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Editorial
José Fernando de Santana Barros - 247 (a convite)

XIX Congresso Brasileiro de Psicanálises
O método, o objeto e o objetivo da psicanálise. Arte, ciência e técnica
José Antonio Pavan - 249

Armagedon: a violência no mundo contemporâneo
Liana Albernaz de Melo Bastos - 259

O método psicanalítico em Freud
Marion Minerbo - 271

Psicoterapia de orientação analítica e o método. Agora muito mais psicanalítico
Bernard Miodownik - 279

A psicanálise pode não ser intersubjetiva?
Luiz Carlos Mabilde - 299

A psicanálise pode não ser intersubjetiva? Viver é conhecer
Maria Cristina Borja Gondim - 311

Transgressões e desvios do método
Icleiber Calife - 333

Muito além do espelho
Adalberto A. Goulart - 343

A preservação do método, ante as dificuldades atuais
Luiz Marcírio K. Machado - 355

Estudo sobre a cena analítica e o conceito “Colocação em cena da dupla” (enactment)
Roosevelt M. Smeke Cassorla - 365

Estruturas em cena no processo psicanalítico.O setting psicanalítico para a clínica hoje
Jaques Goldstajn - 393

Processo psicanalítico e mudança psíquica
Luís Carlos Menezes - 409

Repetição, retranscrições eressignificação no processo
Deodato Curvo de Azambuja - 421

O espaço potencial como campo germinativo do processo psicanalítico.
Caminhando entre Proust e a psicanálise
Anna-Maria de Lemos Bittencourt - 429

Um lugar para a surpresa no processo analítico: considerações sobre o “bando” e o “contrabando”
Ana Rosa Chait Trachtenberg - 443

Processo analítico: na clínica e na formação analítica
Flávio Rotta Corrêa - 451

Sobre a identidade do psicanalista
Fernando José Barbosa Rocha - 461

A identidade do psicanalista. A psicologia do ego freudiana e a psicanálise como “profissão possível”
Victor Manoel Andrade - 485

O desenvolvimento das relações objetais a partir de Melanie Klein
Marly Beaklini Guimarães Lemos
Maria Cristina Reis Amendoeira - 503

Freud, Hartmann e Kohut
Paulo Roberto Sauberman - 523

Freud, Hartmann (col.) e Kohut
Vilma Guilherme Santos de Araújo - 529

Depois de Freud, Bion nos ajuda a trabalhar com o Édipo
Antonio Muniz de Rezende - 539

Psicanálise e neurociência: uma questão de interesse prático
Carlos Doin - 547

Uma experiência prática de psicanálise fundamentada pela neuro-psicanálise
Yusaku Soussumi - 573

Consulta psicanalítica ou tratamento experimental: alternativas de pesquisa com o método psicanalítico
Theodor Lowenkron - 597

Da clínica psicanalítica à pesquisa em psicanálise
Marisa Pelella Mélega - 611

Observação de bebês – método Bick – uma vivência emocional significativa para a criatividade
Rute Stein Maltz - 631

Observação da relação mãe-bebê: método Esther Bick
Theodolinda Mestriner Stocche - 647

A constituição da feminilidade num caso clínico
Teresa Rocha Leite Haudenschild - 655

Psicanálise e psicopatologia: passado ou futuro
Fernando Linei Kunzler - 669

O paciente psicossomático
Plinio Montagna - 679

Anorexia nervosa e a psicanálise: tendências e uma leitura
Milton Della Nina - 687

Psicanálise: profissão ou especialização?
Alfredo Menotti Colucci - 711

A psicanálise diante da violência
José Otavio Fagundes - 721

Psicanálise, violência individual, violência social
Aurea Maria Lowenkron - 737

Psicanálise e Artes Plásticas
Claudio Castelo Filho - 759

A segunda inocência: psicanálise e artes
Ignacio Gerber - 777

Psicanálise e literatura: Iluminações mútuas
Juarez Guedes Cruz - 785

Psicanálise e Teatro
Alan Victor Meyer - 805

Psicanálise e mídia
Claudio Rossi - 815

A Jangada da Medusa e os náufragos da identidade. Contribuição ao tema “Do culto à imagem externa à consistência da identidade interna”
Luiz Fernando Gallego
Maria do Carmo Andrade Palhares - 841

“Retrospectivando”: da psicologia institucional à psicanálise
Regina Murat - 859

Um psicanalista no hospital geral – o atendimento psicológico a pacientes submetidos a reconstruções microcirúrgicas
Sara Kislanov - 885

Um psicanalista “pé descalço” na comunidade
Joaquim Couto Rosa - 905

Tantas famílias!
Marci Dória Passos - 915

Clínicas sociais nos institutos de psicanálise
Maria de Fátima B. Calife Batista - 923

Clínicas sociais nos institutos de psicanálise. Violência e trauma psíquico como situação de risco em psicanálise
Edgar Chagas Diefenthaeler - 929

Psicanálise e literatura
Marialzira Perestrello - 943

Vicissitudes da psicanálise em idosos
Maria Cristina Reis Amendoeira - 959

Editorial

Com muita satisfação recebi o convite para escrever este editorial no número da RBP que publica os trabalhos a serem apresentados no XIX Congresso Brasileiro de Psicanálise.
Este Congresso que se realizará mais uma vez na minha cidade, sendo motivo de orgulho para todos nós da SPR, vem coroar todo um trabalho de difusão da psicanálise na região, efetuado ao longo dos últimos oito anos. Imbuído deste sentimento, terei a honra de presidi-lo na condição de atual presidente da ABP, com a expectativa de um grande encontro.
O tema “Psicanálise em transformação”, incluindo os sub-temas “Método e processo psicanalíticos”, remete a aspectos por demais importantes e fundamentais para a nossa prática, sobretudo em uma época de grandes mudanças socioeconômicas e culturais que se constituem em desafios para a psicanálise. Por muito tempo o setting proposto para a condução de uma análise padrão, restringiu e limitou a nossa discussão – doutrinária freqüentemente – a referenciais teóricos e a técnicas de consultório. Acredito que um aprofundamento do estudo do método nos liberte para uma visão mais abrangente do nosso ofício, à medida que tivermos mais consciência da essência daquilo que fazemos. Contudo, esta discussão fica para o Congresso.
Quanto ao formato pensado pela Comissão Científica, a idéia é proporcionar mais tempo para o aprofundamento dos debates, possibilitando uma maior participação do público. Com esta finalidade foram abolidas as plenárias tradicionais e serão realizadas mesas-redondas simultâneas, cada uma com duas breves apresentações coordenadas por um colega que terá papel fundamental, à medida que possa sintetizar os trabalhos, orientar e estimular as discussões.
Atenção especial vem sendo dispensada ao programa sociocultural no sentido de contemplar os participantes com importantes aspectos da cultura nordestina.
A festa de confraternização, rememorando o Congresso de 1995, também será realizada na antiga casa e consultório do Dr. José Lins de Almeida, fundador de nossa Sociedade. Aquela casa, ampliada e transformada em espaço de recepções, tem para nós um importante valor afetivo e simbólico. Ali participamos dos primeiros grupos de estudos da obra de Freud; ali, em uma reunião com os Drs. Lebovici e Daniel Widlöcher, respectivamente presidente e secretário da IPA na ocasião, nasceu a idéia da criação do Núcleo Psicanalítico do Recife, viabilizado posteriormente pela ABP e as duas Sociedades do Rio de Janeiro (Rio 1 e Rio 2). Portanto, voltar àquela casa para uma festa da comunidade psicanalítica é motivo de muita emoção, sabendo que o Dr. Lins estará por lá, “encantado”, indo de mesa em mesa, cumprimentando os amigos de todo o Brasil, com aquele seu corpo enorme, bonachão, caminhando lentamente, embalando os sonhos que hoje veria realizados.
A iniciativa da RBP de publicar antecipadamente os trabalhos é extremamente louvável, pois possibilita a leitura com antecedência e, conseqüentemente, uma maior inserção nos temas que o leitor escolher para participar com suas contribuições.
Creio que só me resta, já que não sou mesmo de falar muito, agradecer ao nosso editor João Batista França pelo excelente trabalho que faz frente à nossa Revista, e pela oportunidade que me deu de dirigir-me aos colegas.
Desejo a todos uma boa leitura e um bom Congresso.


José Fernando de Santana Barros
Presidente da Associação Brasileira de Psicanálise

O método, o objeto e o objetivo da psicanálise.
Arte, ciência e técnica

José Antonio Pavan, Marília

A partir das concepções filosóficas de C. S. Peirce, são feitas considerações sobre o estatuto científico da psicanálise como prática clínica. É considerado como o método analítico é apropriado para alcançar seu objeto, cumprindo com os objetivos da análise do psiquismo humano por meio de uma conduta eticamente orientada, atingindo seu fim esteticamente. Considera-se que no processo analítico confluem arte e ciência, esta em seu caráter teórico e prático.

Unitermos
Psicanálise • método • objeto • objetivo.

Armagedon: a violência no mundo contemporâneo

Liana Albernaz de Melo Bastos, Rio de Janeiro

Considerando que a violência sempre existiu, a autora busca estabelecer o que a caracteriza no mundo atual e qual a contribuição que a psicanálise pode oferecer para o seu entendimento. Ilustrando a clínica dos sujeitos contemporâneos através do filme “Dois perdidos numa noite suja” e sustentada na análise de Baudrillard sobre a globalização e a emergência dos Estados Unidos da América como potência única no pós – 11 de setembro, privilegia os conceitos freudianos de pulsão de morte e do estranho ( Unheimlich ), para a discussão da violência do poder narcísico globalizado.

Unitermos
Violência • globalização • poder narcísico.

O método psicanalítico
em Freud


Marion Minerbo, São Paulo


Partindo de uma miniatura clínica de Freud publicada em “As neuropsicoses de defesa” (1894), procuro explicitar os movimentos invariantes do método psicanalítico. Meu objetivo é tentar responder às questões: como Freud descobre o que descobre? Qual o método embutido em seu fazer clínico, que produziu a obra que conhecemos? Qual foi o caminho que percorreu, e que continuamos a percorrer todos os dias?

Unitermos
Método psicanalítico • interpretação.

 

Psicoterapia de orientação analítica e o método.
Agora muito mais psicanalítico


Bernard Miodownik, Rio de Janeiro


Há aproximadamente 50 anos, a relação entre psicanálise e psicoterapia analítica é um tema sempre presente na clínica. A partir de inúmeras mudanças no ambiente cultural e no corpo teórico e técnico da psicanálise, este assunto vem se tornando uma questão mais controversa. Como nas palavras de Wallerstein (1995), saímos de uma “era de consenso” na qual as duas categorias apresentavam métodos e parâmetros bem definidos, para os períodos de “fragmentação do consenso” até o de um “mundo sem consenso.” À medida que psicanalistas começaram a praticar com mais freqüência a psicoterapia analítica, houve uma aproximação gradativa entre os métodos. Esse e os outros fatores que contribuíram para a aproximação entre as duas terapias, são historiados e relacionados às modificações na teoria e na técnica desde Ferenczi. São apresentados argumentos e exemplos clínicos que visam demonstrar a idéia de que, em determinadas condições e situações clínicas, um processo analítico pode ser desenvolvido, ainda que o método psicanalítico clássico não esteja sendo aplicado integralmente. A aproximação entre psicanálise e psicoterapia analítica levou a um método de análise modificada que pode ser incluído, utilizando novamente um termo de Wallerstein (1995), entre as muitas psicanálises existentes no movimento psicanalítico contemporâneo.

Unitermos
Psicanálise e psicoterapia analítica • método psicanalítico modificado • intersubjetividade • patologias graves.

A psicanálise pode
não ser intersubjetiva?


Luiz Carlos Mabilde, Porto Alegre


Este trabalho visa responder algumas questões envolvendo a intersubjetividade como um novo paradigma dentro do método psicanalítico. Nesse sentido, visa, também, colocar uma certa ordem dentro da ferrenha discussão entre psicanalistas objetivistas, subjetivistas e interativistas, já que a mesma tem sido pouco esclarecedora.
Para tanto, apresentam-se as rotas históricas, conceituais e evolutivas donde desemboca a intersubjetividade, bem como uma discussão de sua aplicação técnica com base em material clínico publicado por Jacobs, Ogden e Renik.
No final, o autor dá a sua opinião se a intersubjetividade desloca ou não a psicanálise para uma teoria interativa.

Unitermos
Método psicanalítico • teoria da técnica • intersubjetividade.

Viver é conhecer


Maria Cristina Borja Gondim, Salvador


A autora propõe o viver como um processo de conhecimento, compreendendo sua busca como a motivação que move o analisando. Por isso, entende a construção do conhecimento não só como formulação de teoria substantiva, mas, também, como teoria processual: o método. Esta problemática é inserida num questionamento mais amplo, que ultrapassa o indivíduo e a teoria psicanalítica, observando-se que ela se amplia para todas as áreas do saber, como questionamento do paradigma científico da ciência moderna, vigente desde o século XVIII.
Adotando, nesta área, o pensamento de Edgar Morin como interlocutor privilegiado, examina a necessidade de uma reforma dos princípios determinantes do pensamento do analista, de modo a aproximá-lo do pensamento complexo. E, na seqüência, trata das conseqüências das diferentes determinações paradigmáticas para o processo clínico psicanalítico. Finalmente, adota uma posição cautelosa quanto ao significado expresso no tema “Desvios e transgressões do método”.

Unitermos
Teoria psicanalítica • Desvios e transgressões do método.

Transgressões e
desvios do método

Icleiber Calife, Recife


O autor utiliza-se do “Sonho da injeção de Irma” para explicitar o que é método psicanalítico. Fala das operações falhadas, da psicopatologia da vida cotidiana, dos chistes e suas relações com o inconsciente, como a única maneira de explicar que atos humanos comprovam a existência de um processo dinâmico que promove a elaboração de um aparelho psíquico que opera independentemente da vontade. Fala do percurso de Freud para elaborar o método, com seus desvios e contradições, até chegar às transgressões de seus colaboradores Jung, Adler e Otto Rank, os quais tentaram reformular o método e a técnica psicanalítica. Utiliza-se somente da obra de Freud para afirmar que os reclamos ou tentativas de modificação do método implicam a criação de novas psicologias, não psicanalíticas. Compara os reclamos atuais com os mesmos da época de Freud, na tentativa de mudanças do método, sem o devido respaldo científico que o justifique.

Unitermos
Transgressões • desvios • método.

Muito além do espelho


Adalberto A. Goulart, Aracaju


O autor desenvolve um estudo sobre a compreensão atual dos conceitos de contratransferência, identificações projetivas cruzadas e contra-identificações, comunicações intuitivas, pré-verbais e o conteúdo latente das comunicações verbais. Discute a importância da presença da personalidade total do analista na sessão, inclusive enquanto pessoa real, tanto quanto a do paciente, interagindo e interferindo no processo, apesar da neutralidade técnica buscada. O conceito de intersubjetividade é destacado como sendo a fantasia da dupla no campo analítico, construída pelo encontro das subjetividades de ambos os componentes, que serão resgatadas posteriormente, nas suas diferenças, tendo sido enriquecidas pelo encontro intersubjetivo. Destaca a importância de certa dose de coragem e ousadia que o analista precisa ter para que possa utilizar a matéria-prima que emerge no campo intersubjetivo, sempre amparado por uma sólida formação psicanalítica, por seus estudos e especialmente por uma experiência de análise pessoal satisfatória. Ilustra o trabalho com uma sessão clínica em que a experiência de um fenômeno intersubjetivo emerge na situação analítica. As turbulências que tais estudos causam no método e no processo psicanalíticos são discutidas. Conclui ressaltando que o mito da neutralidade jamais poderia substituir a integridade do analista
.

Unitermos
Psicanálise • processo e método • objeto externo.

A preservação do método,
ante as dificuldades atuais


Luiz Marcírio K. Machado, Porto Alegre


Este trabalho busca uma maior delimitação entre o método psicanalítico em sua essência e o conjunto de técnicas que são pertinentes à sua aplicação clínica. Também reavalia a definição do objeto da psicanálise, enquanto ciência que pesquisa o inconsciente e como uma forma de psicoterapia que se baseia no fenômeno de transferência.
Em linhas gerais, tentamos demonstrar que algumas técnicas são imprescindíveis para a aplicação do método interpretativo psicanalítico. São aquelas que visam a apreensão do fenômeno transferencial em seu "status nascendi" com um mínimo de indução possível por parte do analista.
Outras técnicas têm recebido novos aportes, principalmente tendo em vista o enfoque intersubjetivo atual da psicanálise, que leva em conta a especial dialética da "transferência-contratransferência" no campo psicanalítico.
Após uma rápida revisão de alguns textos de Freud e comparando com outros autores, levantamos a questão de serem ou não a freqüência das sessões e o uso do divã, tão imprescindíveis à aplicação do método interpretativo psicanalítico, quanto o são a regra fundamental e a atenção flutuante.

Unitermos
Método • técnica • transferência • contratransferência • intersubjetividade.

Estudo sobre a cena analítica e o conceito
“Colocação em cena da dupla” (enactment)


Roosevelt M. Smeke Cassorla, Campinas


O autor busca um modelo que facilite a compreensão do que ocorre entre os membros da dupla analítica. Após abordar, entre as artes narrativas, características do cinema, literatura e teatro, propõe este último como modelo mais apropriado. Nele, o analista deverá comportar-se, ao mesmo tempo, como ator, diretor, co-autor, crítico teatral e iluminador. Enfatiza-se a capacidade crítica do analista como instrumento de observação. A seguir é descrito o fenômeno “colocação em cena da dupla” (enactment), diferenciando-o de acting-out. Considera-se ser ele um conceito controverso, mas útil e sua teorização é efetuada a partir de um vértice intersubjetivo. O conceito de enactment é referido ao modelo do teatro, antes sugerido. Finalmente, é apresentada uma classificação das “colocações em cena da dupla” (enactments), em normais e patológicos, e estes em agudos e crônicos.

Unitermos
Técnica psicanalítica • intersubjetividade • acting out • enactment (colocação em cena).

Estruturas em cena no processo psicanalítico
O setting psicanalítico para a clínica hoje


Jaques Goldstajn, São Paulo


O autor apresenta material que justifica o desenvolvimento do pensar o processo psicanalítico, baseado na clínica contemporânea, onde se constata uma maior procura de pacientes adictos químicos, psicossomáticos e borderlines. Tomando essa perspectiva, apresenta casos clínicos para melhor fundamentar seu ponto de vista levando-nos a concluir que há necessidade de fazerem-se alterações do setting psicanalítico, a exemplo das modificações ocorridas nas análises de crianças. Desenvolve neste artigo questões relacionadas às estruturas em cena, ao processo psicanalítico, apresentando vinhetas clínicas com a finalidade de desenvolver elementos técnicos e metodológicos que possam contribuir para repensar os elementos do setting.
Chama atenção para a existência de questões externas ao setting que necessitam de espaço na sessão de análise, e que podem ser confundidas com a transferência. Propõe-nos a respeito das questões formais que podem ser modificadas, como a do uso do divã, do horário, dos honorários; e também quanto à forma de introduzir as interpretações para o analisando, o que provocaria maior facilidade na capacidade de compreensão pelos pacientes
.

Unitermos
Setting • teoria da técnica psicanalítica • pacientes borderline.

Processo psicanalítico e
mudança psíquica


Luís Carlos Menezes, São Paulo


Considerei o tema proposto sobre o processo analítico dando ênfase à linguagem e considerando que é no interior dela que se passa essencialmente uma análise. Um exemplo clínico permitiu ilustrar como entendo, deste ponto de vista, as intervenções e mudanças neste processo. O modo de presença do analista, indissociável de sua escuta, é discutido neste trabalho. Não se podendo omitir o que sabemos sobre a tendência paranóica primária do Eu, importa que o analista, para além de sua “pessoa” empírica, possa instaurar pela sua escuta uma forma de presença que garanta uma condição de ausência na sessão, condição para que a linguagem possa ali tornar-se o lugar da transferência, ou seja, do estrangeiro.

Unitermos
Processo analítico • mudança psíquica • transferência • contra-transferência • linguagem na análise.

Repetição, retranscrições e
ressignificação no processo


Deodato Curvo de Azambuja, São Paulo


O trabalho procura acompanhar alguns insights que se estenderam a partir do 11 de setembro de 2001. O autor destaca alguns modelos, a partir de seus insights, de realidades absurdas, que se revelam a partir de acontecimentos surpreendentes e às vezes inusitados. São sonhos, estados alucinóticos, esquizoparanóides, o “espetáculo do crescimento e reprodução” pela conjugação feminino/masculino, o desmoronamento das Torres Gêmeas do WTC. Todos eles abrindo espaço por meio da linguagem e comunicação para retranscrições e ressignificações, e para as incertezas da realidade, ao lado de absolutismos que buscam uma eterna repetição.

Unitermos
Insight • repetição • retranscrição • ressignificação • linguagem • liberdade • absolutismo • relativismo • êxito • realidade • absurdo.

O espaço potencial como campo germinativo do processo psicanalítico.
Caminhando entre Proust e a psicanálise


Anna-Maria de Lemos Bittencourt, Rio de Janeiro


A situação paradoxal da experiência estética, descrita por Proust em sua obra Em busca do tempo perdido, a aproxima de outros fenômenos criativos, igualmente paradoxais, descritos pela psicanálise e, por isto mesmo, instigadores de pensamento. Ambos exigem uma reflexão e uma teorização e, embora advindos de campos de saberes diversos, encontram um denominador comum no conceito de espaço potencial. A autora discorre sobre a atividade germinativa deste espaço, partindo das idéias de bissexualidade em Proust, Winnicott e Freud e acena para a importância de se considerar a experiência psicanalítica um espaço desta natureza.

Unitermos
Experiência estética • espaço potencial • criatividade • bissexualidade.

Um lugar para a surpresa no processo analítico:
considerações sobre o “bando” e o “contrabando


Ana Rosa Chait Trachtenberg, Porto Alegre


O autor pretende, neste trabalho, tecer algumas considerações a propósito da surpresa no processo analítico enquanto elemento favorecedor do seu movimento. A capacidade do analista por deixar-se penetrar pela novidade da surpresa, e, especialmente, sair da paralisia que ela desperta inicialmente, e progredir em direção à curiosidade, transcorre no âmbito da contratransferência bem-sucedida (a do “bando”). São apresentados três exemplos do exposto acima: identificações alienantes e a escuta da escuta; figurabilidade e a escuta regrediente; o corpo calado e a escuta corporal. No “contra-bando” a contratransferência se manifesta com o predomínio narcísico do analista, estabelecendo-se, assim, um bloqueio à surpresa, ao novo e ao progresso da situação analítica.

Unitermos
Contratransferência • surpresa • identificações alienantes • figurabilidade • processo analítico.

Processo analítico:
na clínica e na formação analítica


Flávio Rotta Corrêa, Porto Alegre


A partir da experiência clínica e no exercício da função didática no Instituto de Psicanálise da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, o autor desenvolve considerações sobre a questão proposta pela mesa-redonda "Existe um curso natural na evolução do processo analítico?"

Unitermos
Psicanálise • processo • clínica • formação analítica
.

Sobre a identidade
do psicanalista


Fernando José Barbosa Rocha, Rio de Janeiro


O autor discute o estatuto, o objeto e os objetivos da psicanálise, situando a importância do setting analítico e da transferência como elementos básicos do trabalho analítico. Defende a idéia de que a instauração do processo analítico e sua eficácia estão diretamente associados às possibilidades de o analista manter-se no “lugar de analista”. Mantido em seu “lugar”, o analista não impediria que a meta principal da psicanálise se cumprisse, ao propiciar um movimento mais livre da energia psíquica que criasse a formação de cadeias significantes, a fim de conduzir a um movimento no qual se dêem significações e ressignificações. Apresenta e discute o significado da formação de analista, nela ressaltando a necessidade da análise pessoal, dos estudos teóricos e do trabalho de supervisão. Neste momento, o autor é categórico em destacar a análise pessoal do analista como elemento fundamental na formação de sua identidade e na transmissão da psicanálise. Visando corroborar as reflexões e discussões sobre o tema, são apresentados alguns elementos básicos da formação psicanalítica, por meio do modelo de formação da Sociedade Psicanalítica de Paris. Finalmente, o trabalho indaga sobre quais devem ser os remanejamentos que a psicanálise deverá operar a fim de que a análise não recue diante das “novas patologias da alma”
.

Unitermos
Estatuto • objeto e objetivo da psicanálise • identidade do psicanalista • análise pessoal • supervisão • ensino teórico • lugar de analista.

A identidade do psicanalista
A psicologia do ego freudiana e a psicanálise como “profissão possível”


Victor Manoel Andrade, Rio de Janeiro


Dentre os fatores que contribuem para a crise universal experimentada pela psicanálise, ressalta a saída do leito de seu desenvolvimento natural. A trajetória desse desenvolvimento foi estabelecida por Freud, ao declarar que o estudo do ego é nossa “tarefa maior”. Os quadros narcísicos que nos defrontam cotidianamente soem ser compreendidos fora dos termos sugeridos por Freud ao conceber o ego como instância-síntese. Nesses casos, são usadas múltiplas teorias nem sempre coerentes entre si. Às vezes essas teorias são conflitantes com a identidade freudiana da psicanálise, rompendo, de certa forma, a continuidade histórica de nossa ciência. É inevitável a repercussão desses fatos sobre a identidade do psicanalista. Se as contribuições atuais à clínica do narcisismo forem compreendidas à luz da psicologia do ego de Freud, veremos que a identidade do psicanalista é o elemento essencial do processo psicanalítico, pois a recuperação de falhas básicas do ego do paciente depende da integridade do ego do analista. Nesses casos, a conduta do analista é tão decisiva quanto suas interpretações. Em “Análise terminável e interminável”, em que tratou das alterações do ego, foi mostrado que a firmeza de caráter do analista (a solidez de sua identidade) é crucial para tornar a psicanálise uma profissão possível.

Unitermos
Ego ampliado • psicanálise maior • ego inconsciente • identificação empática.

O desenvolvimento das relações
objetais a partir de Melanie Klein

Marly Beaklini Guimarães Lemos, Rio de Janeiro
Maria Cristina Reis Amendoeira, Rio de Janeiro


A teoria das relações de objeto nos traz a compreensão do desenvolvimento emocional humano e suas patologias. O conceito de identificação projetiva, bastante desenvolvido e empregado na atualidade, permite ao analista trabalhar inserido num campo relacional rico de emoções transferenciais e contratransferenciais. Outrossim, aproxima-nos do entendimento dos mais complexos conteúdos mentais existentes na psicopatologia da contemporaneidade.
Acrescentamos além da formação do pensamento e do simbolismo, contribuições de Bion e Segal, novos desenvolvimentos da triangulação edípica, segundo Britton e uma breve apreciação sobre o o enactment a partir do trabalho de Bateman. As concepções teóricas desenvolvidas neste trabalho são ilustradas por vinhetas clínicas.

Unitermos
Teoria das relações objetais • desenvolvimento das relações de objeto • transferência • contratransferência • narcisismo.

Freud, Hartmann e
Kohut


Paulo Roberto Sauberman, Rio de Janeiro


Este trabalho é uma apresentação para um painel no Congresso de Psicanálise que focaliza as relações entre Freud, Hartmann e Kohut. O artigo focaliza uma série de seminários dados por Kohut entre 1972 e 1974 sobre psicanálise para estudantes avançados no Instituto de Chicago de Psicanálise e explora as idéias novas por Kohut no período de tempo entre a publicação de seus dois livros: A análise do self e a Restauração do self.

Unitermos
Heinz Kohut • psicologia psicanalítica do self.

Freud, Hartmann (col.) e Kohut


Vilma Guilherme Santos de Araújo, São Paulo


Apoiada no ponto de vista de que a psicanálise tem evoluído, procurei trazer, a partir de Freud, as inovações contidas nas teorias de Hartmann e Kohut.
Apoiando-me na premissa da construção do psiquismo, seja por meio da teoria das pulsões ou da teoria das relações objetais, fiz a articulação entre os pontos de vista teóricos de Freud, Hartmann (col.) e Kohut.
Apresentei os fundamentos de cada uma das três teorias levando em conta seus aspectos principais.
Em relação à teoria freudiana me baseei nos conceitos que foram modificados por Hartmann e por Kohut, e a partir dos quais desenvolveram suas teorias.
Apontei as diferenças fundamentais entre a Psicologia do Ego de Hartmann e a Psicologia do Self de Kohut.

Unitermos
Teoria das pulsões • teoria das relações objetais • área isenta de conflito do ego • self objeto.

Depois de Freud, Bion nos
ajuda a trabalhar com o Édipo


Antonio Muniz de Rezende, Campinas


Neste trabalho, minha intenção era mostrar como Bion nos ajuda a fazer uma releitura do mito de Édipo, de forma a nos proporcionar não apenas uma melhor prática clínica, mas também um posicionamento epistemológico mais corajoso.

Unitermos
Personalidade • caráter • relacionamentos • estrutura • elementos • função • sexualidade • verdade • psicanálise de adultos • desenvolvimento • mudança catastrófica • reestruturação.

Psicanálise e neurociência:
uma questão de interesse prático


Carlos Doin, Rio de Janeiro


Tendo discutido diversas questões relativas à interface psicanálise-neurociência em outras oportunidades, inclusive nos dois últimos congressos brasileiros de psicanálise, o autor retoma o assunto sob um ponto de vista essencialmente clínico, procurando atender aos que lhe fazem perguntas do tipo: “Para que servem, na prática, esses estudos? Não posso trabalhar sem eles?” Na procura de melhores respostas, examina diversos ângulos do problema e aponta várias contribuições relevantes da neurociência à psicanálise, destacando duas: a grande quantidade de dados empíricos e de conceitos tendentes a corroborar muitas teorias e noções psicanalíticas e a enfraquecer outras; um maior entendimento de algumas condições patológicas graves capaz de favorecer a abordagem clínica e o manejo transferencial-contratransferencial delas.

Unitermos
Interface • neurociência • neurociência cogniitva evolutiva • neuromente • sistemas motivacionais • insight biológico.

Uma experiência prática de psicanálise fundamentada pela neuro-psicanálise


Yusaku Soussumi, São Paulo


Uma versão reduzida deste trabalho foi apresentada no XLII Congresso da IPA em Nice (2001), na mesa redonda: “Psicanálise e neurociências”. O autor apresenta agora, a versão integral, com as fundamentações neuro-psicanalíticas, que são diferentes das psicanalíticas. O autor traz uma forma de trabalhar na situação analítica, que foi desenvolvendo influenciado no princípio por Bion, na busca de apreensão da experiência emocional que ocorria no “aqui e agora”. Ele constatou que uma das grandes dificuldades dos analisandos em ter consciência de seus estados emocionais se devia à falta de desenvolvimento do aparelho para atenção e percepção. Estas dificuldades por si só tinham uma razão de ser nas vicissitudes das experiências emocionais precoces. O desenvolvimento da atenção, auto-percepção, percepção do outro e das situações, levou por meio da vivencia da experiência emocional à elaboração das questões aprisionadoras do psiquismo no sentido da maturação e a profundas mudanças na forma de conduzir a vida.

Unitermos
Psicanálise aplicada • neuro-psicanálise • registros básicos de memória • atenção • percepção • volição.

Consulta psicanalítica ou tratamento experimental: alternativas de pesquisa com o método psicanalítico


Theodor Lowenkron, Rio de Janeiro


O autor trata nesta comunicação da consulta terapêutica e do tratamento experimental como alternativas de pesquisa com o método psicanalítico. Transpõe a idéia de Winnicott de consulta terapêutica com criança para a clínica de adulto, substituindo o registro do encontro entre analista e paciente por meio dos desenhos do jogo de rabiscos pelo registro videogravado do encontro com paciente adulto. As entrevistas preliminares são retomadas dentro do espírito de tratamento experimental ou de prova, conforme recomendava Freud. O autor pretende testar a possibilidade de ampliação do propósito original de Freud com o tratamento experimental para além da questão do diagnóstico, incluindo então a concepção de Winnicott de consulta psicanalítica no tratamento experimental.

Unitermos
Pesquisa psicanalítica • método psicanalítico • consulta psicanalítica ou terapêutica • tratamento experimental ou de prova.

Da clínica psicanalítica
à pesquisa em psicanálise


Marisa Pelella Mélega, São Paulo


A autora tece algumas considerações em torno do que é fazer pesquisa em psicanálise.
Apresenta a seguir uma metodologia de pesquisa usada para o projeto que estuda a relação entre o rêverie materno e o Desenvolvimento da Capacidade Simbólica em Bebês de 0-18 meses de idade.
A amostra pesquisada constou de 212 relatos de visitas de observação mãe-bebê método Esther Bick. Foram estudados 19 díades durante dois anos, em seguimento longitudinal semanal. Os relatos foram supervisionados pela autora principal da pesquisa, procedimento habitual nos grupos didáticos de “Infant Observation”.
Estabeleceram primeiramente recortes nos relatos de observação, que foram denominados Episódios de Frustração seguindo um critério baseado na reação do bebê à frustração: início, possibilidade e/ou não de resolvê-la, e fim da frustração apoiando-se na teoria do pensar de Bion. Tais episódios foram estudados aplicando-lhes categorias, construídas e explicitadas no Manual de Pesquisa, que avaliam tanto o comportamento da criança diante da frustração quanto o rêverie materno em cada Episódio de Frustração.
Resultados quantitativos são descritos e ilustrados com tabelas. O Estudo Qualitativo do Corpus e a discussão dos dados quantitativos estão sendo realizados e oportunamente serão divulgados.

Palavras-chaves
Pesquisa psicanalítica • método psicanalítico • observação Esther Bick • rêverie materno • capacidade simbólica • episódio de frustração.

Observação de bebês – método Bick –
uma vivência emocional significativa para a criatividade


Rute Stein Maltz, Porto Alegre


Neste trabalho a autora procura estabelecer uma aproximação entre a observação de bebês e a obra de arte.
Como observadores de bebês, nós, de maneira semelhante ao artista, com “o olhar”, captamos e transmitimos o que vivenciamos diante da obra de arte máxima da natureza humana: a relação mãe-bebê. Esta relação, por ser impactante, única e primitiva, se revela para o observador fonte importante de criatividade.
A autora ilustra o tema proposto com material de observação de bebês, de textos literários e de pinturas.
Destaca, a seguir, a importância da observação:
1. Para entendermos o desenvolvimento emocional primitivo a partir da relação inicial da dupla mãe-bebê.
2. Para refletirmos sobre o exercício de nossa função terapêutica a partir do que observarmos em nós mesmos, por meio da observação e posterior discussão no grupo de observadores.
3. Faz referência aos aspectos terapêuticos da observação.
Entretanto, a autora faz questão de ressaltar a significativa importância que a experiência vivencial do Método Bick traz como contribuição para a formação do psicanalista no trabalho clínico com seus pacientes.

Unitermos
Método Bick • observação de bebês • obra de arte

Observação da relação mãe-bebê:
método Esther Bick


Theodolinda Mestriner Stocche, São Paulo


O método de observação da relação mãe-bebê, preconizado por Bick há quatro décadas, permitiu uma formidável expansão de conhecimentos não só na psicanálise, como também em diferentes campos da ciência. Após a contextualização do método, empreendemos uma reflexão partindo de nossa experiência de observação, focalizando questões tais como: as razões que levam as gestantes a aceitarem a presença de um observador na intimidade de suas casas e os efeitos da separação precoce nas mães e nos bebês. Concluímos que as mães são receptivas à entrada do observador na intimidade do lar porque, ao final da gestação, sentem-se emocionalmente frágeis, com necessidade de proteção. Assim, buscam na figura do observador o suporte emocional de que necessitam nesse período delicado de suas vidas. Por outro lado, a separação aos três ou quatro meses de vida da criança suscita diversas reações psicossomáticas no bebê. Nas mães foram observadas manifestações de ansiedade e depressão, além de mecanismos compensatórios. Os dados sistematizados em nossa experiência demonstram que o vínculo mãe-bebê é primordial e fundante do psiquismo humano. O bebê é um produto das trocas ativas entre o seu potencial e o meio ambiente físico, social e emocional no qual ele se desenvolve.

Unitermos
Observação da relação mãe-bebê • vínculo • separação.

A constituição da feminilidade
num caso clínico


Teresa Rocha Leite Haudenschild, São Paulo


A autora propõe que se estude a evolução da feminilidade através do curso comum da vida de uma mulher, ao invés de estudá-la sob o peso das teorias clássicas baseadas no “masculino” e nas patologias femininas.
Ela apresenta um caso clínico onde o leitor pode observar a constituição da feminilidade e conclui convidando a que se escrevam sobre casos de evoluções predominantemente saudáveis da mulher.

Unitermos
Constituição da femilidade • auto-continência psíquica • pai internalizado • orgulho de ser mulher.

Psicanálise e psicopatologia:
passado ou futuro


Fernando Linei Kunzler, Porto Alegre


O autor faz um breve recorrido histórico sobre os conceitos básicos da psicanálise em Freud, Klein, Winnicott, Bion, Lacan e o contemporâneo André Green. Defende a idéia de que os psicanalistas precisam estar bem embasados nos alicerces teóricos e técnicos, aprofundar e ampliar continuamente o estudo e aprimorar a técnica para que a psicanálise seja sempre uma ciência viva e pujante e possa ser definida não como psicanálise passado ou futuro e, sim, como psicanálise passado, presente e futuro.


Unitermos
Psicanálise • passado • presente • futuro/psicopatologia • passado • presente • futuro.

Psicanálise e psicopatologia:
passado ou futuro


Fernando Linei Kunzler, Porto Alegre


O autor faz um breve recorrido histórico sobre os conceitos básicos da psicanálise em Freud, Klein, Winnicott, Bion, Lacan e o contemporâneo André Green. Defende a idéia de que os psicanalistas precisam estar bem embasados nos alicerces teóricos e técnicos, aprofundar e ampliar continuamente o estudo e aprimorar a técnica para que a psicanálise seja sempre uma ciência viva e pujante e possa ser definida não como psicanálise passado ou futuro e, sim, como psicanálise passado, presente e futuro.

Unitermos
Psicanálise • passado • presente • futuro/psicopatologia • passado • presente • futuro.

O paciente psicossomático


Plinio Montagna, São Paulo


O autor traz alguns conceitos facilitadores da compreensão dos fenômenos assim ditos psicossomáticos, e a partir deles discute elementos úteis na sua abordagem psicanalítica no processo psicanalítico com os pacientes.

Unitermos
Paciente psicossomático • alexitimia • psicossomática.

Anorexia nervosa e a psicanálise:
tendências e uma leitura


Milton Della Nina, São Paulo


O autor se propõe a uma leitura comentada da literatura psicanalítica sobre a anorexia nervosa. Tem como objetivo oferecer aos leitores facilitação introdutória à complexa trama conceitual produzida por essas investigações psicanalíticas. Pressupõe a existência de um leitor que possa com ele, autor do texto, se identificar: um psicanalista interessado no tema, mas principalmente buscando nessas conceituações emergentes uma associação com problemas correlatos da clínica. Apresenta inicialmente os passos da caracterização nosológica que a anorexia nervosa teve ao longo do tempo. Depois, destaca da massa de conceitos existentes, com apresentação resumida de trabalhos psicanalíticos selecionados, algumas tendências conceituais à visão psicodinâmica da síndrome. Complementa a apresentação dessas tendências com outros poucos exemplos, tomados isoladamente de autores brasileiros, sem considerá-la uma revisão bibliográfica. Finalmente, re-visitando seu trajeto de leitura delineia possíveis caminhos de pesquisa e conexão conceitual, e que teriam relevância para a área da clínica cotidiana. Aponta principalmente para o conceito de espaço mental, sua relação com o desenvolvimento da simbolização e do espaço transicional na inserção cultural, as defesas fóbicas primitivas frente à neurose de angústia e a importância da estruturação do ego corporal nos fenômenos clínicos de pacientes fronteiriços e psicossomáticos.

Palavras-chave
Anorexia nervosa • bulimia • espaço mental • espaço transicional • ego corporal • imagem corporal • fobia • fronteiriço • psicossomático • neurose de angústia • transtorno de personalidade.

Psicanálise: profissão ou especialização?


Alfredo Menotti Colucci


O autor estuda a inserção de uma ocupação particular na cultura. Destaca a psicanálise como atividade plural e o psicanalista tem como desafio a responsabilidade de representá-la. A interrogação do título estimula reflexões e o autor propõe que uma contínua evolução alicerçada num padrão ético é que dá proteção e posteridade à psicanálise.

Unitermos
Profissão • regulamentação • regulação • ética

A psicanálise diante da violência


José Otavio Fagundes, São Paulo


O autor define a violência como uma situação traumática, expressão da destrutividade do sujeito contra o outro ou a si mesmo, tendo uma representação psíquica e social. Distingue-a do instinto biológico e caracteriza-a como decorrente do abuso de poder entre os homens, quando os conflitos não são resolvidos pelo diálogo. Refere que o psicanalista, embora não possa resolver o problema da violência, pode porém criar um espaço para pensá-la em interação com outras disciplinas
Faz uma revisão da literatura, descrevendo a psicodinâmica da violência e a violência no contexto social. Finaliza o trabalho apresentando idéias de autores sobre as possibilidades de lidar com a violência e apresenta o Projeto Abrace seu Bairro, de prevenção da violência juvenil nas escolas, em que a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo participa juntamente com outras instituições.

Unitermos
Psicanálise • violência • destrutividade • trauma • poder • narcisismo • social • compaixão • conflito • paradoxo.

Psicanálise, violência individual,
violência social


Aurea Maria Lowenkron, Rio de Janeiro


Este artigo aborda o tema da violência a partir de referências teóricas e clínicas, consideradas em suas relações com a organização social. São destacadas as diversas faces da violência estudadas na obra de Freud, como o conceito de trauma, de mal-estar na civilização, de pulsão de morte e algumas de suas idéias sobre a guerra. São discutidos os aspectos estruturantes ou patogênicos relacionados à violência necessária e ao excesso de violência no âmbito das relações do sujeito com o meio familiar e social, com base em alguns conceitos de Piera Aulagnier. Por fim, são apresentados breves resumos de histórias clínicas e alguns trechos de relatos literários que servem para ilustrar a impossibilidade de que um sujeito venha a se constituir ou se manter como tal quando a brutalidade da vida o impede de pensar, de acreditar num futuro e de sentir esperança. Na falta de princípios condizentes com a condição humana, não há sujeito, não há lugar para a psicanálise e nem mesmo para a continuidade da vida. Por isso, a violência do mundo em que vivemos nos concerne como sujeitos, cidadãos e psicanalistas.

Unitermos
Psicanálise e violência • trauma • sujeito e meio • violência necessária • excesso de violência • violência social.

Psicanálise e Artes Plásticas


Claudio Castelo Filho, São Paulo


O autor considera que tanto a arte quanto as ciências possuem origens comuns através de explosões de criatividade, conforme A. I. Miller, e da função alfa e do fato selecionado, conforme Bion. Ambas buscam dar representações estéticas de mundos além das aparências. Correlaciona as obras de arte aos sonhos, aos mitos, a equações matemáticas. Todas essas expressões decorrem do alcance de novos níveis de apreensão e da expansão do senso comum. Uma grande obra de arte, assim como uma grande teoria científica, representa um profundo insight por meio de uma linguagem eficaz (linguagem de êxito) que permite a uma comunidade compartilhar e elaborar sentidos alcançados. De acordo com Bion, o analista deveria ser capaz de pintar o quadro e ver as cores do que sucede em uma sessão de análise. O autor recorre a Hannah Arendt para falar da natureza da obra de arte e dos usos que se pode fazer da mesma. A filósofa alerta sobre o grave perigo que corre a arte nos nossos dias ao ser transformada em objetos de consumo, os quais são rapidamente digeridos e eliminados, em um catastrófico processo destrutivo. O mesmo perigo estaria correndo a psicanálise, ao ser diluída, banalizada e transformada em cópia kitsch dela mesma, de maneira a ser tornada popular e de fácil consumo.

Unitermos
Comunicação • experiência emocional • linguagem de êxito • arte • kitsh.

A segunda inocência: psicanálise e artes


Ignacio Gerber, São Paulo


Neste ensaio proponho que a atenção artística e a atenção psicanalítica emanam de uma suspensão do ego consciente mediante uma entrega à lógica emocional do inconsciente. Relaciono as atitudes de atenção flutuante e sem memória, sem desejo com a busca de uma segunda inocência.

Unitermos
Inconsciente • emoção • atenção flutuante • sublimação.

Psicanálise e literatura:
Iluminações mútuas


Juarez Guedes Cruz, Porto Alegre


O presente trabalho parte de uma premissa: a familiaridade entre literatura e psicanálise – tendo, as duas, origens sediadas em nossa vida onírica inconsciente e ambas lidando basicamente com a palavra – permite o estabelecimento, entre elas, de um processo de “iluminação mútua” (Maria Helena Martins, 2002). Tal processo dilui ilusões de supremacia de uma sobre a outra e permite que as duas abordagens, literária e psicanalítica, escapem de um isolamento, que seria expresso por uma postura em que os psicanalistas estariam encarregados de “interpretar” a obra literária sob o protesto dos escritores, que pretenderiam permanecer intangíveis, vivendo em um limbo de criadores oferecendo à civilização os frutos mágicos de percepções intuitivas.
A partir dessa premissa são examinadas, em primeiro lugar, algumas das influências inspiracionais que a literatura teve sobre a psicanálise desde a origem da mesma. Posteriormente, são expostas duas abordagens psicanalíticas – o exame da construção do personagem na literatura e um estudo do papel do conflito psíquico na criação literária – que, de certo modo, retribuem à literatura alguns dos benefícios que, dela, têm recebido.

Unitermos
Psicanálise aplicada • literatura.

Psicanálise e
Teatro


Alan Victor Meyer, São Paulo


No presente trabalho o autor considera a relação de mútua implicação entre psicanálise e teatro, procurando evitar o seu uso meramente aplicativo. Utiliza para tanto algumas referências de Freud à tragédia grega “Édipo Rei”, de Sófocles, além de considerações que faz sobre criatividade e fantasia.

Unitermos
Psicanálise • teatro • criatividade • interpretação • fantasia • Édipo.

Psicanálise e mídia


Claudio Rossi, São Paulo


Após algumas considerações metodológicas a respeito da aplicação da psicanálise em objetos de âmbito sociocultural, o autor fala da sedução e da magia da mídia que atendem a demandas conscientes e inconscientes das pessoas atingidas por ela. Apresenta vários dados da literatura que mostram que a mídia é controlada por uma complexa rede de interesses e fenômenos sociais variados, sendo um dos produtos mais característicos do capitalismo mundializado. Considera inútil demonizar a mídia e mostra que a prática da psicanálise pode funcionar como um excelente antídoto contra os males provocados por ela e pela ideologia capitalista que a domina e a sustenta.

Unitermos
Mídia • mídia de massas • massas • psicologia de massas • capitalismo • psicanálise e mídia • alienação • magia da mídia • sedução da mídia.

A Jangada da Medusa e
os náufragos da identidade

Contribuição ao tema
“Do culto à imagem externa à
consistência da identidade interna”


Luiz Fernando Gallego Soares, Rio de Janeiro
Maria do Carmo Andrade Palhares, Rio de Janeiro


Os autores buscam esclarecer a questão da identidade em relação ao Ser, ao self e à imagem externa, partindo das contribuições de Grinberg, com ênfase nas idéias de Kohut, Mollon e Winnicott, pensadores que possibilitam o percurso por diversos conceitos e teorizações, abordando o tema em sua vasta complexidade contemporânea. Ao final, percebe-se que esta pluralidade revitaliza o campo psicanalítico que comporta e necessita de tal expansão em sua composição teórico-clínica.


Unitermos
Identidade • self • selfobjeto • imagem corporal • ser • caos • existência.

“Retrospectivando”:
da psicologia institucional à psicanálise

Regina Murat, Rio de Janeiro


Este texto foi elaborado para a mesa-redonda intitulada “Psicanálise e Psicologia Institucional”, no eixo “Diálogo com a comunidade”, do XIX Congresso Brasileiro de Psicanálise. Tem como objetivo apresentar um breve relato de algumas experiências profissionais vividas pela autora anexando reflexões sobre abordagens teórico-técnicas que lhes serviram de apoio neste percurso: os Grupos Operativos, a Análise Institucional e a Psicanálise.
Menciona possíveis interligações nestes campos ressalvando, no entanto, que estas lembranças são mais valiosas pela riqueza empírica do que pelo tratamento teórico que lhes foi dado aqui.
Finalizando, apresenta uma sessão clínica e convida o leitor para brincar (Winnicott, 1975) explorando a miríade de jogos especulares formada pelo próprio leitor, pelo analista, pelo analisando e pelo entrecruzamento destas subjetividades atravessados que estão por suas histórias de vida, seus grupos, suas instituições e os reflexos ideológicos, jurídico-políticos e econômicos que os permeiam.

Unitermos
Grupos Operativos • vínculo • homem-em-situação • espiral dialética • grupo • aprendizagem • Análise Institucional • instituição • instituído • instituinte • transversalidade • implicação • Psicanálise • dialética • terceiro analítico • intersubjetividade • campo intersubjetivo • criatividade.

Um psicanalista no hospital geral –
o atendimento