Editorial
Leopold Nosek
A Revista Brasileira de Psicanálise tem larga
trajetória. Teve seu primeiro número
publicado na década de 20, marcando assim sua
presença na intersecção entre
a psicanálise e o modernismo em nosso meio.
Contava com colaboradores pioneiros da psicanálise,
como Durval Marcondes, intelectuais e médicos
interessados na nova disciplina. Foi uma edição
solitária, que só veio a ser retomada,
novamente, em São Paulo, em 1967, quando passou
a ser publicada regularmente. Em 1971 a SBPSP doou
a revista para a ABP, federação das
sociedades psicanalíticas do Brasil, contribuindo
assim para estruturar a organização,
em âmbito nacional, do movimento psicanalítico.
Faz parte, portanto, do projeto editorial da revista
dar voz às manifestações da sua
entidade provedora. Publicamos dois números
conjuntos que apresentam os trabalhos científicos
que serão apresentados no XX Congresso Brasileiro.
São artigos que não sofrem seleção
editorial; são produtos da nossa organização,
com os méritos e dificuldades que caracterizam
nossa produção atual. Fornecem aos leitores
um bom mapeamento de onde nos encontramos atualmente.
O eixo destes dois números é o tema
“Poder, sofrimento psíquico e contemporaneidade”.
Como projeto editorial, permanecemos no território
de números temáticos. Teremos, para
as próximas publicações, os temas
humor, teoria pulsional e relações objetais
e 150 anos comemorativos do nascimento de Freud. Convidamos
a todos que enviem artigos*.
Apresentamos também na seção
Diálogos Interdisciplinares, duas reflexões
que trazem as repercussões da reflexão
de Davi Arrigucci Jr. sobre interpretação.
A visão da crítica literária
é abordada por Elias M. da Rocha Barros e Eliana
Albernaz de Melo Bastos. Estamos abertos a novas intervenções
ao tema. Acreditamos que, assim como o eixo temático,
esta seção de debates deverá
permanecer em nosso projeto.
Como dissemos em números anteriores, estamos
ensaiando uma nova apresentação gráfica
e uma nova política editorial. Estas tentativas,
por outro lado, não nos eximem de nos desculparmos
por erros cometidos. Invocamos pois a paciência
e a boa vontade dos autores e leitores e, ao mesmo
tempo, pedimos que as avaliações continuem
críticas e exigentes, pois é assim que
pretendemos prosseguir com o nosso desenvolvimento.
O leitor poderá observar que a divisão
em 2 números dos artigos publicados tenta respeitar
a divisão da organização do Congresso
e facilitar o manuseio durante a sua realização.
Teremos no volume que se segue um editorial a convite
de Cláudio Rossi, que é o diretor científico
do Congresso e da ABP. Expressamos também nossa
gratidão a ele pela ajuda e boa vontade. Aproveitamos
para cumprimentar Carlos Gari Faria e sua equipe que
agora finalizam sua gestão na ABP, tarefa que
realizaram com generosidade e competência.
Bom Congresso a todos.
*de acordo com as
novas Normas da Revista publicadas no final de cada
edição.
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O
poder do biológico: o que pode a psicanálise?
Adalberto Antonio Goulart*
Resumo:
O autor inicia o texto lembrando que Freud sempre
sustentou a tese de que a psicanálise estaria
contida no ramo das ciências naturais e que,
embora preocupado com a relação entre
corpo e psique, tenha privilegiado os aspectos psicológicos
do psicossoma. Assim foi também com os principais
autores que o sucederam. Nas últimas décadas,
pressionados pela predominância de patologias
mais primitivas, a dimensão somática
tem despertado a atenção de autores
mais contemporâneos (Bion, Winnicott, McDougall,
Green). Com uma vinheta clínica o autor procura
exemplificar a memória corporal (Fontes, 2002)
surgida na transferência/contratransferência.
O texto é desenvolvido salientando a importância
de que os analistas possam compreender o psicossoma
como uma unidade integrada que não pode ser
dissociada, sob pena de grandes prejuízos para
o sistema homem. Diante do poder do biológico,
do tempo que o deteriora, apoiado pelas hipóteses
de Ferrari, o autor questiona o que poderia a psicanálise
em relação a graves doenças e
pacientes terminais. Concluindo, reforça que
o analista precisa ter uma atitude de respeito diante
do inconsciente, mas também de humildade diante
da natureza e do tempo. Assim, ainda que seja em situações
extremas, quando espaço e tempo se condensam,
a psicanálise poderia ser útil no sentido
de ajudar estes pacientes a sonharem o que ainda não
foi sonhado.
Unitermos: biologia, tempo, memória
corporal, psicossoma, doentes terminais, transferência,
contratransferência.
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Ausência
de poder e desamparo *
Leila Tannous Guimarães **
Resumo:
O trabalho procura refletir sobre ausência de
poder e desamparo partindo de uma breve descrição
de acontecimentos sociais, políticos e culturais
que mostram as tendências da vida contemporânea
e o impacto que estas podem causar sobre a subjetividade
humana.
O objetivo é discutir a ausência de poder
e desamparo relacionado às questões
concernentes ao trauma, no sentido de apontar a “passividade”
do indivíduo diante de situações
trágicas e violentas que podem provocar uma
intensa repercussão emocional quando não
se está devidamente equipado, do ponto de vista
psicológico, para suportá-las. O sentimento
de desamparo é associado ao estado de angústia,
uma experiência dolorosa na qual o indivíduo
se vê abandonado e fora de si, sem recursos
que possam lhe proteger de vivências catastróficas,
medo, descrédito e desesperança.
Retoma a importância do conceito de trauma desde
Freud até autores mais recentes, para ressaltar
os desenvolvimentos teóricos da psicanálise
em conjunção com a clínica contemporânea
da ausência de poder e desamparo. Considera
que a expressividade das neuroses descritas no apogeu
do século XX encontra-se hoje limitada, se
comparada à freqüência com que se
apresentam as patologias multi-determinadas, tais
como quadros psicossomáticos, transtornos narcísicos
de personalidade e casos fronteiriços, nos
quais se observam vazios existenciais e sérias
deficiências das funções egóicas,
demandando do analista uma revisão da clínica
clássica.
Unitermos: poder, ausência de poder,
violência, desamparo, trauma, resignificação
do trauma, subjetividade.
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O
terror do desamparo
Alicia Beatriz Dorado de Lisondo*
Resumo:
O desamparo é a marca estruturante da condição
humana. A privação e/ou pertubação
no exercício da autoridade deixam um vácuo
de sentido existencial. A crença em Deus é
sustentada pela busca de amparo do ser humano. A autoridade
se inspira em Eros. O autoritarismo em Thanatos. A
função de autoridade exige maturidade,
cuidado, respeito, responsabilidade, disponibilidade,
esperança e fé para promover o desenvolvimento
psíquico. O poder na psicanálise e nas
instituições psicanalíticas é
também explorado. A estrutura da subjetividade
da autoridade legitima seu poder. Ausência de
poder leva à morte psíquica.
Unitermos:
desamparo, a importância do outro na estruturação
psíquica, fé na psicanálise,
autoridade, autoritarismo, fé na religião,
o poder na psicanálise, ausência de poder.
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Da
impotência ao impossível
Tania B. Leão Pedrozo*
Resumo:
A autora faz algumas considerações a
respeito do desamparo face à ausência
de poder, em suas diversas manifestações.
Em sua face mais subjetiva, considera a ausência
de poder como originária, fundamentalmente,
do enfraquecimento e mesmo apagamento da função
paterna, determinando uma não orientação
ao pai, aquele que faz a lei sem identificar-se com
ela.
Em uma cultura assim, o supereu sádico exerce
o imperativo do gozo: “Trabalhe!”, “Sofra!”,
“Seja feliz!”. Face a esse tom obrigatório,
o sujeito tende a se posicionar diante dos negócios
públicos não se implicando naquilo que
observa.
No âmbito social, a mudança do valor
dos objetos na sociedade de consumo corresponde a
uma redefinição dos objetivos morais
do sujeito, não esquecendo de que o sentido
que um objeto adquire depende da relação
sujeito-mundo.
Quanto aos sujeitos, eles adotam diferentes estratégias
para lidar com a incompletude ou a falta. As depressões
e as drogas são algumas das formas de lidar
com o desejo e a castração.
De que armas dispõe a psicanálise para
lidar com essa guerra ?
Unitermos: função paterna, superego
sádico, imperativo do gozo, desamparo, desejo.
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Cartografando
o desamparo
Aida Maria Moraes Ungier*
Resumo:
A autora se apóia nas reflexões de Michel
Foucault e de Zygmunt Bauman, para pensar a transformação
na estrutura e na relação com o poder
na contemporaneidade, articulando essas reflexões
com o conceito lacaniano de declínio da função
paterna. Seu objetivo é questionar se essas
mudanças seriam responsáveis pela produção
das novas expressões do mal-estar e se a proposta
freudiana contemplaria os desafios da clínica
contemporânea.
Unitermos: poder, contemporaneidade, desamparo,
criatividade.
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A
utilidade do conceito de narcisismo destrutivo
Ana Cristina D. Guimarães*
Resumo:
O uso do poder por indivíduos ou grupos está
permeado pelas forças que atuam dentro deles.
A idéia de que o poder está relacionado
à destrutividade ou violência não
é exclusiva dos psicanalistas. Nesse artigo,
a autora examina algumas idéias expressas por
Freud na década de 30, relacionadas ao instinto
de morte como uma força poderosa por trás
das motivações na busca do poder e da
guerra. Destaca como Rosenfeld, nos anos 70, desenvolve
o conceito de narcisismo destrutivo, baseado na patologia
dos processos fusionais, levando à dominância
do instinto de morte. Esta concepção
é fundamental para a compreensão das
patologias atuais, tão ligadas ao uso distorcido
do poder. É apresentada uma situação
clínica, onde um evento banal esconde o potencial
destrutivo de um paciente. Como outros, trata-se de
pessoa que leva uma vida dupla, sendo permanentemente
chantageada por ela mesma. Vive sob um poder tirânico.
Unitermos:
poder, instinto de vida, instinto de morte, fusão,
narcisismo destrutivo, inveja.
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O
poder é o maior afrodisíaco
Leopold Nosek*
Resumo:
O autor pretende focar o tema poder no campo das perversões.
Dentre as pulsões básicas presentes,
a forma fálica é a que melhor configura
o tema que se apresenta, tanto na normalidade como
na anomalia psicopatológica. Utiliza-se de
uma metáfora histórica para localizar
a relação da sexualidade perversa com
a morte.
Unitermos: poder, perversão, sexualidade
infantil.
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O
poder ausente e suas conseqüências psicopatológicas
Sergio Antonio Cyrino da Costa*
Resumo:
O trabalho procura investigar a ambivalência,
ao longo da história do movimento psicanalítico
até os dias atuais, que envolve as dissidências
e desmembramentos das instituições psicanalíticas
a partir da célula-mater International Psychoanalytical
Association, a IPA. Ao mesmo tempo que as afiliadas
contestam a presença de leis e regras regulamentadoras
do poder central, ressentem-se da falta da função
agregadora e estruturante que a mesma instituição
representa e desempenha, remetendo-se a ela.
Unitermos: instituições psicanalíticas,
poder, IPA, divergências, ambivalências,
estrutura, confiança.
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O
seqüestro da representação e trauma
Raquel Plut Ajzenberg*
Resumo:
Este trabalho discorre sobre o trauma a partir da
irrupção de situações
que surpreendem e violentam o indivíduo. Irá
analisar suas conseqüências sobre o psiquismo,
em especial sobre as dificuldades no processo de representação.
Entende a importância dos fatores externos e
fatores psíquicos como intimamente interligados,
e que seus efeitos serão diversos conforme
as disponibilidades individuais.
Ilustro com um caso clínico, onde a paciente
sofrera um seqüestro, e descrevo como as sessões
de análise foram utilizadas como um espaço
em busca de representações para o processo
de metabolização do evento traumático.
Unitermos: trauma, representação,
seqüestro, metabolização.
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Soma
e representação
Alexandre Kahtalian
Resumo:
a partir do trabalho com um adolescente o autor descreve
os principais aspectos da dificuldade em lidar com
pacientes que apresentem o seqüestro da representação
utilizando principalmente a via somática em
situações de trauma. São discutidos
novos aportes teóricos e a possibilidade de
investigação do self fragilizado pelo
viés da intersubjetividade.
Unitermos:
trauma, representação, intersubjetividade,
self, empatia, psicossomática, reconstrução.
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Indiferença,
arbitrariedade e sofrimento psíquico
Carlos Roberto Saba*
Resumo:
O autor procura pensar os temas indiferença,
arbitrariedade e sofrimento psíquico a partir
de suas próprias idéias sobre o vínculo
mãe-bebê, buscando avaliar uma variedade
de estruturas de vínculos em que aparece a
indiferença, diferenciá-las e entendê-las
visando sempre a clínica psicanalítica,
assim como busca, entendendo a arbitrariedade, associá-la
à indiferença e, por fim, mencionar
o sofrimento psíquico tanto do paciente como,
muitas vezes, do analista, no trabalho destes casos.
Unitermos: indiferença, arbitrariedade,
sofrimento psíquico, narcisismo, vínculos,
relação mãe-bebê, poder,
vazio afetivo.
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Ideal e idealização na trama do poder
José Otávio Fagundes*
Resumo:
O autor examina o tema através da literatura
psicanalítica e mitologia. Contextualiza o
poder dos ideais como uma capacidade mental que decorre
da simbolização da concretude do pulsional.
Situa a idealização do poder como abuso
do poder e manifestação do narcisismo
primário, sendo característico do autoritarismo.
O poder com autoridade não implica em abuso,
mas no uso legítimo do poder, símbolo
da justiça e criatividade. Apresenta vignette
de caso clínico.
Unitermos:
poder, ideal do ego, narcisismo, idealização,
autoridade, autoritarismo, simbolização,
mitologia, saber.
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O
sentimento de impotência na dupla analítica
Maria Helena Lima de Oliveira Castro*
Resumo:
A autora examina dor física, dor psíquica,
sofrimento e sentimento de impotência, apoiando-se
em algumas idéias de filósofos e psicanalistas.
Apresenta material clínico, destacando os sentimentos
de impotência, vivenciados pela analista e pelo
paciente.
Unitermos: dor física, dor psíquica,
sofrimento, sentimento de impotência.
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Solidão,
tédio e desamparo: uma visão à
luz do narcisismo
Gisele de Mattos Brito*
Resumo:
Este trabalho é uma reflexão sobre o
sentimento de solidão, tédio e desamparo,
sob o vértice do narcisismo. A autora utiliza
material clínico em que demonstra como a diminuição
nas defesas narcísicas expõe o paciente
a um profundo sentimento de solidão, tédio
e desamparo, assim como a uma acentuada angústia
de se entregar à relação com
o analista, confiar e lidar com o sentimento de que
‘é só e ao mesmo tempo dependente’
(Bion) e que precisa do outro para amar, compartilhar
e crescer. Ressalta que embora o sentimento de solidão
nunca seja superado, há uma profunda diferença
entre o sentimento de solidão e desamparo ligado
às ansiedades psicóticas, em que o narcisismo
se estrutura, e o sentimento de solidão ligado
às ansiedades depressivas. No primeiro, as
vivências de desintegração predominam.
No segundo, há uma vivência de integração
com toda a dor mental inerente a esse processo.
Unitermos: narcisismo, defesa, trauma, inveja,
solidão, desamparo, dependência.
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A
solidão na pós-modernidade
Sylvia Salles Godoy de Souza Soares*
Resumo:
Esse trabalho tece considerações sobre
um sentimento de solidão devastador, enquanto
sub-produto da pós-modernidade. Estabelece
relações entre o estilo de vida predominantemente
pautado pelo individualismo e o narcisismo, bem como,
com os processos de luto mal e mal esboçados,
e o hiato criado nas representações
mentais. A autora destaca a solidão de sobreviventes
a situações de abandono – real
ou simbólico –, dando ênfase à
solidão do idoso. Traz como ilustração
retratos de uma apreensão da realidade: Uma
mulher jovem que às voltas com sua realização
amorosa, deixa seus filhos ao desamparo, e sequer
vislumbra a penúria em que eles foram arremessados
por sua ausência. Um homem de meia idade, que
se debate para manter seu status social – como
única forma de representação
de si mesmo – e que nem de perto desconfia o
estado de abandono que ficava sua mãe. Mulheres
idosas, sobreviventes de seus pares, que são
precipitadas num campo de isolamento – em decorrência
das grandes perdas ao longo da vida. Complementa,
por considerar que o vazio gerado – pelo esgarçar
dos vínculos de sustentação –
dá origem a um impedimento de representações,
o que, em última análise, chamamos solidão.
Unitermos: solidão, pós-modernidade,
individualismo, narcisismo, desamparo, luto, vazio
de representações.
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Um
crime parental: possíveis desdobramentos de
abusos sexuais em filhos
Maria Ines Neuenschwander Escosteguy Carneiro*
Resumo:
A autora, a partir de um caso clínico, procura
levantar questões sobre as possibilidades que
poderão ocorrer, inclusive em relação
ao enactment durante o processo analítico,
em casos dessa natureza . O filicídio, fantasia
inerente ao ser humano, é aqui configurado
como abusos por figuras parentais. Nos casos de abusos
sexuais que chegam à análise, pode-se
verificar que o objeto-figura parental , tornando-se
o traumatizador real, causará perturbações
maiores no mundo interno do sujeito-filho, uma vez
que essa experiência dolorosa e cruel também
trará impedimentos e perturbações
à apreensão da realidade externa. Entre
as várias conseqüências clínicas,
estará a reedição dessas perturbações
no setting analítico. A reparação,
objetivo de toda análise, terá maiores
dificuldades, pois que o ódio estará
exacerbado e a repetição dos conflitos
na transferência deverá ser intensa.
A perseverança do analista será fator
fundamental.
Unitermos:
filícidio; enactment; crime parental; relações
de objeto; transferência.
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Crime
e violência: aspectos clínicos
José Luiz Meurer*
Resumo:
O objetivo deste trabalho é examinar algumas
idéias de autores psicanalíticos renomados
que abordam a importante questão do crime e
da violência, tal como surge na situação
analítica e no ambiente social. Destaca as
raízes das tendências criminosas nos
estados mentais primitivos e sob a influência
de ansiedades e defesas referentes ao conflito edípico,
tal como estudadas por S. Freud e M. Klein. Também
põe em relevo a ação de impulsos
agressivos e violentos e de fantasias inconscientes
contra objetos e situações percebidos
como frustradores; menciona o deficiente controle
egoico desses impulsos e instintos, e a ação
da identificação projetiva, os quais
tem expressão no comportamento criminoso e
violento, no acting-out e também na transferência
Unitermos:
crime, violência, criminalidade, tendências
criminosas, impulsos destrutivos, acting-out violento.
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O
que quer uma criança?
Maria Silvia Regadas de M. Valladares*
Resumo:
A autora, através de vinhetas clínicas,
destaca as relações primitivas, onde
estruturam as bases da personalidade, como chave importante
para o entendimento e distúrbios psíquicos
borderlines na vida adulta.
Unitermos:
relacionamentos primitivos, desordens psíquicas,
borderlines, prevenção.
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Eficiência
e/ou desenvolvimento: uma questão de vértice
Fernanda de Medeiros Arruda Marinho*
Resumo:
A autora aborda o tema proposto sob o ângulo
da necessária restrição de vértices
implicada naqueles que vivem sob a “ditadura
da eficiência”. Considera que o conceito
de visão binocular de W. R. Bion se mostra
útil na compreensão do fenômeno,
observado no amplo espectro em que se situam os diferentes
graus de desenvolvimento mental, desde aspectos evidentes
nos distúrbios obsessivos até aqueles
peculiares à personalidade psicótica.
Explora, com a exposição de fragmentos
de dois casos clínicos, um próprio e
outro descrito por Hans Thorner, os processos de dissociação
e exclusão característicos, que resultam
em imensuráveis não só para o
indivíduo, como para o grupo em seu processo
de civilização.
Unitermos: eficiência, vértice,
visão binocular, sucesso/fracasso.
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Psicanálise
e psicossíntese
José Antônio Pavan*
Resumo:
O objetivo deste trabalho é abordar algumas
especificidades da prática psicanalítica
relacionada com as concepções de cientificidade
e eficiência. Especificamente pensar a inserção
da clínica psicanalítica dentre as abordagens
possíveis da mente humana quando se defronta
com problemas de desenvolvimento.
Unitermos: psicanálise, psicossíntese,
eficiência.
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