Editorial
José Fernando de Santana Barros - 247 (a
convite)
XIX Congresso Brasileiro de Psicanálises
O método, o objeto e o objetivo da psicanálise.
Arte, ciência e técnica
José Antonio Pavan - 249
Armagedon: a violência no mundo contemporâneo
Liana Albernaz de Melo Bastos - 259
O método psicanalítico em Freud
Marion Minerbo - 271
Psicoterapia de orientação analítica
e o método. Agora muito mais psicanalítico
Bernard Miodownik - 279
A psicanálise pode não ser intersubjetiva?
Luiz Carlos Mabilde - 299
A psicanálise pode não ser intersubjetiva?
Viver é conhecer
Maria Cristina Borja Gondim - 311
Transgressões e desvios do método
Icleiber Calife - 333
Muito além do espelho
Adalberto A. Goulart - 343
A preservação do método, ante
as dificuldades atuais
Luiz Marcírio K. Machado - 355
Estudo sobre a cena analítica e o conceito
“Colocação em cena da dupla”
(enactment)
Roosevelt M. Smeke Cassorla - 365
Estruturas em cena no processo psicanalítico.O
setting psicanalítico para a clínica
hoje
Jaques Goldstajn - 393
Processo psicanalítico e mudança psíquica
Luís Carlos Menezes - 409
Repetição, retranscrições
eressignificação no processo
Deodato Curvo de Azambuja - 421
O espaço potencial como campo germinativo do
processo psicanalítico.
Caminhando entre Proust e a psicanálise
Anna-Maria de Lemos Bittencourt - 429
Um lugar para a surpresa no processo analítico:
considerações sobre o “bando”
e o “contrabando”
Ana Rosa Chait Trachtenberg - 443
Processo analítico: na clínica e na
formação analítica
Flávio Rotta Corrêa - 451
Sobre a identidade do psicanalista
Fernando José Barbosa Rocha - 461
A identidade do psicanalista. A psicologia do ego
freudiana e a psicanálise como “profissão
possível”
Victor Manoel Andrade - 485
O desenvolvimento das relações objetais
a partir de Melanie Klein
Marly Beaklini Guimarães Lemos
Maria Cristina Reis Amendoeira - 503
Freud, Hartmann e Kohut
Paulo Roberto Sauberman - 523
Freud, Hartmann (col.) e Kohut
Vilma Guilherme Santos de Araújo - 529
Depois de Freud, Bion nos ajuda a trabalhar com o
Édipo
Antonio Muniz de Rezende - 539
Psicanálise e neurociência: uma questão
de interesse prático
Carlos Doin - 547
Uma experiência prática de psicanálise
fundamentada pela neuro-psicanálise
Yusaku Soussumi - 573
Consulta psicanalítica ou tratamento experimental:
alternativas de pesquisa com o método psicanalítico
Theodor Lowenkron - 597
Da clínica psicanalítica à pesquisa
em psicanálise
Marisa Pelella Mélega - 611
Observação de bebês – método
Bick – uma vivência emocional significativa
para a criatividade
Rute Stein Maltz - 631
Observação da relação
mãe-bebê: método Esther Bick
Theodolinda Mestriner Stocche - 647
A constituição da feminilidade num caso
clínico
Teresa Rocha Leite Haudenschild - 655
Psicanálise e psicopatologia: passado ou futuro
Fernando Linei Kunzler - 669
O paciente psicossomático
Plinio Montagna - 679
Anorexia nervosa e a psicanálise: tendências
e uma leitura
Milton Della Nina - 687
Psicanálise: profissão ou especialização?
Alfredo Menotti Colucci - 711
A psicanálise diante da violência
José Otavio Fagundes - 721
Psicanálise, violência individual, violência
social
Aurea Maria Lowenkron - 737
Psicanálise e Artes Plásticas
Claudio Castelo Filho - 759
A segunda inocência: psicanálise e artes
Ignacio Gerber - 777
Psicanálise e literatura: Iluminações
mútuas
Juarez Guedes Cruz - 785
Psicanálise e Teatro
Alan Victor Meyer - 805
Psicanálise e mídia
Claudio Rossi - 815
A Jangada da Medusa e os náufragos da identidade.
Contribuição ao tema “Do culto
à imagem externa à consistência
da identidade interna”
Luiz Fernando Gallego
Maria do Carmo Andrade Palhares - 841
“Retrospectivando”: da psicologia institucional
à psicanálise
Regina Murat - 859
Um psicanalista no hospital geral – o atendimento
psicológico a pacientes submetidos a reconstruções
microcirúrgicas
Sara Kislanov - 885
Um psicanalista “pé descalço”
na comunidade
Joaquim Couto Rosa - 905
Tantas famílias!
Marci Dória Passos - 915
Clínicas sociais nos institutos de psicanálise
Maria de Fátima B. Calife Batista - 923
Clínicas sociais nos institutos de psicanálise.
Violência e trauma psíquico como situação
de risco em psicanálise
Edgar Chagas Diefenthaeler - 929
Psicanálise e literatura
Marialzira Perestrello - 943
Vicissitudes da psicanálise em idosos
Maria Cristina Reis Amendoeira - 959
Editorial
Com muita satisfação
recebi o convite para escrever este editorial no número
da RBP que publica os trabalhos a serem apresentados
no XIX Congresso Brasileiro de Psicanálise.
Este Congresso que se realizará mais uma vez
na minha cidade, sendo motivo de orgulho para todos
nós da SPR, vem coroar todo um trabalho de
difusão da psicanálise na região,
efetuado ao longo dos últimos oito anos. Imbuído
deste sentimento, terei a honra de presidi-lo na condição
de atual presidente da ABP, com a expectativa de um
grande encontro.
O tema “Psicanálise em transformação”,
incluindo os sub-temas “Método e processo
psicanalíticos”, remete a aspectos por
demais importantes e fundamentais para a nossa prática,
sobretudo em uma época de grandes mudanças
socioeconômicas e culturais que se constituem
em desafios para a psicanálise. Por muito tempo
o setting proposto para a condução de
uma análise padrão, restringiu e limitou
a nossa discussão – doutrinária
freqüentemente – a referenciais teóricos
e a técnicas de consultório. Acredito
que um aprofundamento do estudo do método nos
liberte para uma visão mais abrangente do nosso
ofício, à medida que tivermos mais consciência
da essência daquilo que fazemos. Contudo, esta
discussão fica para o Congresso.
Quanto ao formato pensado pela Comissão Científica,
a idéia é proporcionar mais tempo para
o aprofundamento dos debates, possibilitando uma maior
participação do público. Com
esta finalidade foram abolidas as plenárias
tradicionais e serão realizadas mesas-redondas
simultâneas, cada uma com duas breves apresentações
coordenadas por um colega que terá papel fundamental,
à medida que possa sintetizar os trabalhos,
orientar e estimular as discussões.
Atenção especial vem sendo dispensada
ao programa sociocultural no sentido de contemplar
os participantes com importantes aspectos da cultura
nordestina.
A festa de confraternização, rememorando
o Congresso de 1995, também será realizada
na antiga casa e consultório do Dr. José
Lins de Almeida, fundador de nossa Sociedade. Aquela
casa, ampliada e transformada em espaço de
recepções, tem para nós um importante
valor afetivo e simbólico. Ali participamos
dos primeiros grupos de estudos da obra de Freud;
ali, em uma reunião com os Drs. Lebovici e
Daniel Widlöcher, respectivamente presidente
e secretário da IPA na ocasião, nasceu
a idéia da criação do Núcleo
Psicanalítico do Recife, viabilizado posteriormente
pela ABP e as duas Sociedades do Rio de Janeiro (Rio
1 e Rio 2). Portanto, voltar àquela casa para
uma festa da comunidade psicanalítica é
motivo de muita emoção, sabendo que
o Dr. Lins estará por lá, “encantado”,
indo de mesa em mesa, cumprimentando os amigos de
todo o Brasil, com aquele seu corpo enorme, bonachão,
caminhando lentamente, embalando os sonhos que hoje
veria realizados.
A iniciativa da RBP de publicar antecipadamente os
trabalhos é extremamente louvável, pois
possibilita a leitura com antecedência e, conseqüentemente,
uma maior inserção nos temas que o leitor
escolher para participar com suas contribuições.
Creio que só me resta, já que não
sou mesmo de falar muito, agradecer ao nosso editor
João Batista França pelo excelente trabalho
que faz frente à nossa Revista, e pela oportunidade
que me deu de dirigir-me aos colegas.
Desejo a todos uma boa leitura e um bom Congresso.
José Fernando de Santana Barros
Presidente da Associação Brasileira
de Psicanálise
O método, o objeto
e o objetivo da psicanálise.
Arte, ciência e técnica
José Antonio Pavan, Marília
A partir das concepções
filosóficas de C. S. Peirce, são feitas
considerações sobre o estatuto científico
da psicanálise como prática clínica.
É considerado como o método analítico
é apropriado para alcançar seu objeto,
cumprindo com os objetivos da análise do psiquismo
humano por meio de uma conduta eticamente orientada,
atingindo seu fim esteticamente. Considera-se que
no processo analítico confluem arte e ciência,
esta em seu caráter teórico e prático.
Unitermos
Psicanálise • método • objeto
• objetivo.
Armagedon: a violência
no mundo contemporâneo
Liana Albernaz de Melo Bastos, Rio
de Janeiro
Considerando que a violência
sempre existiu, a autora busca estabelecer o que a
caracteriza no mundo atual e qual a contribuição
que a psicanálise pode oferecer para o seu
entendimento. Ilustrando a clínica dos sujeitos
contemporâneos através do filme “Dois
perdidos numa noite suja” e sustentada na análise
de Baudrillard sobre a globalização
e a emergência dos Estados Unidos da América
como potência única no pós –
11 de setembro, privilegia os conceitos freudianos
de pulsão de morte e do estranho ( Unheimlich
), para a discussão da violência do poder
narcísico globalizado.
Unitermos
Violência • globalização
• poder narcísico.
O método psicanalítico
em Freud
Marion Minerbo, São Paulo
Partindo de uma miniatura clínica de Freud
publicada em “As neuropsicoses de defesa”
(1894), procuro explicitar os movimentos invariantes
do método psicanalítico. Meu objetivo
é tentar responder às questões:
como Freud descobre o que descobre? Qual o método
embutido em seu fazer clínico, que produziu
a obra que conhecemos? Qual foi o caminho que percorreu,
e que continuamos a percorrer todos os dias?
Unitermos
Método psicanalítico • interpretação.
Psicoterapia de orientação
analítica e o método.
Agora muito mais psicanalítico
Bernard Miodownik, Rio de Janeiro
Há aproximadamente 50 anos, a relação
entre psicanálise e psicoterapia analítica
é um tema sempre presente na clínica.
A partir de inúmeras mudanças no ambiente
cultural e no corpo teórico e técnico
da psicanálise, este assunto vem se tornando
uma questão mais controversa. Como nas palavras
de Wallerstein (1995), saímos de uma “era
de consenso” na qual as duas categorias apresentavam
métodos e parâmetros bem definidos, para
os períodos de “fragmentação
do consenso” até o de um “mundo
sem consenso.” À medida que psicanalistas
começaram a praticar com mais freqüência
a psicoterapia analítica, houve uma aproximação
gradativa entre os métodos. Esse e os outros
fatores que contribuíram para a aproximação
entre as duas terapias, são historiados e relacionados
às modificações na teoria e na
técnica desde Ferenczi. São apresentados
argumentos e exemplos clínicos que visam demonstrar
a idéia de que, em determinadas condições
e situações clínicas, um processo
analítico pode ser desenvolvido, ainda que
o método psicanalítico clássico
não esteja sendo aplicado integralmente. A
aproximação entre psicanálise
e psicoterapia analítica levou a um método
de análise modificada que pode ser incluído,
utilizando novamente um termo de Wallerstein (1995),
entre as muitas psicanálises existentes no
movimento psicanalítico contemporâneo.
Unitermos
Psicanálise e psicoterapia analítica
• método psicanalítico modificado
• intersubjetividade • patologias graves.
A psicanálise pode
não ser intersubjetiva?
Luiz Carlos Mabilde, Porto Alegre
Este trabalho visa responder algumas questões
envolvendo a intersubjetividade como um novo paradigma
dentro do método psicanalítico. Nesse
sentido, visa, também, colocar uma certa ordem
dentro da ferrenha discussão entre psicanalistas
objetivistas, subjetivistas e interativistas, já
que a mesma tem sido pouco esclarecedora.
Para tanto, apresentam-se as rotas históricas,
conceituais e evolutivas donde desemboca a intersubjetividade,
bem como uma discussão de sua aplicação
técnica com base em material clínico
publicado por Jacobs, Ogden e Renik.
No final, o autor dá a sua opinião se
a intersubjetividade desloca ou não a psicanálise
para uma teoria interativa.
Unitermos
Método psicanalítico • teoria
da técnica • intersubjetividade.
Viver é conhecer
Maria Cristina Borja Gondim, Salvador
A autora propõe o viver como um processo de
conhecimento, compreendendo sua busca como a motivação
que move o analisando. Por isso, entende a construção
do conhecimento não só como formulação
de teoria substantiva, mas, também, como teoria
processual: o método. Esta problemática
é inserida num questionamento mais amplo, que
ultrapassa o indivíduo e a teoria psicanalítica,
observando-se que ela se amplia para todas as áreas
do saber, como questionamento do paradigma científico
da ciência moderna, vigente desde o século
XVIII.
Adotando, nesta área, o pensamento de Edgar
Morin como interlocutor privilegiado, examina a necessidade
de uma reforma dos princípios determinantes
do pensamento do analista, de modo a aproximá-lo
do pensamento complexo. E, na seqüência,
trata das conseqüências das diferentes
determinações paradigmáticas
para o processo clínico psicanalítico.
Finalmente, adota uma posição cautelosa
quanto ao significado expresso no tema “Desvios
e transgressões do método”.
Unitermos
Teoria psicanalítica • Desvios e transgressões
do método.
Transgressões e
desvios do método
Icleiber Calife, Recife
O autor utiliza-se do “Sonho da injeção
de Irma” para explicitar o que é método
psicanalítico. Fala das operações
falhadas, da psicopatologia da vida cotidiana, dos
chistes e suas relações com o inconsciente,
como a única maneira de explicar que atos humanos
comprovam a existência de um processo dinâmico
que promove a elaboração de um aparelho
psíquico que opera independentemente da vontade.
Fala do percurso de Freud para elaborar o método,
com seus desvios e contradições, até
chegar às transgressões de seus colaboradores
Jung, Adler e Otto Rank, os quais tentaram reformular
o método e a técnica psicanalítica.
Utiliza-se somente da obra de Freud para afirmar que
os reclamos ou tentativas de modificação
do método implicam a criação
de novas psicologias, não psicanalíticas.
Compara os reclamos atuais com os mesmos da época
de Freud, na tentativa de mudanças do método,
sem o devido respaldo científico que o justifique.
Unitermos
Transgressões • desvios • método.
Muito além do espelho
Adalberto A. Goulart, Aracaju
O autor desenvolve um estudo sobre a compreensão
atual dos conceitos de contratransferência,
identificações projetivas cruzadas e
contra-identificações, comunicações
intuitivas, pré-verbais e o conteúdo
latente das comunicações verbais. Discute
a importância da presença da personalidade
total do analista na sessão, inclusive enquanto
pessoa real, tanto quanto a do paciente, interagindo
e interferindo no processo, apesar da neutralidade
técnica buscada. O conceito de intersubjetividade
é destacado como sendo a fantasia da dupla
no campo analítico, construída pelo
encontro das subjetividades de ambos os componentes,
que serão resgatadas posteriormente, nas suas
diferenças, tendo sido enriquecidas pelo encontro
intersubjetivo. Destaca a importância de certa
dose de coragem e ousadia que o analista precisa ter
para que possa utilizar a matéria-prima que
emerge no campo intersubjetivo, sempre amparado por
uma sólida formação psicanalítica,
por seus estudos e especialmente por uma experiência
de análise pessoal satisfatória. Ilustra
o trabalho com uma sessão clínica em
que a experiência de um fenômeno intersubjetivo
emerge na situação analítica.
As turbulências que tais estudos causam no método
e no processo psicanalíticos são discutidas.
Conclui ressaltando que o mito da neutralidade jamais
poderia substituir a integridade do analista.
Unitermos
Psicanálise • processo e método
• objeto externo.
A preservação
do método,
ante as dificuldades atuais
Luiz Marcírio K. Machado, Porto Alegre
Este trabalho busca uma maior delimitação
entre o método psicanalítico em sua
essência e o conjunto de técnicas que
são pertinentes à sua aplicação
clínica. Também reavalia a definição
do objeto da psicanálise, enquanto ciência
que pesquisa o inconsciente e como uma forma de psicoterapia
que se baseia no fenômeno de transferência.
Em linhas gerais, tentamos demonstrar que algumas
técnicas são imprescindíveis
para a aplicação do método interpretativo
psicanalítico. São aquelas que visam
a apreensão do fenômeno transferencial
em seu "status nascendi" com um mínimo
de indução possível por parte
do analista.
Outras técnicas têm recebido novos aportes,
principalmente tendo em vista o enfoque intersubjetivo
atual da psicanálise, que leva em conta a especial
dialética da "transferência-contratransferência"
no campo psicanalítico.
Após uma rápida revisão de alguns
textos de Freud e comparando com outros autores, levantamos
a questão de serem ou não a freqüência
das sessões e o uso do divã, tão
imprescindíveis à aplicação
do método interpretativo psicanalítico,
quanto o são a regra fundamental e a atenção
flutuante.
Unitermos
Método • técnica • transferência
• contratransferência • intersubjetividade.
Estudo sobre a cena analítica
e o conceito
“Colocação em cena da dupla”
(enactment)
Roosevelt M. Smeke Cassorla, Campinas
O autor busca um modelo que facilite a compreensão
do que ocorre entre os membros da dupla analítica.
Após abordar, entre as artes narrativas, características
do cinema, literatura e teatro, propõe este
último como modelo mais apropriado. Nele, o
analista deverá comportar-se, ao mesmo tempo,
como ator, diretor, co-autor, crítico teatral
e iluminador. Enfatiza-se a capacidade crítica
do analista como instrumento de observação.
A seguir é descrito o fenômeno “colocação
em cena da dupla” (enactment), diferenciando-o
de acting-out. Considera-se ser ele um conceito controverso,
mas útil e sua teorização é
efetuada a partir de um vértice intersubjetivo.
O conceito de enactment é referido ao modelo
do teatro, antes sugerido. Finalmente, é apresentada
uma classificação das “colocações
em cena da dupla” (enactments), em normais e
patológicos, e estes em agudos e crônicos.
Unitermos
Técnica psicanalítica • intersubjetividade
• acting out • enactment (colocação
em cena).
Estruturas em cena no
processo psicanalítico
O setting psicanalítico para a clínica
hoje
Jaques Goldstajn, São Paulo
O autor apresenta material que justifica o desenvolvimento
do pensar o processo psicanalítico, baseado
na clínica contemporânea, onde se constata
uma maior procura de pacientes adictos químicos,
psicossomáticos e borderlines. Tomando essa
perspectiva, apresenta casos clínicos para
melhor fundamentar seu ponto de vista levando-nos
a concluir que há necessidade de fazerem-se
alterações do setting psicanalítico,
a exemplo das modificações ocorridas
nas análises de crianças. Desenvolve
neste artigo questões relacionadas às
estruturas em cena, ao processo psicanalítico,
apresentando vinhetas clínicas com a finalidade
de desenvolver elementos técnicos e metodológicos
que possam contribuir para repensar os elementos do
setting.
Chama atenção para a existência
de questões externas ao setting que necessitam
de espaço na sessão de análise,
e que podem ser confundidas com a transferência.
Propõe-nos a respeito das questões formais
que podem ser modificadas, como a do uso do divã,
do horário, dos honorários; e também
quanto à forma de introduzir as interpretações
para o analisando, o que provocaria maior facilidade
na capacidade de compreensão pelos pacientes.
Unitermos
Setting • teoria da técnica psicanalítica
• pacientes borderline.
Processo psicanalítico
e
mudança psíquica
Luís Carlos Menezes, São Paulo
Considerei o tema proposto sobre o processo analítico
dando ênfase à linguagem e considerando
que é no interior dela que se passa essencialmente
uma análise. Um exemplo clínico permitiu
ilustrar como entendo, deste ponto de vista, as intervenções
e mudanças neste processo. O modo de presença
do analista, indissociável de sua escuta, é
discutido neste trabalho. Não se podendo omitir
o que sabemos sobre a tendência paranóica
primária do Eu, importa que o analista, para
além de sua “pessoa” empírica,
possa instaurar pela sua escuta uma forma de presença
que garanta uma condição de ausência
na sessão, condição para que
a linguagem possa ali tornar-se o lugar da transferência,
ou seja, do estrangeiro.
Unitermos
Processo analítico • mudança psíquica
• transferência • contra-transferência
• linguagem na análise.
Repetição,
retranscrições e
ressignificação no processo
Deodato Curvo de Azambuja, São Paulo
O trabalho procura acompanhar alguns insights que
se estenderam a partir do 11 de setembro de 2001.
O autor destaca alguns modelos, a partir de seus insights,
de realidades absurdas, que se revelam a partir de
acontecimentos surpreendentes e às vezes inusitados.
São sonhos, estados alucinóticos, esquizoparanóides,
o “espetáculo do crescimento e reprodução”
pela conjugação feminino/masculino,
o desmoronamento das Torres Gêmeas do WTC. Todos
eles abrindo espaço por meio da linguagem e
comunicação para retranscrições
e ressignificações, e para as incertezas
da realidade, ao lado de absolutismos que buscam uma
eterna repetição.
Unitermos
Insight • repetição • retranscrição
• ressignificação • linguagem
• liberdade • absolutismo • relativismo
• êxito • realidade • absurdo.
O espaço potencial
como campo germinativo do processo psicanalítico.
Caminhando entre Proust e a psicanálise
Anna-Maria de Lemos Bittencourt, Rio de Janeiro
A situação paradoxal da experiência
estética, descrita por Proust em sua obra Em
busca do tempo perdido, a aproxima de outros fenômenos
criativos, igualmente paradoxais, descritos pela psicanálise
e, por isto mesmo, instigadores de pensamento. Ambos
exigem uma reflexão e uma teorização
e, embora advindos de campos de saberes diversos,
encontram um denominador comum no conceito de espaço
potencial. A autora discorre sobre a atividade germinativa
deste espaço, partindo das idéias de
bissexualidade em Proust, Winnicott e Freud e acena
para a importância de se considerar a experiência
psicanalítica um espaço desta natureza.
Unitermos
Experiência estética • espaço
potencial • criatividade • bissexualidade.
Um lugar para a surpresa
no processo analítico:
considerações sobre o “bando”
e o “contrabando”
Ana Rosa Chait Trachtenberg, Porto Alegre
O autor pretende, neste trabalho, tecer algumas considerações
a propósito da surpresa no processo analítico
enquanto elemento favorecedor do seu movimento. A
capacidade do analista por deixar-se penetrar pela
novidade da surpresa, e, especialmente, sair da paralisia
que ela desperta inicialmente, e progredir em direção
à curiosidade, transcorre no âmbito da
contratransferência bem-sucedida (a do “bando”).
São apresentados três exemplos do exposto
acima: identificações alienantes e a
escuta da escuta; figurabilidade e a escuta regrediente;
o corpo calado e a escuta corporal. No “contra-bando”
a contratransferência se manifesta com o predomínio
narcísico do analista, estabelecendo-se, assim,
um bloqueio à surpresa, ao novo e ao progresso
da situação analítica.
Unitermos
Contratransferência • surpresa •
identificações alienantes • figurabilidade
• processo analítico.
Processo analítico:
na clínica e na formação analítica
Flávio Rotta Corrêa, Porto Alegre
A partir da experiência clínica e no
exercício da função didática
no Instituto de Psicanálise da Sociedade Psicanalítica
de Porto Alegre, o autor desenvolve considerações
sobre a questão proposta pela mesa-redonda
"Existe um curso natural na evolução
do processo analítico?"
Unitermos
Psicanálise • processo • clínica
• formação analítica.
Sobre a identidade
do psicanalista
Fernando José Barbosa Rocha, Rio de Janeiro
O autor discute o estatuto, o objeto e os objetivos
da psicanálise, situando a importância
do setting analítico e da transferência
como elementos básicos do trabalho analítico.
Defende a idéia de que a instauração
do processo analítico e sua eficácia
estão diretamente associados às possibilidades
de o analista manter-se no “lugar de analista”.
Mantido em seu “lugar”, o analista não
impediria que a meta principal da psicanálise
se cumprisse, ao propiciar um movimento mais livre
da energia psíquica que criasse a formação
de cadeias significantes, a fim de conduzir a um movimento
no qual se dêem significações
e ressignificações. Apresenta e discute
o significado da formação de analista,
nela ressaltando a necessidade da análise pessoal,
dos estudos teóricos e do trabalho de supervisão.
Neste momento, o autor é categórico
em destacar a análise pessoal do analista como
elemento fundamental na formação de
sua identidade e na transmissão da psicanálise.
Visando corroborar as reflexões e discussões
sobre o tema, são apresentados alguns elementos
básicos da formação psicanalítica,
por meio do modelo de formação da Sociedade
Psicanalítica de Paris. Finalmente, o trabalho
indaga sobre quais devem ser os remanejamentos que
a psicanálise deverá operar a fim de
que a análise não recue diante das “novas
patologias da alma”.
Unitermos
Estatuto • objeto e objetivo da psicanálise
• identidade do psicanalista • análise
pessoal • supervisão • ensino teórico
• lugar de analista.
A identidade do psicanalista
A psicologia do ego freudiana e a psicanálise
como “profissão possível”
Victor Manoel Andrade, Rio de Janeiro
Dentre os fatores que contribuem para a crise universal
experimentada pela psicanálise, ressalta a
saída do leito de seu desenvolvimento natural.
A trajetória desse desenvolvimento foi estabelecida
por Freud, ao declarar que o estudo do ego é
nossa “tarefa maior”. Os quadros narcísicos
que nos defrontam cotidianamente soem ser compreendidos
fora dos termos sugeridos por Freud ao conceber o
ego como instância-síntese. Nesses casos,
são usadas múltiplas teorias nem sempre
coerentes entre si. Às vezes essas teorias
são conflitantes com a identidade freudiana
da psicanálise, rompendo, de certa forma, a
continuidade histórica de nossa ciência.
É inevitável a repercussão desses
fatos sobre a identidade do psicanalista. Se as contribuições
atuais à clínica do narcisismo forem
compreendidas à luz da psicologia do ego de
Freud, veremos que a identidade do psicanalista é
o elemento essencial do processo psicanalítico,
pois a recuperação de falhas básicas
do ego do paciente depende da integridade do ego do
analista. Nesses casos, a conduta do analista é
tão decisiva quanto suas interpretações.
Em “Análise terminável e interminável”,
em que tratou das alterações do ego,
foi mostrado que a firmeza de caráter do analista
(a solidez de sua identidade) é crucial para
tornar a psicanálise uma profissão possível.
Unitermos
Ego ampliado • psicanálise maior •
ego inconsciente • identificação
empática.
O desenvolvimento das
relações
objetais a partir de Melanie Klein
Marly Beaklini Guimarães Lemos,
Rio de Janeiro
Maria Cristina Reis Amendoeira, Rio de Janeiro
A teoria das relações de objeto nos
traz a compreensão do desenvolvimento emocional
humano e suas patologias. O conceito de identificação
projetiva, bastante desenvolvido e empregado na atualidade,
permite ao analista trabalhar inserido num campo relacional
rico de emoções transferenciais e contratransferenciais.
Outrossim, aproxima-nos do entendimento dos mais complexos
conteúdos mentais existentes na psicopatologia
da contemporaneidade.
Acrescentamos além da formação
do pensamento e do simbolismo, contribuições
de Bion e Segal, novos desenvolvimentos da triangulação
edípica, segundo Britton e uma breve apreciação
sobre o o enactment a partir do trabalho de Bateman.
As concepções teóricas desenvolvidas
neste trabalho são ilustradas por vinhetas
clínicas.
Unitermos
Teoria das relações objetais •
desenvolvimento das relações de objeto
• transferência • contratransferência
• narcisismo.
Freud, Hartmann e
Kohut
Paulo Roberto Sauberman, Rio de Janeiro
Este trabalho é uma apresentação
para um painel no Congresso de Psicanálise
que focaliza as relações entre Freud,
Hartmann e Kohut. O artigo focaliza uma série
de seminários dados por Kohut entre 1972 e
1974 sobre psicanálise para estudantes avançados
no Instituto de Chicago de Psicanálise e explora
as idéias novas por Kohut no período
de tempo entre a publicação de seus
dois livros: A análise do self e a Restauração
do self.
Unitermos
Heinz Kohut • psicologia psicanalítica
do self.
Freud, Hartmann (col.)
e Kohut
Vilma Guilherme Santos de Araújo, São
Paulo
Apoiada no ponto de vista de que a psicanálise
tem evoluído, procurei trazer, a partir de
Freud, as inovações contidas nas teorias
de Hartmann e Kohut.
Apoiando-me na premissa da construção
do psiquismo, seja por meio da teoria das pulsões
ou da teoria das relações objetais,
fiz a articulação entre os pontos de
vista teóricos de Freud, Hartmann (col.) e
Kohut.
Apresentei os fundamentos de cada uma das três
teorias levando em conta seus aspectos principais.
Em relação à teoria freudiana
me baseei nos conceitos que foram modificados por
Hartmann e por Kohut, e a partir dos quais desenvolveram
suas teorias.
Apontei as diferenças fundamentais entre a
Psicologia do Ego de Hartmann e a Psicologia do Self
de Kohut.
Unitermos
Teoria das pulsões • teoria das relações
objetais • área isenta de conflito do
ego • self objeto.
Depois de Freud, Bion
nos
ajuda a trabalhar com o Édipo
Antonio Muniz de Rezende, Campinas
Neste trabalho, minha intenção era mostrar
como Bion nos ajuda a fazer uma releitura do mito
de Édipo, de forma a nos proporcionar não
apenas uma melhor prática clínica, mas
também um posicionamento epistemológico
mais corajoso.
Unitermos
Personalidade • caráter • relacionamentos
• estrutura • elementos • função
• sexualidade • verdade • psicanálise
de adultos • desenvolvimento • mudança
catastrófica • reestruturação.
Psicanálise e neurociência:
uma questão de interesse prático
Carlos Doin, Rio de Janeiro
Tendo discutido diversas questões relativas
à interface psicanálise-neurociência
em outras oportunidades, inclusive nos dois últimos
congressos brasileiros de psicanálise, o autor
retoma o assunto sob um ponto de vista essencialmente
clínico, procurando atender aos que lhe fazem
perguntas do tipo: “Para que servem, na prática,
esses estudos? Não posso trabalhar sem eles?”
Na procura de melhores respostas, examina diversos
ângulos do problema e aponta várias contribuições
relevantes da neurociência à psicanálise,
destacando duas: a grande quantidade de dados empíricos
e de conceitos tendentes a corroborar muitas teorias
e noções psicanalíticas e a enfraquecer
outras; um maior entendimento de algumas condições
patológicas graves capaz de favorecer a abordagem
clínica e o manejo transferencial-contratransferencial
delas.
Unitermos
Interface • neurociência • neurociência
cogniitva evolutiva • neuromente • sistemas
motivacionais • insight biológico.
Uma experiência
prática de psicanálise fundamentada
pela neuro-psicanálise
Yusaku Soussumi, São Paulo
Uma versão reduzida deste trabalho foi apresentada
no XLII Congresso da IPA em Nice (2001), na mesa redonda:
“Psicanálise e neurociências”.
O autor apresenta agora, a versão integral,
com as fundamentações neuro-psicanalíticas,
que são diferentes das psicanalíticas.
O autor traz uma forma de trabalhar na situação
analítica, que foi desenvolvendo influenciado
no princípio por Bion, na busca de apreensão
da experiência emocional que ocorria no “aqui
e agora”. Ele constatou que uma das grandes
dificuldades dos analisandos em ter consciência
de seus estados emocionais se devia à falta
de desenvolvimento do aparelho para atenção
e percepção. Estas dificuldades por
si só tinham uma razão de ser nas vicissitudes
das experiências emocionais precoces. O desenvolvimento
da atenção, auto-percepção,
percepção do outro e das situações,
levou por meio da vivencia da experiência emocional
à elaboração das questões
aprisionadoras do psiquismo no sentido da maturação
e a profundas mudanças na forma de conduzir
a vida.
Unitermos
Psicanálise aplicada • neuro-psicanálise
• registros básicos de memória
• atenção • percepção
• volição.
Consulta psicanalítica
ou tratamento experimental: alternativas de pesquisa
com o método psicanalítico
Theodor Lowenkron, Rio de Janeiro
O autor trata nesta comunicação da consulta
terapêutica e do tratamento experimental como
alternativas de pesquisa com o método psicanalítico.
Transpõe a idéia de Winnicott de consulta
terapêutica com criança para a clínica
de adulto, substituindo o registro do encontro entre
analista e paciente por meio dos desenhos do jogo
de rabiscos pelo registro videogravado do encontro
com paciente adulto. As entrevistas preliminares são
retomadas dentro do espírito de tratamento
experimental ou de prova, conforme recomendava Freud.
O autor pretende testar a possibilidade de ampliação
do propósito original de Freud com o tratamento
experimental para além da questão do
diagnóstico, incluindo então a concepção
de Winnicott de consulta psicanalítica no tratamento
experimental.
Unitermos
Pesquisa psicanalítica • método
psicanalítico • consulta psicanalítica
ou terapêutica • tratamento experimental
ou de prova.
Da clínica psicanalítica
à pesquisa em psicanálise
Marisa Pelella Mélega, São Paulo
A autora tece algumas considerações
em torno do que é fazer pesquisa em psicanálise.
Apresenta a seguir uma metodologia de pesquisa usada
para o projeto que estuda a relação
entre o rêverie materno e o Desenvolvimento
da Capacidade Simbólica em Bebês de 0-18
meses de idade.
A amostra pesquisada constou de 212 relatos de visitas
de observação mãe-bebê
método Esther Bick. Foram estudados 19 díades
durante dois anos, em seguimento longitudinal semanal.
Os relatos foram supervisionados pela autora principal
da pesquisa, procedimento habitual nos grupos didáticos
de “Infant Observation”.
Estabeleceram primeiramente recortes nos relatos de
observação, que foram denominados Episódios
de Frustração seguindo um critério
baseado na reação do bebê à
frustração: início, possibilidade
e/ou não de resolvê-la, e fim da frustração
apoiando-se na teoria do pensar de Bion. Tais episódios
foram estudados aplicando-lhes categorias, construídas
e explicitadas no Manual de Pesquisa, que avaliam
tanto o comportamento da criança diante da
frustração quanto o rêverie materno
em cada Episódio de Frustração.
Resultados quantitativos são descritos e ilustrados
com tabelas. O Estudo Qualitativo do Corpus e a discussão
dos dados quantitativos estão sendo realizados
e oportunamente serão divulgados.
Palavras-chaves
Pesquisa psicanalítica • método
psicanalítico • observação
Esther Bick • rêverie materno •
capacidade simbólica • episódio
de frustração.
Observação
de bebês – método Bick –
uma vivência emocional significativa para a
criatividade
Rute Stein Maltz, Porto Alegre
Neste trabalho a autora procura estabelecer uma aproximação
entre a observação de bebês e
a obra de arte.
Como observadores de bebês, nós, de maneira
semelhante ao artista, com “o olhar”,
captamos e transmitimos o que vivenciamos diante da
obra de arte máxima da natureza humana: a relação
mãe-bebê. Esta relação,
por ser impactante, única e primitiva, se revela
para o observador fonte importante de criatividade.
A autora ilustra o tema proposto com material de observação
de bebês, de textos literários e de pinturas.
Destaca, a seguir, a importância da observação:
1. Para entendermos o desenvolvimento emocional primitivo
a partir da relação inicial da dupla
mãe-bebê.
2. Para refletirmos sobre o exercício de nossa
função terapêutica a partir do
que observarmos em nós mesmos, por meio da
observação e posterior discussão
no grupo de observadores.
3. Faz referência aos aspectos terapêuticos
da observação.
Entretanto, a autora faz questão de ressaltar
a significativa importância que a experiência
vivencial do Método Bick traz como contribuição
para a formação do psicanalista no trabalho
clínico com seus pacientes.
Unitermos
Método Bick • observação
de bebês • obra de arte
Observação
da relação mãe-bebê:
método Esther Bick
Theodolinda Mestriner Stocche, São Paulo
O método de observação da relação
mãe-bebê, preconizado por Bick há
quatro décadas, permitiu uma formidável
expansão de conhecimentos não só
na psicanálise, como também em diferentes
campos da ciência. Após a contextualização
do método, empreendemos uma reflexão
partindo de nossa experiência de observação,
focalizando questões tais como: as razões
que levam as gestantes a aceitarem a presença
de um observador na intimidade de suas casas e os
efeitos da separação precoce nas mães
e nos bebês. Concluímos que as mães
são receptivas à entrada do observador
na intimidade do lar porque, ao final da gestação,
sentem-se emocionalmente frágeis, com necessidade
de proteção. Assim, buscam na figura
do observador o suporte emocional de que necessitam
nesse período delicado de suas vidas. Por outro
lado, a separação aos três ou
quatro meses de vida da criança suscita diversas
reações psicossomáticas no bebê.
Nas mães foram observadas manifestações
de ansiedade e depressão, além de mecanismos
compensatórios. Os dados sistematizados em
nossa experiência demonstram que o vínculo
mãe-bebê é primordial e fundante
do psiquismo humano. O bebê é um produto
das trocas ativas entre o seu potencial e o meio ambiente
físico, social e emocional no qual ele se desenvolve.
Unitermos
Observação da relação
mãe-bebê • vínculo •
separação.
A constituição
da feminilidade
num caso clínico
Teresa Rocha Leite Haudenschild, São Paulo
A autora propõe que se estude a evolução
da feminilidade através do curso comum da vida
de uma mulher, ao invés de estudá-la
sob o peso das teorias clássicas baseadas no
“masculino” e nas patologias femininas.
Ela apresenta um caso clínico onde o leitor
pode observar a constituição da feminilidade
e conclui convidando a que se escrevam sobre casos
de evoluções predominantemente saudáveis
da mulher.
Unitermos
Constituição da femilidade • auto-continência
psíquica • pai internalizado •
orgulho de ser mulher.
Psicanálise e psicopatologia:
passado ou futuro
Fernando Linei Kunzler, Porto Alegre
O autor faz um breve recorrido histórico sobre
os conceitos básicos da psicanálise
em Freud, Klein, Winnicott, Bion, Lacan e o contemporâneo
André Green. Defende a idéia de que
os psicanalistas precisam estar bem embasados nos
alicerces teóricos e técnicos, aprofundar
e ampliar continuamente o estudo e aprimorar a técnica
para que a psicanálise seja sempre uma ciência
viva e pujante e possa ser definida não como
psicanálise passado ou futuro e, sim, como
psicanálise passado, presente e futuro.
Unitermos
Psicanálise • passado • presente
• futuro/psicopatologia • passado •
presente • futuro.
Psicanálise e psicopatologia:
passado ou futuro
Fernando Linei Kunzler, Porto Alegre
O autor faz um breve recorrido histórico sobre
os conceitos básicos da psicanálise
em Freud, Klein, Winnicott, Bion, Lacan e o contemporâneo
André Green. Defende a idéia de que
os psicanalistas precisam estar bem embasados nos
alicerces teóricos e técnicos, aprofundar
e ampliar continuamente o estudo e aprimorar a técnica
para que a psicanálise seja sempre uma ciência
viva e pujante e possa ser definida não como
psicanálise passado ou futuro e, sim, como
psicanálise passado, presente e futuro.
Unitermos
Psicanálise • passado • presente
• futuro/psicopatologia • passado •
presente • futuro.
O paciente psicossomático
Plinio Montagna, São Paulo
O autor traz alguns conceitos facilitadores da compreensão
dos fenômenos assim ditos psicossomáticos,
e a partir deles discute elementos úteis na
sua abordagem psicanalítica no processo psicanalítico
com os pacientes.
Unitermos
Paciente psicossomático • alexitimia
• psicossomática.
Anorexia nervosa e a psicanálise:
tendências e uma leitura
Milton Della Nina, São Paulo
O autor se propõe a uma leitura comentada da
literatura psicanalítica sobre a anorexia nervosa.
Tem como objetivo oferecer aos leitores facilitação
introdutória à complexa trama conceitual
produzida por essas investigações psicanalíticas.
Pressupõe a existência de um leitor que
possa com ele, autor do texto, se identificar: um
psicanalista interessado no tema, mas principalmente
buscando nessas conceituações emergentes
uma associação com problemas correlatos
da clínica. Apresenta inicialmente os passos
da caracterização nosológica
que a anorexia nervosa teve ao longo do tempo. Depois,
destaca da massa de conceitos existentes, com apresentação
resumida de trabalhos psicanalíticos selecionados,
algumas tendências conceituais à visão
psicodinâmica da síndrome. Complementa
a apresentação dessas tendências
com outros poucos exemplos, tomados isoladamente de
autores brasileiros, sem considerá-la uma revisão
bibliográfica. Finalmente, re-visitando seu
trajeto de leitura delineia possíveis caminhos
de pesquisa e conexão conceitual, e que teriam
relevância para a área da clínica
cotidiana. Aponta principalmente para o conceito de
espaço mental, sua relação com
o desenvolvimento da simbolização e
do espaço transicional na inserção
cultural, as defesas fóbicas primitivas frente
à neurose de angústia e a importância
da estruturação do ego corporal nos
fenômenos clínicos de pacientes fronteiriços
e psicossomáticos.
Palavras-chave
Anorexia nervosa • bulimia • espaço
mental • espaço transicional •
ego corporal • imagem corporal • fobia
• fronteiriço • psicossomático
• neurose de angústia • transtorno
de personalidade.
Psicanálise: profissão
ou especialização?
Alfredo Menotti Colucci
O autor estuda a inserção de uma ocupação
particular na cultura. Destaca a psicanálise
como atividade plural e o psicanalista tem como desafio
a responsabilidade de representá-la. A interrogação
do título estimula reflexões e o autor
propõe que uma contínua evolução
alicerçada num padrão ético é
que dá proteção e posteridade
à psicanálise.
Unitermos
Profissão • regulamentação
• regulação • ética
A psicanálise diante
da violência
José Otavio Fagundes, São Paulo
O autor define a violência como uma situação
traumática, expressão da destrutividade
do sujeito contra o outro ou a si mesmo, tendo uma
representação psíquica e social.
Distingue-a do instinto biológico e caracteriza-a
como decorrente do abuso de poder entre os homens,
quando os conflitos não são resolvidos
pelo diálogo. Refere que o psicanalista, embora
não possa resolver o problema da violência,
pode porém criar um espaço para pensá-la
em interação com outras disciplinas
Faz uma revisão da literatura, descrevendo
a psicodinâmica da violência e a violência
no contexto social. Finaliza o trabalho apresentando
idéias de autores sobre as possibilidades de
lidar com a violência e apresenta o Projeto
Abrace seu Bairro, de prevenção da violência
juvenil nas escolas, em que a Sociedade Brasileira
de Psicanálise de São Paulo participa
juntamente com outras instituições.
Unitermos
Psicanálise • violência •
destrutividade • trauma • poder •
narcisismo • social • compaixão
• conflito • paradoxo.
Psicanálise, violência
individual,
violência social
Aurea Maria Lowenkron, Rio de Janeiro
Este artigo aborda o tema da violência a partir
de referências teóricas e clínicas,
consideradas em suas relações com a
organização social. São destacadas
as diversas faces da violência estudadas na
obra de Freud, como o conceito de trauma, de mal-estar
na civilização, de pulsão de
morte e algumas de suas idéias sobre a guerra.
São discutidos os aspectos estruturantes ou
patogênicos relacionados à violência
necessária e ao excesso de violência
no âmbito das relações do sujeito
com o meio familiar e social, com base em alguns conceitos
de Piera Aulagnier. Por fim, são apresentados
breves resumos de histórias clínicas
e alguns trechos de relatos literários que
servem para ilustrar a impossibilidade de que um sujeito
venha a se constituir ou se manter como tal quando
a brutalidade da vida o impede de pensar, de acreditar
num futuro e de sentir esperança. Na falta
de princípios condizentes com a condição
humana, não há sujeito, não há
lugar para a psicanálise e nem mesmo para a
continuidade da vida. Por isso, a violência
do mundo em que vivemos nos concerne como sujeitos,
cidadãos e psicanalistas.
Unitermos
Psicanálise e violência • trauma
• sujeito e meio • violência necessária
• excesso de violência • violência
social.
Psicanálise e Artes
Plásticas
Claudio Castelo Filho, São Paulo
O autor considera que tanto a arte quanto as ciências
possuem origens comuns através de explosões
de criatividade, conforme A. I. Miller, e da função
alfa e do fato selecionado, conforme Bion. Ambas buscam
dar representações estéticas
de mundos além das aparências. Correlaciona
as obras de arte aos sonhos, aos mitos, a equações
matemáticas. Todas essas expressões
decorrem do alcance de novos níveis de apreensão
e da expansão do senso comum. Uma grande obra
de arte, assim como uma grande teoria científica,
representa um profundo insight por meio de uma linguagem
eficaz (linguagem de êxito) que permite a uma
comunidade compartilhar e elaborar sentidos alcançados.
De acordo com Bion, o analista deveria ser capaz de
pintar o quadro e ver as cores do que sucede em uma
sessão de análise. O autor recorre a
Hannah Arendt para falar da natureza da obra de arte
e dos usos que se pode fazer da mesma. A filósofa
alerta sobre o grave perigo que corre a arte nos nossos
dias ao ser transformada em objetos de consumo, os
quais são rapidamente digeridos e eliminados,
em um catastrófico processo destrutivo. O mesmo
perigo estaria correndo a psicanálise, ao ser
diluída, banalizada e transformada em cópia
kitsch dela mesma, de maneira a ser tornada popular
e de fácil consumo.
Unitermos
Comunicação • experiência
emocional • linguagem de êxito •
arte • kitsh.
A segunda inocência:
psicanálise e artes
Ignacio Gerber, São Paulo
Neste ensaio proponho que a atenção
artística e a atenção psicanalítica
emanam de uma suspensão do ego consciente mediante
uma entrega à lógica emocional do inconsciente.
Relaciono as atitudes de atenção flutuante
e sem memória, sem desejo com a busca de uma
segunda inocência.
Unitermos
Inconsciente • emoção •
atenção flutuante • sublimação.
Psicanálise e literatura:
Iluminações mútuas
Juarez Guedes Cruz, Porto Alegre
O presente trabalho parte de uma premissa: a familiaridade
entre literatura e psicanálise – tendo,
as duas, origens sediadas em nossa vida onírica
inconsciente e ambas lidando basicamente com a palavra
– permite o estabelecimento, entre elas, de
um processo de “iluminação mútua”
(Maria Helena Martins, 2002). Tal processo dilui ilusões
de supremacia de uma sobre a outra e permite que as
duas abordagens, literária e psicanalítica,
escapem de um isolamento, que seria expresso por uma
postura em que os psicanalistas estariam encarregados
de “interpretar” a obra literária
sob o protesto dos escritores, que pretenderiam permanecer
intangíveis, vivendo em um limbo de criadores
oferecendo à civilização os frutos
mágicos de percepções intuitivas.
A partir dessa premissa são examinadas, em
primeiro lugar, algumas das influências inspiracionais
que a literatura teve sobre a psicanálise desde
a origem da mesma. Posteriormente, são expostas
duas abordagens psicanalíticas – o exame
da construção do personagem na literatura
e um estudo do papel do conflito psíquico na
criação literária – que,
de certo modo, retribuem à literatura alguns
dos benefícios que, dela, têm recebido.
Unitermos
Psicanálise aplicada • literatura.
Psicanálise e
Teatro
Alan Victor Meyer, São Paulo
No presente trabalho o autor considera a relação
de mútua implicação entre psicanálise
e teatro, procurando evitar o seu uso meramente aplicativo.
Utiliza para tanto algumas referências de Freud
à tragédia grega “Édipo
Rei”, de Sófocles, além de considerações
que faz sobre criatividade e fantasia.
Unitermos
Psicanálise • teatro • criatividade
• interpretação • fantasia
• Édipo.
Psicanálise e mídia
Claudio Rossi, São Paulo
Após algumas considerações metodológicas
a respeito da aplicação da psicanálise
em objetos de âmbito sociocultural, o autor
fala da sedução e da magia da mídia
que atendem a demandas conscientes e inconscientes
das pessoas atingidas por ela. Apresenta vários
dados da literatura que mostram que a mídia
é controlada por uma complexa rede de interesses
e fenômenos sociais variados, sendo um dos produtos
mais característicos do capitalismo mundializado.
Considera inútil demonizar a mídia e
mostra que a prática da psicanálise
pode funcionar como um excelente antídoto contra
os males provocados por ela e pela ideologia capitalista
que a domina e a sustenta.
Unitermos
Mídia • mídia de massas •
massas • psicologia de massas • capitalismo
• psicanálise e mídia •
alienação • magia da mídia
• sedução da mídia.
A Jangada da Medusa e
os náufragos da identidade
Contribuição ao tema
“Do culto à imagem externa à
consistência da identidade interna”
Luiz Fernando Gallego Soares, Rio de Janeiro
Maria do Carmo Andrade Palhares, Rio de Janeiro
Os autores buscam esclarecer a questão da identidade
em relação ao Ser, ao self e à
imagem externa, partindo das contribuições
de Grinberg, com ênfase nas idéias de
Kohut, Mollon e Winnicott, pensadores que possibilitam
o percurso por diversos conceitos e teorizações,
abordando o tema em sua vasta complexidade contemporânea.
Ao final, percebe-se que esta pluralidade revitaliza
o campo psicanalítico que comporta e necessita
de tal expansão em sua composição
teórico-clínica.
Unitermos
Identidade • self • selfobjeto •
imagem corporal • ser • caos • existência.
“Retrospectivando”:
da psicologia institucional à psicanálise
Regina Murat, Rio de Janeiro
Este texto foi elaborado para a mesa-redonda intitulada
“Psicanálise e Psicologia Institucional”,
no eixo “Diálogo com a comunidade”,
do XIX Congresso Brasileiro de Psicanálise.
Tem como objetivo apresentar um breve relato de algumas
experiências profissionais vividas pela autora
anexando reflexões sobre abordagens teórico-técnicas
que lhes serviram de apoio neste percurso: os Grupos
Operativos, a Análise Institucional e a Psicanálise.
Menciona possíveis interligações
nestes campos ressalvando, no entanto, que estas lembranças
são mais valiosas pela riqueza empírica
do que pelo tratamento teórico que lhes foi
dado aqui.
Finalizando, apresenta uma sessão clínica
e convida o leitor para brincar (Winnicott, 1975)
explorando a miríade de jogos especulares formada
pelo próprio leitor, pelo analista, pelo analisando
e pelo entrecruzamento destas subjetividades atravessados
que estão por suas histórias de vida,
seus grupos, suas instituições e os
reflexos ideológicos, jurídico-políticos
e econômicos que os permeiam.
Unitermos
Grupos Operativos • vínculo • homem-em-situação
• espiral dialética • grupo •
aprendizagem • Análise Institucional
• instituição • instituído
• instituinte • transversalidade •
implicação • Psicanálise
• dialética • terceiro analítico
• intersubjetividade • campo intersubjetivo
• criatividade.
Um psicanalista no hospital
geral –
o atendimento |