acreditamos que, assim como o eixo temático, esta seção de debates deverá permanecer em nosso projeto.
Como dissemos em números anteriores, estamos ensaiando uma nova apresentação gráfica e uma nova política editorial. Estas tentativas, por outro lado, não nos eximem de nos desculparmos por erros cometidos. Invocamos pois a paciência e a boa vontade dos autores e leitores e, ao mesmo tempo, pedimos que as avaliações continuem críticas e exigentes, pois é assim que pretendemos prosseguir com o nosso desenvolvimento.
O leitor poderá observar que a divisão em 2 números dos artigos publicados tenta respeitar a divisão da organização do Congresso e facilitar o manuseio durante a sua realização.
Teremos no volume que se segue um editorial a convite de Cláudio Rossi, que é o diretor científico do Congresso e da ABP. Expressamos também nossa gratidão a ele pela ajuda e boa vontade. Aproveitamos para cumprimentar Carlos Gari Faria e sua equipe que agora finalizam sua gestão na ABP, tarefa que realizaram com generosidade e competência.
Bom Congresso a todos.

*de acordo com as novas Normas da Revista publicadas no final de cada edição.

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O poder do biológico: o que pode a psicanálise?
Adalberto Antonio Goulart*

Resumo: O autor inicia o texto lembrando que Freud sempre sustentou a tese de que a psicanálise estaria contida no ramo das ciências naturais e que, embora preocupado com a relação entre corpo e psique, tenha privilegiado os aspectos psicológicos do psicossoma. Assim foi também com os principais autores que o sucederam. Nas últimas décadas, pressionados pela predominância de patologias mais primitivas, a dimensão somática tem despertado a atenção de autores mais contemporâneos (Bion, Winnicott, McDougall, Green). Com uma vinheta clínica o autor procura exemplificar a memória corporal (Fontes, 2002) surgida na transferência/contratransferência. O texto é desenvolvido salientando a importância de que os analistas possam compreender o psicossoma como uma unidade integrada que não pode ser dissociada, sob pena de grandes prejuízos para o sistema homem. Diante do poder do biológico, do tempo que o deteriora, apoiado pelas hipóteses de Ferrari, o autor questiona o que poderia a psicanálise em relação a graves doenças e pacientes terminais. Concluindo, reforça que o analista precisa ter uma atitude de respeito diante do inconsciente, mas também de humildade diante da natureza e do tempo. Assim, ainda que seja em situações extremas, quando espaço e tempo se condensam, a psicanálise poderia ser útil no sentido de ajudar estes pacientes a sonharem o que ainda não foi sonhado.

Unitermos: biologia, tempo, memória corporal, psicossoma, doentes terminais, transferência, contratransferência.

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Ausência de poder e desamparo *
Leila Tannous Guimarães **

Resumo: O trabalho procura refletir sobre ausência de poder e desamparo partindo de uma breve descrição de acontecimentos sociais, políticos e culturais que mostram as tendências da vida contemporânea e o impacto que estas podem causar sobre a subjetividade humana.
O objetivo é discutir a ausência de poder e desamparo relacionado às questões concernentes ao trauma, no sentido de apontar a “passividade” do indivíduo diante de situações trágicas e violentas que podem provocar uma intensa repercussão emocional quando não se está devidamente equipado, do ponto de vista psicológico, para suportá-las. O sentimento de desamparo é associado ao estado de angústia, uma experiência dolorosa na qual o indivíduo se vê abandonado e fora de si, sem recursos que possam lhe proteger de vivências catastróficas, medo, descrédito e desesperança.
Retoma a importância do conceito de trauma desde Freud até autores mais recentes, para ressaltar os desenvolvimentos teóricos da psicanálise em conjunção com a clínica contemporânea da ausência de poder e desamparo. Considera que a expressividade das neuroses descritas no apogeu do século XX encontra-se hoje limitada, se comparada à freqüência com que se apresentam as patologias multi-determinadas, tais como quadros psicossomáticos, transtornos narcísicos de personalidade e casos fronteiriços, nos quais se observam vazios existenciais e sérias deficiências das funções egóicas, demandando do analista uma revisão da clínica clássica.

Unitermos: poder, ausência de poder, violência, desamparo, trauma, resignificação do trauma, subjetividade.

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O terror do desamparo
Alicia Beatriz Dorado de Lisondo*

Resumo: O desamparo é a marca estruturante da condição humana. A privação e/ou pertubação no exercício da autoridade deixam um vácuo de sentido existencial. A crença em Deus é sustentada pela busca de amparo do ser humano. A autoridade se inspira em Eros. O autoritarismo em Thanatos. A função de autoridade exige maturidade, cuidado, respeito, responsabilidade, disponibilidade, esperança e fé para promover o desenvolvimento psíquico. O poder na psicanálise e nas instituições psicanalíticas é também explorado. A estrutura da subjetividade da autoridade legitima seu poder. Ausência de poder leva à morte psíquica.

Unitermos: desamparo, a importância do outro na estruturação psíquica, fé na psicanálise, autoridade, autoritarismo, fé na religião, o poder na psicanálise, ausência de poder.

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Da impotência ao impossível
Tania B. Leão Pedrozo*

Resumo: A autora faz algumas considerações a respeito do desamparo face à ausência de poder, em suas diversas manifestações. Em sua face mais subjetiva, considera a ausência de poder como originária, fundamentalmente, do enfraquecimento e mesmo apagamento da função paterna, determinando uma não orientação ao pai, aquele que faz a lei sem identificar-se com ela.
Em uma cultura assim, o supereu sádico exerce o imperativo do gozo: “Trabalhe!”, “Sofra!”, “Seja feliz!”. Face a esse tom obrigatório, o sujeito tende a se posicionar diante dos negócios públicos não se implicando naquilo que observa.
No âmbito social, a mudança do valor dos objetos na sociedade de consumo corresponde a uma redefinição dos objetivos morais do sujeito, não esquecendo de que o sentido que um objeto adquire depende da relação sujeito-mundo.
Quanto aos sujeitos, eles adotam diferentes estratégias para lidar com a incompletude ou a falta. As depressões e as drogas são algumas das formas de lidar com o desejo e a castração.
De que armas dispõe a psicanálise para lidar com essa guerra ?

Unitermos: função paterna, superego sádico, imperativo do gozo, desamparo, desejo.

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Cartografando o desamparo
Aida Maria Moraes Ungier*

Resumo: A autora se apóia nas reflexões de Michel Foucault e de Zygmunt Bauman, para pensar a transformação na estrutura e na relação com o poder na contemporaneidade, articulando essas reflexões com o conceito lacaniano de declínio da função paterna. Seu objetivo é questionar se essas mudanças seriam responsáveis pela produção das novas expressões do mal-estar e se a proposta freudiana contemplaria os desafios da clínica contemporânea.

Unitermos: poder, contemporaneidade, desamparo, criatividade.

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A utilidade do conceito de narcisismo destrutivo
Ana Cristina D. Guimarães*

Resumo: O uso do poder por indivíduos ou grupos está permeado pelas forças que atuam dentro deles. A idéia de que o poder está relacionado à destrutividade ou violência não é exclusiva dos psicanalistas. Nesse artigo, a autora examina algumas idéias expressas por Freud na década de 30, relacionadas ao instinto de morte como uma força poderosa por trás das motivações na busca do poder e da guerra. Destaca como Rosenfeld, nos anos 70, desenvolve o conceito de narcisismo destrutivo, baseado na patologia dos processos fusionais, levando à dominância do instinto de morte. Esta concepção é fundamental para a compreensão das patologias atuais, tão ligadas ao uso distorcido do poder. É apresentada uma situação clínica, onde um evento banal esconde o potencial destrutivo de um paciente. Como outros, trata-se de pessoa que leva uma vida dupla, sendo permanentemente chantageada por ela mesma. Vive sob um poder tirânico.

Unitermos: poder, instinto de vida, instinto de morte, fusão, narcisismo destrutivo, inveja.

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O poder é o maior afrodisíaco
Leopold Nosek*

Resumo: O autor pretende focar o tema poder no campo das perversões. Dentre as pulsões básicas presentes, a forma fálica é a que melhor configura o tema que se apresenta, tanto na normalidade como na anomalia psicopatológica. Utiliza-se de uma metáfora histórica para localizar a relação da sexualidade perversa com a morte.

Unitermos: poder, perversão, sexualidade infantil.

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O poder ausente e suas conseqüências psicopatológicas
Sergio Antonio Cyrino da Costa*

Resumo: O trabalho procura investigar a ambivalência, ao longo da história do movimento psicanalítico até os dias atuais, que envolve as dissidências e desmembramentos das instituições psicanalíticas a partir da célula-mater International Psychoanalytical Association, a IPA. Ao mesmo tempo que as afiliadas contestam a presença de leis e regras regulamentadoras do poder central, ressentem-se da falta da função agregadora e estruturante que a mesma instituição representa e desempenha, remetendo-se a ela.

Unitermos: instituições psicanalíticas, poder, IPA, divergências, ambivalências, estrutura, confiança.

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O seqüestro da representação e trauma
Raquel Plut Ajzenberg*

Resumo: Este trabalho discorre sobre o trauma a partir da irrupção de situações que surpreendem e violentam o indivíduo. Irá analisar suas conseqüências sobre o psiquismo, em especial sobre as dificuldades no processo de representação. Entende a importância dos fatores externos e fatores psíquicos como intimamente interligados, e que seus efeitos serão diversos conforme as disponibilidades individuais.
Ilustro com um caso clínico, onde a paciente sofrera um seqüestro, e descrevo como as sessões de análise foram utilizadas como um espaço em busca de representações para o processo de metabolização do evento traumático.

Unitermos: trauma, representação, seqüestro, metabolização.

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Soma e representação
Alexandre Kahtalian

Resumo: a partir do trabalho com um adolescente o autor descreve os principais aspectos da dificuldade em lidar com pacientes que apresentem o seqüestro da representação utilizando principalmente a via somática em situações de trauma. São discutidos novos aportes teóricos e a possibilidade de investigação do self fragilizado pelo viés da intersubjetividade.

Unitermos: trauma, representação, intersubjetividade, self, empatia, psicossomática, reconstrução.

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Indiferença, arbitrariedade e sofrimento psíquico
Carlos Roberto Saba*

Resumo: O autor procura pensar os temas indiferença, arbitrariedade e sofrimento psíquico a partir de suas próprias idéias sobre o vínculo mãe-bebê, buscando avaliar uma variedade de estruturas de vínculos em que aparece a indiferença, diferenciá-las e entendê-las visando sempre a clínica psicanalítica, assim como busca, entendendo a arbitrariedade, associá-la à indiferença e, por fim, mencionar o sofrimento psíquico tanto do paciente como, muitas vezes, do analista, no trabalho destes casos.

Unitermos: indiferença, arbitrariedade, sofrimento psíquico, narcisismo, vínculos, relação mãe-bebê, poder, vazio afetivo.

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Ideal e idealização na trama do poder
José Otávio Fagundes*

Resumo: O autor examina o tema através da literatura psicanalítica e mitologia. Contextualiza o poder dos ideais como uma capacidade mental que decorre da simbolização da concretude do pulsional. Situa a idealização do poder como abuso do poder e manifestação do narcisismo primário, sendo característico do autoritarismo. O poder com autoridade não implica em abuso, mas no uso legítimo do poder, símbolo da justiça e criatividade. Apresenta vignette de caso clínico.

Unitermos: poder, ideal do ego, narcisismo, idealização, autoridade, autoritarismo, simbolização, mitologia, saber.

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O sentimento de impotência na dupla analítica
Maria Helena Lima de Oliveira Castro*

Resumo: A autora examina dor física, dor psíquica, sofrimento e sentimento de impotência, apoiando-se em algumas idéias de filósofos e psicanalistas. Apresenta material clínico, destacando os sentimentos de impotência, vivenciados pela analista e pelo paciente.

Unitermos: dor física, dor psíquica, sofrimento, sentimento de impotência.

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Solidão, tédio e desamparo: uma visão à luz do narcisismo
Gisele de Mattos Brito*

Resumo: Este trabalho é uma reflexão sobre o sentimento de solidão, tédio e desamparo, sob o vértice do narcisismo. A autora utiliza material clínico em que demonstra como a diminuição nas defesas narcísicas expõe o paciente a um profundo sentimento de solidão, tédio e desamparo, assim como a uma acentuada angústia de se entregar à relação com o analista, confiar e lidar com o sentimento de que ‘é só e ao mesmo tempo dependente’ (Bion) e que precisa do outro para amar, compartilhar e crescer. Ressalta que embora o sentimento de solidão nunca seja superado, há uma profunda diferença entre o sentimento de solidão e desamparo ligado às ansiedades psicóticas, em que o narcisismo se estrutura, e o sentimento de solidão ligado às ansiedades depressivas. No primeiro, as vivências de desintegração predominam. No segundo, há uma vivência de integração com toda a dor mental inerente a esse processo.

Unitermos: narcisismo, defesa, trauma, inveja, solidão, desamparo, dependência.

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A solidão na pós-modernidade
Sylvia Salles Godoy de Souza Soares*

Resumo: Esse trabalho tece considerações sobre um sentimento de solidão devastador, enquanto sub-produto da pós-modernidade. Estabelece relações entre o estilo de vida predominantemente pautado pelo individualismo e o narcisismo, bem como, com os processos de luto mal e mal esboçados, e o hiato criado nas representações mentais. A autora destaca a solidão de sobreviventes a situações de abandono – real ou simbólico –, dando ênfase à solidão do idoso. Traz como ilustração retratos de uma apreensão da realidade: Uma mulher jovem que às voltas com sua realização amorosa, deixa seus filhos ao desamparo, e sequer vislumbra a penúria em que eles foram arremessados por sua ausência. Um homem de meia idade, que se debate para manter seu status social – como única forma de representação de si mesmo – e que nem de perto desconfia o estado de abandono que ficava sua mãe. Mulheres idosas, sobreviventes de seus pares, que são precipitadas num campo de isolamento – em decorrência das grandes perdas ao longo da vida. Complementa, por considerar que o vazio gerado – pelo esgarçar dos vínculos de sustentação – dá origem a um impedimento de representações, o que, em última análise, chamamos solidão.

Unitermos: solidão, pós-modernidade, individualismo, narcisismo, desamparo, luto, vazio de representações.

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Um crime parental: possíveis desdobramentos de abusos sexuais em filhos
Maria Ines Neuenschwander Escosteguy Carneiro*

Resumo: A autora, a partir de um caso clínico, procura levantar questões sobre as possibilidades que poderão ocorrer, inclusive em relação ao enactment durante o processo analítico, em casos dessa natureza . O filicídio, fantasia inerente ao ser humano, é aqui configurado como abusos por figuras parentais. Nos casos de abusos sexuais que chegam à análise, pode-se verificar que o objeto-figura parental , tornando-se o traumatizador real, causará perturbações maiores no mundo interno do sujeito-filho, uma vez que essa experiência dolorosa e cruel também trará impedimentos e perturbações à apreensão da realidade externa. Entre as várias conseqüências clínicas, estará a reedição dessas perturbações no setting analítico. A reparação, objetivo de toda análise, terá maiores dificuldades, pois que o ódio estará exacerbado e a repetição dos conflitos na transferência deverá ser intensa. A perseverança do analista será fator fundamental.

Unitermos: filícidio; enactment; crime parental; relações de objeto; transferência.

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Crime e violência: aspectos clínicos
José Luiz Meurer*

Resumo: O objetivo deste trabalho é examinar algumas idéias de autores psicanalíticos renomados que abordam a importante questão do crime e da violência, tal como surge na situação analítica e no ambiente social. Destaca as raízes das tendências criminosas nos estados mentais primitivos e sob a influência de ansiedades e defesas referentes ao conflito edípico, tal como estudadas por S. Freud e M. Klein. Também põe em relevo a ação de impulsos agressivos e violentos e de fantasias inconscientes contra objetos e situações percebidos como frustradores; menciona o deficiente controle egoico desses impulsos e instintos, e a ação da identificação projetiva, os quais tem expressão no comportamento criminoso e violento, no acting-out e também na transferência

Unitermos: crime, violência, criminalidade, tendências criminosas, impulsos destrutivos, acting-out violento.

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O que quer uma criança?
Maria Silvia Regadas de M. Valladares*

Resumo: A autora, através de vinhetas clínicas, destaca as relações primitivas, onde estruturam as bases da personalidade, como chave importante para o entendimento e distúrbios psíquicos borderlines na vida adulta.

Unitermos: relacionamentos primitivos, desordens psíquicas, borderlines, prevenção.

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Eficiência e/ou desenvolvimento: uma questão de vértice
Fernanda de Medeiros Arruda Marinho*

Resumo: A autora aborda o tema proposto sob o ângulo da necessária restrição de vértices implicada naqueles que vivem sob a “ditadura da eficiência”. Considera que o conceito de visão binocular de W. R. Bion se mostra útil na compreensão do fenômeno, observado no amplo espectro em que se situam os diferentes graus de desenvolvimento mental, desde aspectos evidentes nos distúrbios obsessivos até aqueles peculiares à personalidade psicótica. Explora, com a exposição de fragmentos de dois casos clínicos, um próprio e outro descrito por Hans Thorner, os processos de dissociação e exclusão característicos, que resultam em imensuráveis não só para o indivíduo, como para o grupo em seu processo de civilização.

Unitermos: eficiência, vértice, visão binocular, sucesso/fracasso.

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Psicanálise e psicossíntese
José Antônio Pavan*

Resumo: O objetivo deste trabalho é abordar algumas especificidades da prática psicanalítica relacionada com as concepções de cientificidade e eficiência. Especificamente pensar a inserção da clínica psicanalítica dentre as abordagens possíveis da mente humana quando se defronta com problemas de desenvolvimento.

Unitermos: psicanálise, psicossíntese, eficiência.

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