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Sumário
 
Editorial
João Baptista N. F. França - 225
 
Artigos
Corpo, afetos, pensamento
Riccardo Lombardi - 229
Dupla face do mito: modelo e função
Eva Maria Migliavacca - 251
Um olhar psicanalítico à sociedade contemporânea
Suely Gevertz - 263
Donald Winnicott e David Hume ou As aventuras do empirismo: uma articulação epistêmica entre psicanálise e filosofia na Inglaterra
Roberto Barberena Graña - 277
Determinantes socioculturais e seus efeitos sobre as representações do self num caso de infertilidade feminina
Maria Cristina Borja Gondim - 307
Cintilações de fatos selecionados em níveis não-verbais de apreensão e comunicação
Teresa Rocha Leite Haudenschild - 323
Elementos beta como fator de disfunção e evolução no campo analítico
Gisèle de Mattos Brito - 333
Experiência emocional e interpretação: além de modelos teóricos e clínicos
Maria Olympia A. F. França - 359
A criança, "Pai do homem" ou "Alguém que deve ser visto, mas não ouvido?"
Ester Hadassa Sandler - 367
O pequeno grande soldado (Quando as palavras chegam…)
Maria Lúcia Ferrão de Sousa Campos -381
Uma abertura para a adolescência
Mércia Maranhão Fagundes - 405
 
Resenhas
Eugenio Montale
Marisa Pelella Mélega - 417
A clínica conta histórias
Lucia Fuks e Flávio Ferraz - 422
Os avatares da transmissão psíquica…
Olga B. Ruiz Correa - 426
A história da psicanálise de crianças no Brasil
Jorge Luís Ferreira Abrão - 433
Conversations at the Frontier of Dreaming
Thomas Ogden - 442
Psicanálise em nova chave
Isaías Melsohn - 446
 
Lançamentos - 449
 
Editorial
A comunicação de casos clínicos em psicanálise desperta interesse mais vivo ao leitor especializado nessa área do que a elaboração de aspectos de teoria. Ao lermos histórias clínicas, identificamo-nos com o trabalho de colegas, aplaudimos ou fazemos restrições à sua habilidade, temos oportunidade de nos surpreender, sintonizar, ou então discordar e, no fim das contas, aprender com as reflexões que despertam.
Nossa identificação não se restringe ao analista em seu trabalho clínico; sentimos, quando o caso é interessante e bem escrito, o palpitar das ansiedades e vicissitudes dos pacientes e tentamos captar os detalhes, por vezes sutis, da interação da dupla.
A teorização, porém, se faz sempre presente em graus variáveis, acompanhando a descrição clínica, ou se revelando através desta. Temos autores que discorrem com precisão e maestria, abstraindo conceitos a partir da descrição da clínica, além da possibilidade de nos identificarmos com o seu percurso teórico; outras vezes, o que nos impressiona é o aspecto artístico e de comunicação, pelo qual, uma teorização mesmo que exígua ou limitada permite, no entanto, um grau importante de identificação com o material e seus desdobramentos e a instigação que nos conduz ao aprendizado.
A comunicação de questões teóricas, por outro lado, exige do leitor um maior esforço de atenção e, por parte do autor, uma capacidade não comum, às vezes conquistada com difícil aprendizado, de capacidade didática.
A psicanálise necessita nutrir-se das duas fontes de conhecimento, por meio do registro e comunicação escrita dos autores, em seu mister de transmissão de idéias psicanalíticas.
Iniciamos este número da Revista com a tradução de um trabalho de Riccardo Lombardi. No nosso último número apresentamos um trabalho de Imbasciati que despertou elogios, críticas e indagações em nossos leitores. Nosso amplo intercâmbio com colegas italianos tem propiciado uma maior divulgação do trabalho de autores europeus, fora do eixo Inglaterra e França. As idéias originais de Ferrari, nosso colega radicado há muitos anos na Itália, e suas pesquisas com ênfase na imagem corporal e adolescência, se junta neste artigo a considerações baseadas nos trabalhos de Matte-Blanco e Bion.
Os demais artigos no campo da teoria se referem não apenas à psicanálise, mas às ligações desta com outros campos do saber: a mitologia, as características do contexto sociocultural em que vivemos e sua inter-relação com nossa disciplina, e as correlações e origens filosóficas do pensamento winnicottiano.
Os mitos têm sido discutidos como fonte de inspiração e riqueza na teorização psicanalítica; muitas vezes têm estado presente nas páginas de nossa revista. Apresentamos, neste número, um trabalho de Eva Maria Migliavacca sobre as funções do mito, que podem ser configuradas desde a cultura grega, e sua correlação com a psicanálise, produto da cultura do último século, como instrumentos que são de compreensão e de significados sobre a natureza humana; com sua apresentação figurativa, narrativa e explicativa, o mito surgiu em época que se perde na história, e a psicanálise constituiu instrumento recente de compreensão e uso dos elementos que encerra. Suely Gevertz nos traz um artigo a respeito de globalização e sua influência na sociedade e cultura, e como essas novas circunstâncias se refletem na questão da representação, do virtual e do imaginário; já havíamos abordado o tema do virtual em nosso último número e continuamos com esta temática. Roberto Barberena Graña prossegue com suas pesquisas em interligar psicanálise e filosofia, focalizando a figura e as contribuições de Winnicott, abordando desta vez a correlação e a influência do empirismo de Hume na obra daquele autor. A interface psicanálise-filosofia encontra razão de ser, à medida que conhecer a natureza humana é um dos três aspectos que Freud atribuiu à psicanálise
Os artigos seguintes se referem a uma ponte entre teoria e clínica.
O artigo de Maria Cristina Borja Gondim faz uma correlação entre um caso clínico de infertilidade - assunto na ordem do dia - e seus diversos fatores determinantes, psicológicos e culturais. Os dois artigos seguintes são expansões teóricas das idéias de Bion e Ferro, a partir de material clínico pertinente, de autoria de Teresa Rocha Leite Haudenschild e de Giséle de Mattos Brito. Teresa ressalta a questão do uso da contratransferência em sentido lato, destacando aspectos sensoriais na apreensão da realidade psíquica do paciente, e Giséle traz uma elaboração das idéias de Bion sobre elementos beta, ampliando a conceituação destes, a partir também de uma leitura da obra de Antonino Ferro.
Por fim, apresentamos artigos mais centrados na nossa prática diária. As reflexões de Maria Olympia de Azevedo Ferreira França se referem à dificuldade de se encontrar elementos de validação da clínica, diante do inefável da experiência emocional. Ester Hadassa Sandler nos traz considerações a respeito de dois casos clínicos, ilustrando um modo de trabalhar, no qual privilegia a postura ou setting interno do analista e, diante de pacientes difíceis como os apresentados, não faz uso de interpretações em seu sentido clássico; ela deseja promover a concepção de sonhos, prestar assistência a seu parto. Ester apresentou uma versão deste trabalho em um Congresso sobre as idéias clínicas de Ferenczi, autor pouco estudado entre nós, e com cujas idéias encontrou afinidade e ocasião de diálogo.
Os últimos artigos são inteiramente clínicos; o primeiro, de autoria de Maria Lúcia Ferrão de Sousa Campos trata de um caso de criança no qual as particularidades desta e o contexto familiar no qual surgiram, exigiram da analista um trabalho de desconstrução para que as palavras ressurgissem integradas com significado emocional, no mundo do pequeno paciente, enquanto o último artigo se refere a um trabalho clínico com uma adolescente na qual se desenvolveu um trabalho como que um "prelúdio para a adolescência", conforme transmitiu Mércia Maranhão Fagundes, sua autora, e também uma abertura para a possibilidade de trabalho analítico.
Os casos clínicos apresentados têm em comum uma escrita poética e descontraída. E nos trazem questão interessante sobre o que caracteriza a psicanálise, mais precisamente, a psicanálise de nossos dias. Não se trata mais apenas de decodificação de conteúdos deformados ou reprimidos; temos que nos defrontar com graus e particularidades de desordens do self, com situações de enactement, de necessidade de continência, de criatividade e humor, o que representa desafios diversos para o exercício de nossa arte.
O terceiro número do volume 36 apresentará, como de costume, artigos selecionados da colaboração de nossos autores. O quarto número será dedicado especialmente à obra de Winnicott, que sempre tem despertado enorme interesse e estamos convidando alguns autores brasileiros, e outros do cenário mundial, para compor esse número especial.
João Baptista N. F. França
Editor
 
Corpo, afetos, pensamento. Reflexões a respeito de algumas hipóteses de I. Matte Blanco e A. B. Ferrari
Antonio Imbasciati, Milão
O autor considera o corpo como ponto de partida e centro fundador do processo de simbolização: uma perspectiva pela qual o reconhecimento do corpo é uma pré-condição para a formação dos afetos e pela sua colocação em um horizonte de consciência e significação. A releitura epistemológica de I. Matte Blanco das descobertas freudianas correlaciona o funcionamento do inconsciente ao infinito que conota a lógica das emoções: a sensação-sentimento é o anel de conjunção entre a emoção e o pensamento, entre o inconsciente estrutural e a consciência, mas sobretudo ponto de encontro entre corpo e mente. A. B. Ferrari coloca no centro de seu vértice observativo o corpo e o teoriza enquanto "Objeto Originário Concreto" (O. O. C.), de cujo marasma derivam os fenômenos sensoriais e a atividade perceptiva sobre a qual se funda o funcionamento da mente: um modelo que desenvolve as hipóteses de Freud e Bion que situam as operações psíquicas na área entre a contenção da descarga motora e o apreender da experiência. Hipotetiza-se que um vértice colocado na contribuição destes autores pode facilitar o uso do instrumento psicanalítico com os analisandos com grave defeito de pensamento, tornando a técnica mais precisa e funcional ao diálogo com o paciente.
 
Dupla face do mito: modelo e função
Eva Maria Migliavacca, São Paulo
Neste trabalho pretende-se seguir dois caminhos que se entrelaçam, ao mesmo tempo em que preservam contornos próprios: um refere-se ao mito em sua função na organização do psiquismo e, o outro, focaliza-o como modelo do funcionamento mental e do comportamento humano. O argumento central do texto diz respeito à presença constante do mito na mente do homem, a qual é tão-somente transformada no processo de desenvolvimento do indivíduo e do grupo. Como referência para as reflexões apresentadas, tomar-se-ão os mitos gregos, diferenciando-os em alguns aspectos quanto ao modo como surgem na épica e como são apresentados na tragédia. A psicanálise surge como um método pelo qual o indivíduo pode desenvolver a consciência de si, de tal forma que a influência do pensamento mítico no psiquismo seja reconhecida e utilizada a favor do crescimento pessoal.
 
Unitermos
Mito tragédia grega psicanálise
 
Um olhar psicanalítico à sociedade contemporânea
Suely Gevertz, São Paulo
Neste trabalho, a autora busca levantar questões para abrir um diálogo com o leitor a respeito da maneira como os instrumentos tecnológicos necessários para a implantação da globalização, na sociedade contemporânea, podem interferir no desenvolvimento e crescimento emocionais do ser humano. Para isso, discorre brevemente a respeito da globalização e dos recursos tecnológicos que tornaram possível sua efetivação. Tenta descrever as mudanças que ocorreram na lógica da representação para ser possível a criação do mundo virtual e advoga como sendo a virtualidade a marca característica do atual momento histórico. Procura mostrar os perigos de se confundir o virtual com o imaginário e ressaltar a importância da psicanálise para as atuais vicissitudes do viver humano.
 
Unitermos
Psicanálise Aplicada modernidade mundo virtual lógica do simulacro representabilidade
 
Donald Winnicott e David Hume ou As aventuras do empirismo:uma articulação epistêmica entre psicanálise e filosofia na Inglaterra
Roberto Barberena Graña, Porto Alegre
Este ensaio, terceiro de uma série dedicada nesta revista aos ascendentes filosóficos e psicanalíticos do pensamento winnicottiano, busca realizar uma leitura comparativa entre a filosofia ceticista de Hume e a contribuição psicanalítica de Winnicott, com o objetivo de sinalizar alguns pontos de influência da filosofia empirista sobre o pensamento psicanalítico inglês. Através de um estudo amplificado de conceitos e zonas de intersecção das duas obras, pretendemos sustentar que existe uma área de comensurabilidade epistêmica entre os sistemas dos dois autores e mesmo um continuum implicando as duas disciplinas do conhecimento na história das idéias na Inglaterra.
 
Unitermos
Idealismo realismo naturalismo empirismo ceticismo princípio da simpatia princípio do hábito princípio da associação conjunção constante transição de idéias tempo transicional espaço transicional
 
Determinantes socioculturais e seus efeitos sobre as representações do self num caso de infertilidade feminina
Maria Cristina Borja Gondim, São Paulo
Neste artigo a autora aborda como foi possível identificar, nas representações de uma mulher que passava por um processo de reprodução assistida, os modelos por ela introjetados a partir de seu grupo familiar, bem como os ecos daqueles pertencentes à nossa tradição judaico-cristã. Após o exame desses determinantes socioculturais, mostrou-se como a repetição inconsciente destes conteúdos implicava uma identificação da analisanda com o objeto parcial impotente e incapaz, geradora de forte sofrimento narcísico. Nesta configuração, o filho deixava de ser objeto de desejo, passando a ter a função de um self-objeto; o luto pela limitação fora substituído pela dor da desqualificação e, por isso, engravidar se transformara numa obsessão. Na conclusão, foi enfatizado como através do relacionamento com a analista, a paciente adquiriu a possibilidade de admitir-se incompleta, mas ainda assim possuidora de valiosas características humanas e de efetivos recursos para enfrentar as condições da vida.
 
Unitermos
Representação do self self-objeto limitação da fertilidade tradição judaico-cristã clínica psicanalítica
 
Cintilações de fatos selecionados em níveis não-verbais de apreensão e comunicação
Teresa Rocha Leite Haudenschild, São Paulo
A autora focaliza a atenção a níveis não-verbais de apreensão do analista, a partir de seu repertório onírico ou da comunicação do paciente, durante a sessão.
Mostra como uma imagem recorrente à mente do analista pode sintetizar uma captação deste, de algo presente na realidade psíquica do analisando, mas inconsciente. E como uma comunicação tátil do analisando, cuja imagem é mantida privilegiadamente sob atenção do analista, pode dar rica significação a toda uma situação conflitiva cujo sentido seria pobre se se levasse em conta apenas a verbalização.
Tanto a imagem como a ação seriam como cintilações de fatos selecionados que, se descobertos, poderiam trazer harmonia e compreensão a toda uma série de associações, proporcionando aprendizado e crescimento ao analisando.
É da dis-posição do analista para captar emanações da posição esquizoparanóide, que estas podem ganhar coerência e evoluir para a posição depressiva. Para isto é preciso que o analista se disponha a ouvir todas as "falas": suas e de seus analisandos…
 
Unitermos
Fatos selecionados capacidade de rêverie
 
Elementos beta como fator de disfunção e evolução no campo analítico
Gisèle de Mattos Brito, Belo Horizonte
O que se procurou desenvolver neste trabalho foi a idéia de que os Elementos beta, dentro da teoria de campo seguido por Ferro (1995), podem ser percebidos consciente ou inconscientemente pelo analista no campo analítico, mesmo não sendo alvo de projeção do paciente. Isso se o analista puder estar atento àquilo que no campo emerge e, a partir daí, buscar discriminar se aquele elemento é b para si ou para o paciente. Portanto, parto do ponto de que um mesmo elemento pode ser b para um e a para o outro. Essa idéia busca ampliar os conceitos de Bion sobre os Elementos beta quanto ao seu uso na situação analítica.
A teoria dos Elementos beta é vista aqui como complementar à teoria da identificação projetiva e pode explicar parte da comunicação entre paciente e analista que, em vários momentos, é confundida como identificação projetiva. Buscou-se diferenciar que há um elemento b inicial e um elemento b que possui "personalidade" (Bion, 1963). Esses Elementos beta com traços de personalidade são utilizados como conteúdos de identificações projetivas maciças, quando o paciente, ou o analista, necessita evacuar um sobre o outro, conteúdos sentidos como "indesejáveis" ou "insuportáveis".
Merece atenção o fato de que Elementos beta do analista podem ser tomados como identificação projetiva do paciente e, assim pensando, o analista estaria invertendo o fluxo das identificações projetivas. Entende-se que, se ele se identifica com os Elementos beta, estes perdem a oportunidade de serem transformados e contaminam o campo, de forma a serem fator disruptivo do campo analítico. Se, por outro lado, os Elementos beta são transformados, ou seja, acolhidos e elaborados pelo analista, tornam-se fator de evolução no campo.
Neste trabalho é apontada a importância de Bion, desde o primeiro momento, ter definido os Elementos beta em sua relação com a função alfa. Busca-se aqui aproximar a teoria dos Elementos beta, com o conceito de identificação projetiva, de inconsciente e de contratransferência.
 
Unitermos
Elementos beta função alfa identificação projetiva campo analítico contratransferência
 
Experiência emocional e interpretação: além de modelos teóricos e clínicos
Maria Olympia A. F. França, São Paulo
A autora tece considerações sobre o que seja uma experiência emocional propiciadora de desenvolvimento mental, aquela que tangencia desde "o mistério" da natureza humana até a logicidade da mente, expressa no conteúdo manifesto do ser, estando além de modelos teóricos e clínicos. Considera a interpretação como ponta de iceberg do encontro do par analítico. Esta ilumina-se pelo desvendar pontual da qualidade emocional de sua interação, e ao revelar um momento do ser do paciente, expande e integra sua noção de si mesmo. Instrumenta-o progressivamente de aquisições simbólicas e de maneiras e modelos de apreender e interagir com a realidade interna e externa, valendo-se para isso do fenômeno transferencial. Esse processo de transformações intermináveis e a ampliação do universo afetivo-simbólico são as únicas provas que a teoria-interpretação pode dar de sua validade e de sua dimensão analítica.
 
Unitermos
Experiência emocional mistério corpo-mente interpretação validação da interpretação função da palavra.
 
A criança, "Pai do homem" ou "Alguém que deve ser visto, mas não ouvido?"
Ester Hadassa Sandler, São Paulo
Neste artigo tento chamar a atenção, por meio de fragmentos clínicos extraídos da análise de dois pacientes "difíceis", para dois pontos principais: aquele que chamo de setting interno ou postura do analista na sessão, e para a natureza de minha contribuição na construção de uma atmosfera favorável para que o paciente desenvolva o pensamento onírico e intimidade consigo mesmo. Aqui a interpretação, em sua acepção mais clássica, está praticamente ausente. Faço ainda correlações com idéias de Ferenczi.
 
Unitermos
Ferenczi interpretação postura do analista setting interno técnica analítica
 
O pequeno grande soldado (Quando as palavras chegam…)
Maria Lúcia Ferrão de Sousa Campos, São Paulo
Este trabalho procura enfocar a redescoberta, o reencontro de M. com as palavras.
É a narrativa da experiência compartilhada no percurso da palavra vazia à palavra plena de sentido.
Reencontrando gestos, feições, murmúrios, enfim, uma linguagem não-verbal e pré-verbal que ressoava e encontrava ressonância, veredas associativas foram construídas, criando ambiência para a circulação dos afetos, despertando o desejo pelo significado.
A linguagem convencional, então, foi sendo transformada em linguagem própria, específica à sua interioridade.
 
Unitermos
Representação de coisa representação de palavra rêverie identificação projetiva pulsão transformação
 
Uma abertura para a adolescência
Mércia Maranhão Fagundes, Ribeirão Preto
Estimulada pela necessidade de elaborar a perda de uma relação analítica que chega ao fim, a autora pretende abordar, de forma livre, pensar e levantar questões a respeito da análise de uma adolescente, estabelecendo alguma correlação teórico-clínica. Para isso basear-se-á no relato da experiência emocional envolvida nesse processo e nas reflexões e devaneios da analista após o fim dessa relação.
Questiona e se posiciona a respeito da possibilidade de se trabalhar em análise com adolescentes e da necessidade de uma técnica específica.
Aborda de uma maneira especial a abertura para a vida que sua cliente viveu, com o desenrolar do processo analítico, sendo capaz de assumir um pouco do seu desenvolvimento e viver a sua adolescência.
 
Unitermos
Abertura desenvolvimento adolescência relação analítica perda
 
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